Editorial: Racismo e violência

Publicado sexta-feira, 02 de outubro de 2020 às 06:00 h | Atualizado em 01/10/2020, 23:24 | Autor: Da Redação

Seria a humanidade formada por grupos étnicos superiores a outros, por sua origem histórica e aspectos físicos, ou são estas diferenças capazes de erigir uma pluralidade, visando ao bom convívio de todos, tomando como premissa integrarem uma só espécie? Para os chamados supremacistas brancos, há, sim, indivíduos melhores, aos quais todos os outros devem submeter-se: abanam os racistas, numa fogueira julgada extinta, as brasas da retórica do arianismo redivivo, objetivo eugenista da ilusão de uma raça pura.

Ao derivar do embate com tal tipo de escória imoral, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode ter, deliberadamente, incentivado desordeiros da mais extrema das direitas a recarregar a violência contra segmentos por eles condenados à extinção. As citações interpretadas como incentivo ao racismo e à violência ocorreram na noite do primeiro debate presidencial, entre Trump e Biden, interrompido em momentos diversos, impedindo uma troca tranquila de razões a dois – o diálogo ficou impossível.

Trump foi festejado por representantes do sumo mau do reacionarismo, nas redes sociais, ao aconselhar o grupo proud boys – garotos orgulhosos – a preparar-se para a luta: como numa fábula, a equidna idosa teria o poder de orientar sua prole de monstros. O alinhamento do presidente americano com uma ideologia cujo combate incessante tinha seu país como liderança mundial ficou evidenciado ao repetir o lema de luta dos supremacistas: stand back and stand by – Dê um passo para trás e se prepare.

Fez mais pelos supremacistas o presidente, ao denominar, em tortuoso viés, como símbolo de ódio, a série de manifestações antirracistas após os assassinatos dos afro-americanos George Floyd, Breonna Taylor e Ahmaud Arbery por policiais brancos. Enquanto o eco de Trump repercutia a favor dos herdeiros da Ku Klux Klan, restou aos movimentos contrários à banalização do mal denunciar o estímulo à estupidez, como ocorre nos países cujos governos prostram-se ao intemperante mandatário.

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