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Cresce a reprodução de tartarugas no litoral baiano

Publicado domingo, 05 de julho de 2015 às 09:30 h | Atualizado em 05/07/2015, 09:30 | Autor: Anderson Sotero
Sede do Projeto Tamar abriga os quelônios sob cuidados
Sede do Projeto Tamar abriga os quelônios sob cuidados -
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O número de filhotes de tartarugas marinhas nascidos na costa brasileira - grande parte deles no litoral baiano - nos últimos cinco anos (de 2010 a 2014) quase dobrou na comparação com o quinquênio anterior. Foram 8,4 milhões no período mais recente contra 4,5 milhões registrados de 2005 a 2009.

Os dados são do Projeto Tamar, que, desde a década de 1980, desenvolve trabalhos de proteção e conservação das tartarugas marinhas. Fundadora e coordenadora nacional de pesquisa e conservação da iniciativa, Neca Marcovaldi diz que o momento é de uma comemoração dupla.

É que, além do crescimento na quantidade de filhotes, há um segundo motivo: o resultado dos primeiros trabalhos realizados pela iniciativa. Segundo Neca, o aumento se deve às primeiras tartarugas alvos do projeto ainda na década de 80 que conseguiram atingir a idade necessária para reprodução - em média, uma tartaruga leva de 25 a 30 anos para se reproduzir - e retornaram para a costa brasileira para desovar.

"As tartarugas marinhas desovam na mesma região onde nasceram. Elas vão até o Caribe, a África, por exemplo, para se alimentar, mas retornam. E nós tivemos, nos últimos cinco anos, uma nova geração de fêmeas lá da década de 80. Filhotes que cresceram, se transformaram em fêmeas e vieram reforçar a reprodução", afirmou Neca.

Cinco espécies

A cada mil filhotes, a estimativa é que apenas uma tartaruga consiga sobreviver e, após cerca de 30 anos, retorne para a região onde nasceu e se reproduza. No país, há cinco espécies que integram a lista de risco de extinção: cabeçuda, tartaruga-de-pente, verde, oliva e tartaruga-de-couro.

"É muito bacana (o resultado) principalmente porque nós temos praticamente certeza de que, se não tivéssemos mantido esse esforço de proteção, o ciclo de reprodução das tartarugas teria sofrido com a interferência do homem. Seria interrompido. No passado, as pessoas comiam as fêmeas e os ovos das tartarugas", acrescentou.

Apesar de considerar o resultado "fantástico", Neca ressaltou que ainda há ameaças, como a pesca por rede que acidentalmente captura tartarugas, a poluição, o desenvolvimento costeiro e a fotopoluição - a influência da luz artificial sobre as tartarugas que pode desviar o deslocamento dos filhotes até o mar. "Ainda tem a possibilidade de as mudanças climáticas interferirem e consequências da modificação das correntes oceânicas", frisou.

O Tamar tem 25 bases em todo o país. Deste total, 19 são áreas de reprodução das tartarugas. Na Bahia, a desova ocorre em 220 quilômetros de praia que vão de Salvador até a divisa com Sergipe. A faixa litorânea do estado é onde ocorre a maior produção de tartaruga-cabeçuda de toda a América Latina. Junto com Pipa (RN), a Bahia tem também um alto número de reprodução da tartaruga-de-pente.

De acordo com o coordenador regional do Tamar na Bahia, Gustave Lopes, o trabalho de preservação é feito nas áreas de desova, com o monitoramento dos ninhos. Essa ação é feita em parceria com pescadores locais, contratados pelo projeto.

Inventário

"A gente faz o registro, demarca e passa a acompanhar até o nascimento dos ninhos. Fazemos um inventário com a espécie, tempo de nascimento e a quantidade de filhotes", explicou Lopes. Nessas áreas, a preocupação é com o trânsito de veículos, as construções na costa e a iluminação.

"Um dos nossos desafios é educar, conscientizar e fazer com que as pessoas participem do movimento. Ao aprender que a luz pode matar um filhote de tartaruga, a própria pessoa pode ajudar a evitar que isso aconteça", disse o coordenador regional. A estimativa é que, até hoje, o projeto já tenha beneficiado cerca de 20 milhões de filhotes de tartarugas que conseguiram chegar até o mar.

Para funcionar, o projeto conta com três apoios: financiamento da Petrobras, apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a arrecadação própria por meio de venda de produtos nos centros de visitantes, como o instalado na Praia do Forte.

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