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Alunos na rede municipal prejudicados por reformas

Publicado segunda-feira, 16 de junho de 2008 às 23:07 h | Atualizado em 16/06/2008, 23:59 | Autor: George Brito, do A TARDE
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A quatro meses das eleições, a Prefeitura de Salvador acelera a inauguração das escolas da rede municipal de ensino. Na última semana, três tiveram as reformas concluídas, com atrasos que variam de três a cinco meses.

Por conta do atraso, quase 500 alunos seguem sem aula em duas das cinco escolas visitadas nesta segunda-feira, 16, por A TARDE. Há uma semana, o número de alunos sem aula era maior, de aproximadamente 1,7 mil estudantes, já que a Escola Manoel Lisboa, em Itapuã, com 1,2 mil alunos, estava em reformas. As aulas voltaram ao normal na última quarta-feira.

No mesmo bairro, na Rua da Ilha, a Escola Municipal do Pescador abriu as matrículas no último dia 28 de maio, mas ainda não tem condições de receber os alunos matriculados. A equipe de A TARDE entrou nas instalações da escola. O prédio, onde antes funcionava um colégio particular, precisa reestruturar instalações hidráulicas e elétricas, e carece de mobiliário.

A funcionária pública Neuza dos Santos, 62 anos, indagava nesta segunda aos funcionários da escola por que os móveis ainda não haviam chegado. “Matriculei duas crianças e não há aulas. Cadê a prefeitura?”, reclamou. O secretário municipal de Educação, Carlos Soares Ribeiro, e equipe, desconhecem a situação. Informaram que os alunos foram transferidos para a Manoel Lisboa, apesar de haver estudantes matriculados no Pescador. “As duas escolas foram fundidas, mas, se houver demanda, vamos atender”, argumentou Marcel Macedo, coordenador de estruturação da rede física escolar do município. Houve transferência de alunos, mas a demora fez alguns deles desistirem de estudar. Caso do jardineiro Joel Oliveira, 45 anos. “Não vou conseguir aprender nem passar de ano, estudando pela metade”, disse. 

Pais de alunos da escola Carlos Onofre, na Federação, também se queixam da falta de aulas. Alguns deles fizeram sacrifícios para que os filhos seguissem estudando. “A banca custa R$ 40 por mês. Eles disseram que, no final de abril, terminariam as obras. Minha filha vai acabar perdendo o ano letivo”, afirmou a diarista Elisângela Gonçalves, 30 anos, que tenta ocupar o tempo ocioso de estudos da filha. 

Sem computadores – Em meio ao problema da falta de aulas, as inaugurações continuam. “Não tenho nenhum constrangimento de inaugurar as escolas. Isso não é ato político [eleitoreiro]. A partir de agora, quem inaugura as escolas sou eu, e não o prefeito”, respondeu o secretário Carlos Soares. Na tarde desta segunda, ele reinaugurou a escola Carmelita 29 de Agosto, no bairro do Uruguai, que desde 1998 não passava por reformas.

Entre as novidades das obras, uma sala de informática, só que, até o momento, sem computadores. As dez máquinas não chegaram a tempo por questões de “logística”. Professores da escola se mostraram parcialmente insatisfeitos com a reforma. “Poderia ser melhor. Os armários ainda são todos velhos e as cadeiras dos professores seguem desconfortáveis”, afirmou um deles.

Em ano de eleições, a prefeitura ainda vai reformar muitas escolas. Até o final do mês, serão seis escolas reinauguradas e, até fim de julho, mais dez. Nos últimos três meses, foram 12 reinaugurações. As reformas vêm com atraso, já que a prefeitura se comprometeu, desde de fevereiro com o Ministério Público Estadual, por meio de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), em realizar a reestruturação das escolas dentro de um mês, a exemplo da Escola Baha’i, em Itapuã, que só foi entregue depois de dois meses e meio de obras.

Segundo o secretário, o investimento é de R$ 10 milhões em recuperação de escolas. O coordenador de estruturação da rede escolar, Marcel Macedo, informou que R$ 1 milhão serão disponibilizados para a manutenção permanente das escolas. Três equipes, com pedreiros, eletricistas e outros profissionais foram montadas.  

Ano letivo – Para evitar prejuízos no ano letivo, haverá aulas de reposição aos sábados e feriados. O ano não pode ter menos de 200 dias letivos, conforme normas municipais de educação. Especialistas questionam a viabilidade em o conteúdo programático ser dado com a metade do tempo. A psicopedagoga Maria Lúcia Argolo considera ”absurda” a alternativa. ”Na verdade, seria fingir que os alunos vão aprender alguma coisa. A aprendizagem é um processo”, argumentou.

Em algumas escolas, as aulas devem avançar o período de férias, em janeiro do ano que vem. “A rede pública é sempre muito prejudicada por essas coisas”, disse a pedagoga. Salvador possui 411 escolas municipais, com um total de 2.610 salas.  Ao todo, são 171 mil alunos matriculados na rede municipal. 

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