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Barraqueiros estimam prejuízo no verão

Publicado terça-feira, 28 de novembro de 2006 às 18:08 h | Atualizado em 28/11/2006, 18:08 | Autor: Tássia Novaes
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Parece que o verão 2007 não será o período propício ao bom faturamento para os barraqueiros de Salvador. Como as obras de revitalização das barracas de praia estão suspensas desde outubro, os proprietários estimam lucro baixo na alta estação. Alguns - menos esperançosos com o desenrolar do embargo feito pelo Ibama – acreditam que será difícil sair do vermelho nos próximos meses.



“A praia está vazia. Embora seja dia de semana não era para estar assim”, diz João Ramos de Oliveira, o Soró, como é conhecido em Piatã onde tem barraca há mais de 20 anos. Para não ficar sem trabalhar enquanto a reforma não termina, Soró improvisou um toldo em frente à sua barraca. “Investi dinheiro para não ficar parado, mas não estou tendo retorno”, reclama.



A redução do faturamento está estimada em até 80 por cento. No mesmo período no ano passado, o barraqueiro Jones Santana vendia por semana cerca de 80 caixas de cerveja. Com a barraca em reforma, o consumo caiu para sete caixas por semana. “Hoje (terça-feira) mesmo não sai nem uma caixa”, lamenta.



Segundo os barraqueiros, os clientes têm ido menos à praia por causa da falta de estrutura, já que, no trecho Jaguaribe-Piatã, a construção das barracas permanece inacabada. “As pessoas não vêm à praia porque não temos uma estrutura mínima para oferecer. Temos interesse que esse impasse entre a prefeitura e o Ibama termine logo”, explica o barraqueiro Valter Batista.



Apesar da demora na conclusão das obras, os barraqueiros optaram por acatar a decisão judicial e não têm planos de finalizar a reforma com recurso próprio. “Ninguém vai botar dinheiro para concluir a reforma”, diz Batista. Os que estão com obra adiantada em 70% pensam em ocupar as barracas para trabalhar durante o verão. “É para aproveitar o espaço sem mexer na construção”, completa.



De férias em Salvador pela primeira vez, a economista capixaba Andréia Santiago, 33, ficou decepcionada com as obras inacabadas. “Podiam ter deixado para fazer isso depois do verão, quando tem menos gente na praia”, comenta. Já a baiana Maria Augusta Nascimento, 39, diz que a saída é optar pelas praias do Flamengo e Ipitanga, onde há barracas com infra-estrutura de melhor porte. “É um pouco mais longe, mas, pelo menos, não tem esse tipo de transtorno”, opina.



E é justamente essa fuga que tem tirado o sossego dos barraqueiros. “Já basta o inverno forte que enfrentamos esse ano. Desde junho, tivemos poucos finais de semana com sol, para completar, estamos vendo os clientes migrar para outras praias já que estamos sem barraca”, resume Santana.

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