Vendas de carros elétricos avançam em meio à crise energética

Publicado quarta-feira, 13 de outubro de 2021 às 06:05 h | Atualizado em 12/10/2021, 22:14 | Autor: Núbia Cristina

É paradoxal estimular vendas e apoiar o desenvolvimento de carros elétricos em meio à crise energética vivenciada no Brasil e no mundo? Para o sócio fundador da Elev, Rodrigo Aguiar, com experiência demais de 25 anos na área de eficiência energética, não há qualquer paradoxo nisso e a transição é possível. “Como podemos, em meio à crise, pensar na troca de veículos a combustão por elétricos? A resposta não é simples, mas pode ser resumida em uma única palavra: planejamento”, afirma.

Ele explica que o impacto dos veículos elétricos no consumo nacional é muito pequeno. “De acordo com estudos realizados pela Anfavea, em 2035 teremos 62% dos veículos brasileiros elétricos, e que consumirão apenas 1,5% do volume nacional de energia. Isso significa que os carros elétricos não são um problema para o sistema energético brasileiro”, exemplifica.

O especialista afirma que ao menos 15% de toda a energia elétrica consumida no país é desperdiçada (seja em equipamentos obsoletos, seja em processos produtivos equivocados). “Isso representa a cada ano, dez vezes mais do que os veículos elétricos vão consumir. E o Plano Nacional de Eficiência Energética (PNEf) continua andando devagar, o que faz o Brasil andar na contramão do mundo”, alerta.

Planejamento

No mundo inteiro, a indústria automotiva parece disputar uma corrida pela liderança no movimento de transição para a mobilidade elétrica. Em vários países da Europa e da Ásia, além dos Estados Unidos, nos mercados de maior poder aquisitivo e maior consciência ambiental, não faltam lançamentos, novos investimentos e incentivos governamentais para a eletrificação.

“Com as grandes reservas que temos de lítio, manganês, níquel e grafite, temos que realizar acordos com os grandes centros mundiais de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e assim estarmos juntos na evolução das baterias para estes veículos elétricos”, sugere Rodrigo Aguiar.

O aumento da geração renovável no Brasil, principalmente eólica e fotovoltaica, além da inserção das termelétricas, ampliou as possibilidades de geração de energia, mas o preço é cada vez mais alto. “É fundamental neste momento montar os alicerces para veículos elétricos, aumentar o número de eletropostos, reduzir a carga tributária e criar um plano estruturado”, opina.

No Brasil, a onda da eletrificação ganha cada vez mais força. De acordo com a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o mercado brasileiro de automóveis, utilitários e comerciais leves eletrificados já comercializou 24.146 veículos em 2021.

A entidade projeta que o segmento vai contabilizar 30 mil emplacamentos entre janeiro e dezembro deste ano, o que representará crescimento em torno de 52% em relação a 2020 (19.745).

Foram 2.749 unidades emplacadas em setembro, o melhor mês de setembro da série histórica da ABVE (iniciada em 2012), com crescimento de 30% sobre os 2.113 eletrificados no mesmo mês, em 2020.

Incentivos

Os números são do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores/Ministério da Infraestrutura), compilados pela ABVE. O levantamento inclui veículos híbridos elétricos (HEV), híbridos elétricos plug-in (PHEV) e veículos totalmente a bateria (BEV).

O presidente da ABVE, Adalberto Maluf, defende a criação de uma política nacional de eletromobilidade, “com um conjunto de medidas de apoio ao transporte elétrico sustentável no Brasil”. Entre as medidas propostas estão: equiparação do IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados) dos veículos eletrificados à alíquota já em vigor para os veículos a combustão (7%), um programa de instalação de redes de eletropostos em rodovias interestaduais, estímulos à inovação e ao desenvolvimento de programas para o transporte público eletrificado no Brasil.

Recentemente, o Governo do Estado de São Paulo anunciou a redução do ICMS de ônibus elétricos, caminhões e veículos elétricos e eletrificados, de 18% para 14,5%.

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