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Dia marcado por devoção e festa

Publicado sábado, 27 de setembro de 2008 às 19:17 h | Atualizado em 27/09/2008, 19:17 | Autor: Luisa Torreão, do A TARDE
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Crianças, católicos, pais-de-santo, vendedores de fitinhas, santinhos e chaveiros. A devoção levou muita gente, neste sábado, 27, à Paróquia dos Santos Cosme e Damião, na Liberdade. O movimento foi intenso, durante todo o dia, encerrando com celebração do cardeal dom Geraldo Majella, às 19h.

Ao total, foram realizadas oito missas e uma procissão no final da tarde. “É um momento de muita alegria e muita festa para o povo baiano. É uma manifestação do reavivamento da fé”, avaliou o padre Jailson Jesus dos Santos, que veio da Paróquia Santa Mônica para celebrar o ritual das 7 horas.

Na porta, desde cedo, muitos meninos se amontoavam à espera da distribuição de guloseimas. “Eles vêm tudo para cima da gente”, assustou-se a aposentada Suzie Tanaka, 65. O clima, no entanto, era de alegria. “É uma festa bonita, me sinto muito feliz”, disse o ajudante de pedreiro que leva no nome a devoção herdada da família, Cosme Carneiro, 45, tendo um irmão gêmeo chamado Damião.

A presença do vigilante Gilmar Justiniano, 43, também se relaciona ao fato de ser trigêmeo. “Desde pequeno, minha mãe vem com essa obrigação a São Cosme e São Damião. Quando faleceu, passou para a gente. Todo ano, venho para a igreja e dou o caruru de sete meninos”.

A tradicional comida baiana, por sinal, estava espalhada pela cidade. Mesmo depois da data oficial dos santos gêmeos, porém, os carurus continuam sendo oferecidos o resto do mês, até outubro. Só não costumam ser feitos em novembro, devido ao Dia de Finados, 2.

Sincretismo e fé -  Na porta da paróquia, o babalorixá Roberto de Ogum, do terreiro Saboadã (Itapuã), oferecia banho de folha aos devotos que passavam, em exemplo máximo do sincretismo religioso baiano. “Eu também sou devoto há muitos anos. Fiz uma promessa de saúde e tudo eu peço a eles, que me atendem”, disse.

A administradora Geruza Ribeiro, 45, foi uma das que se renderam ao sacudimento com folhas de abre-caminho, canela-de-velho, desata nó e quebra feitiço. Segundo ela, que se autodeclara mística, a Bahia é a terra da energia e as religiões estão todas ligadas. “Quem tem fé, alcança. Vim aqui para agradecer e fazer outra promessa”.

O pagamento de uma promessa foi o que também levou a trabalhadora doméstica Jacira Monteiro, 53, a marcar presença. Há três anos, ela faz isso em agradecimento à saúde do filho. Adotado, ela o pegou para criar ainda na maternidade, quando Davi, 3, foi abandonado pela mãe biológica por causa de uma lesão cerebral. “Os médicos diziam que não iria andar, nem falar”. A fé de Jacira, no entanto, venceu barreiras. Hoje, fazendo tratamento no Hospital Sarah, o garoto já fala e anda.

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