Contexto da pandemia inspira a montagem de presépios

Publicado quinta-feira, 24 de dezembro de 2020 às 06:06 h | Atualizado em 24/12/2020, 00:07 | Autor: Maria Paula Marques*

Os elementos natalinos estão por toda parte. Árvores decoradas, Papai Noel, pisca-pisca e presépio. As tradicionais representações do nascimento de Cristo, este ano, ganharam elementos que remetem ao contexto da pandemia.

O presépio do artesão Alex Sandro Araújo é construído com papelão, T.N.T., E.V.A. e isopor. Ele, que faz a montagem há 13 anos, descreve que o pano de fundo é a órbita da Terra e, ao centro, está um coração de pedra, onde estão José e Maria, de máscaras faciais, à espera do nascimento do Menino Deus. “O planeta representa a humanidade e seu coração endurecido como pedra, que mais do que nunca, nesta pandemia, evidenciou a necessidade do renascimento de Cristo”.

Os três reis magos não foram incluídos. A entrega dos presentes – ouro, incenso e mira – foi garantida pelo serviço de delivery. “Em ano de pandemia, as visitas estão proibidas”, brinca.

“Uma mancha de sangue escorre do globo, bem abaixo da manjedoura, em memória às vítimas”, descreve. “Como católico, eu entrego a Jesus não só as vítimas, mas os familiares que sofrem as suas perdas”, completa.

Outro atributo que chama a atenção no presépio de Alex Sandro é a inexistência de olhos, boca e nariz nos personagens. “O Deus que eu vejo não é o mesmo Deus que o outro vê. Maria, Nossa Senhora, São José, Menino Jesus: cada um tem o rosto que quem observa traz consigo na imaginação”, disse.

A artista plástica e arte-educadora do Memorial Irmã Dulce, situado nas Obras Sociais de Irmã Dulce (Osid), Mônica Silva, destacou a importância da representatividade em sua releitura. “Montei o presépio com o suporte de bonecos negros. Os reis magos, coloquei um branco, um índio e um negro, representando esses povos identitários da formação do Brasil”, conta.

Todos os integrantes da cena não só usam máscara facial, como estão envoltos em uma grande máscara, em alusão à gruta que abriga a família de Jesus. “Precisamos nos proteger e proteger o próximo”, pontua.

*Sob a supervisão da editora Meire Oliveira

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