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Baianas são o brilho da Festa do Bonfim

Publicado quinta-feira, 11 de janeiro de 2007 às 17:41 h | Atualizado em 11/01/2007, 17:41 | Autor: Thiago Fernandes
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Ainda não eram seis horas da manhã quando a baiana Leda Marques acordou e viu as quartinhas preparadas para o cortejo da Lavagem do Bonfim. "Coisa mais linda é essa visão e esse aroma de manhã cedo", disse. O cheiro vem das flores, principalmente das margaridas. Rosas são poucas e também há os crisântemos. E vem também dos 500 frascos de alfazema reservados para complementar a água de cheiro que leva a bênção de Oxalá, sincretismo do Senhor do Bonfim no candomblé.



Leda é presidente da Associação das Baianas de Acarajé de Salvador (ABA). A entidade é responsável por boa parte da beleza que marca a segunda quinta-feira do ano, quando milhares de baianos e turistas caminham da Igreja da Conceição da Praia até a Colina Sagrada para reverenciar o santo e pedir proteção para o ano que inicia. Para ela e outras 11 baianas, a noite anterior foi de muito trabalho na preparação das 500 quartinhas para a festa.



Apesar do pouco tempo de sono, o clima é de entusiasmo e alegria na sede da ABA, na Praça da Sé. "Aqui, tem gente que já está quase 48 horas sem dormir, tanto pela emoção quanto pelo trabalho", revela Leda. Uma parte dessas 48 horas é consumida para a preparação da roupa das baianas, ritual que não leva menos de 30 minutos, entre anáguas, panos-de-costas e o torso, motivo de cuidado especial e orgulho para muitas delas. Pela tradição, o traje se completa com um chinelo rasteiro de couro branco, mas a vaidade fala mais alto e são muitas as que escolhem outro calçado. "Não dá para usar uma roupa tão bonita sem um salto", diz Norma Passos, que trabalha como baiana receptiva há quatro anos. Mas o salto não pode ser muito alto, afinal a caminhada até o Bonfim é longa.



No momento da distribuição das quartinhas, o toque final é a colocação da alfazema, que não pode vir na véspera para não murchar as flores. Na hora da distribuição, as que ficaram com um arranjo bonito são até cobiçadas, mas a maior disputa é mesmo por aquelas que não ficaram tão cheias (e tão pesadas), afinal são quase dois quilos carregados ao longo de oito quilômetros.



Mas há as baianas para quem preparar e carregar o peso da quartinha é a maior prova de fé no Senhor do Bonfim. É o caso de Telma Miranda, que prepara ela mesma a água de cheiro durante os três dias anteriores à Lavagem. "Eu uso 21 ervas sagradas e levo além da minha quartinha, mais alguns litros para ir repondo ao longo do caminho", conta. Para Telma, o Bonfim é momento em que seu orgulho pela profissão é mais forte. "É quando eu me sinto mais próxima de Oxalá e quando tenho mais fé", diz.

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