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Gasolina é vendida a mais de R$ 7 em Salvador e motoristas reclamam: 'Insustentável'

Publicado às | Atualizado em 26/10/2021, 13:22 | Autor: Fernando Valverde e Felipe Viterbo
Motoristas correram para abastecer em postos da capital baiana que ainda não haviam aplicado o reajuste nesta terça-feira, 26 | Foto: Felipe Viterbo/A TARDE
Motoristas correram para abastecer em postos da capital baiana que ainda não haviam aplicado o reajuste nesta terça-feira, 26 | Foto: Felipe Viterbo/A TARDE -
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A nova alta no valor dos combustíveis pegou de surpresa boa parte dos soteropolitanos que foram abastecer seus veículos na manhã desta terça-feira, 26, na capital baiana.

Com o aumento de 7% na gasolina e de 9,1% no diesel divulgados pela Petrobrás na tarde de ontem, boa parte dos postos de Salvador amanheceram com o valor cobrado já acima dos R$ 7 para a gasolina de tipo comum, que apontava um valor médio de R$ 6,11 na segunda-feira, 25.

Na fila do posto Menor Preço na avenida Paralela, onde o aumento ainda não havia sido aplicado o que causou grande fila para o abastecimento, o motorista por aplicativo, Marcelo Índio, de 45 anos, já perdeu até a conta do número de aumentos praticados neste ano.

“Mais um aumento né? Acho que é o décimo em menos de um ano. Isso acaba pesando principalmente para um pai de família que está usando o carro como meio de trabalho, então está difícil. Se o Brasil parasse, acho que o governo ia ver uma forma de agir, porque da forma que está, mais gente vai passar fome”, avisou.

Opinião compartilhado pelo colega de categoria Renê Gonçalves, 35 anos, que ressaltou a dificuldade de se manter ativo com os atuais valores, mesmo com o reajuste do valor base para motoristas de aplicativos praticado no último mês.

"O preço está muito alto. Absurdamente! Eu mesmo chego a rodar até 300 km por dia e mensamente acaba pesando muito no meu bolso né? Hoje eu estou trabalhando para manter o combustível e poder trabalhar. Tá difícil!”, lamentou.

Em outros postos da capital baiana, a reportagem do A TARDE verificou o aumento dos preços já registrado nas bombas de abastecimento. Em média, o etanol comum está sendo vendido por mais de R$ 6 e a gasolina aditivada é encontrada por R$ 7,39.

Essa é a 3ª alta registrada nos combustíveis em menos de um mês. Em 9 de outubro um reajuste de 7,2% já havia sido praticado em adição a outro de 8,89% aplicado em 28 de setembro. No acumulado, o preço do combustível já teve um reajuste geral de 73,4% nas refinarias ao longo de 2021.

“Minha família é de Feira e eu estou impossibilitada de ir pra Feira como antes, porque o preço da gasolina está um absurdo e isso me prende no lugar que eu vivo porque não tenho condição de me locomover pagando 7 reais no litro da gasolina. E o pior de tudo é que não existe mais espaçamento entre os aumentos, tanto que a gente não consegue mais acompanhar. É um aumento atrás do outro”, reclamou Gabriela Lacerda, 21 anos.

Greve e reajuste

Como transtorno pouco é bobagem, a alta nos preços pode impactar também em uma nova greve de caminhoneiros e no reajuste da tarifa de ônibus em Salvador, o que impactaria ainda mais a população.

Com a afirmação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de que não irá interferir na execução da política de preços da Petrobrás, a categoria dos caminhoneiros, através da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), convocou uma greve para o próximo dia 1º de novembro para todo o país.

"A greve está mantida. A categoria já deliberou. E não esperávamos um percentual tão alto nesse novo reajuste da Petrobras. Os caminhoneiros estão trabalhando para colocar combustível. A questão agora é de sobrevivência", afirmou o líder do movimento Wallace Landim, o Chorão, ao site O Antagonista.

Em nota enviada para a reportagem, o Sindicombustíveis Bahia, que já havia repudiado as altas nos preços anteriormente, voltou a criticar a medida e afirmou estar acompanhando as tratativas entre o governo e as categorias atingidas.

"O Sindicombustíveis Bahia vê com preocupação o movimento de greve e está acompanhando as negociações entre o Governo Federal e os caminhoneiros", afirmou o secretário executivo Marcelo Travassos.

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