Festival internacional reúne capoeiristas até este sábado

A 9ª edição do evento é promovida pelo Instituto CTE Capoeiragem

Publicado sábado, 16 de julho de 2022 às 05:00 h | Atualizado em 15/07/2022, 22:53 | Autor: Antonio Dilson Neto*
Atividades acontecem no Forte da Capoeira, no Santo Antônio Além do Carmo, no Centro Histórico de Salvador
Atividades acontecem no Forte da Capoeira, no Santo Antônio Além do Carmo, no Centro Histórico de Salvador -

Um encontro de culturas e etnias para celebrar a Capoeira e suas diversas manifestações. É a proposta do Festival Internacional de Capoeiragem que acontece em Salvador até hoje. O evento, que chega à sua 9ª edição, é realizado pelo Instituto CTE Capoeiragem - Centro de Treinamento e Estudos da Capoeiragem, e acontece no Forte da Capoeira, no Santo Antônio Além do Carmo, e no Centro Histórico de Salvador. 

Durante os quatro dias de festa, uma programação intensa foi desenvolvida, entre apresentações musicais, oficinas, palestras, batizados e trocas de graduação, tour capoeirístico pelo Centro Histórico de Salvador, além de torneio infanto juvenil e formaturas. 

Mestre Balão, empreendedor sócio-cultural-esportivo e idealizador do evento, explica que o festival veio da ideia de difundir a valorização da capoeira do ponto de vista artístico, esportivo, educacional, turístico e cultural, como patrimônio imaterial da humanidade. “O festival é plural, a ideia é apresentar essa diversidade mesmo. Na perspectiva da cultura afrodescendente, a capoeira traz consigo muitos outros elementos culturais, como o samba, o maculelê, o afoxé”. 

O evento contou com oficinas, celebrando a cultura da capoeira em suas diversas formas. “Temos o torneio Ubuntu, para as crianças, que está na 2ª edição. Temos oficinas para os adultos de capoeira regional, capoeira Angola, capoeira contemporânea, de musicalidade, de Maculelê e de Experiência Musical da Regional, com mestre Nenel, filho de mestre Bimba, além do passeio por locais importantes para a capoeira”, contou Mestre Balão. 

O interesse em conhecer mais da cultura da capoeira em seu berço atraiu público do Brasil e de outros países. É o caso da alemã Julianne Sommer, que ganhou na capoeira o apelido “Esquilo”. “Sempre sonhei em conhecer esse festival. É a primeira vez que estou aqui e estou amando conhecer a história, aprender sobre a cidade, a cultura e as relações com a capoeira. É um tesouro”, contou a capoeirista.

Para Mestre Balão, uma das coisas mais importantes da capoeira é a reverência aos mais velhos. “Enquanto a sociedade contemporânea despreza, coloca de lado os mais velhos, a capoeira vai num sentido inverso. A ancestralidade ocupa o lugar de maior respeito para nós. Mestre Filipe de Santo Amaro, 94 anos, mestre mais antigo vivo em Santo Amaro e Dona Nicinha do Samba, que faleceu este ano. Quase todos os mestres baianos acima de 70 anos já foram homenageados pelo festival”, registra Balão. 

Se, de um lado, os ancestrais ocupam um lugar de destaque permanente, quem começa a trajetória também é celebrado. O festival realizou batizados, troca de graduação de alunos e solenidades de formatura de mestres, contramestres e professores.

*Sob a supervisão da editora Meire Oliveira

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