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Mãe Stella comemora 81 anos

Publicado terça-feira, 02 de maio de 2006 às 14:54 h | Atualizado em 02/05/2006, 14:54 | Autor: Carina Rabelo
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Maria Stella de Azevedo Santos, a "Mãe Stella de Oxossi", como se diz em Yorubá, comemora 81 anos nesta terça-feira, 2. A data foi celebrada pela comunidade do Candomblé com um café da manhã às 8h no terreiro comandado por ela, o Ilê Opó Afonjá. Ela é a mais conhecida sacerdotisa (mãe-de-santo ou Iyalorixá) da Bahia - pratica o Candomblé desde os 13 anos e assumiu o terreiro em 1974, quando tinha apenas 49 anos.



Mãe Stella deu continuidade à tradição da força do matriarcado no Opô Afonjá, em que as Iyalorixás (mães-de-santo) sempre foram figuras de destaque no culto afro-brasileiro. Formada em enfermagem pela antiga Escola de Saúde Pública da Bahia, está aposentada da profissão e dedica seu tempo exclusivamente ao terreiro.



Foi a primeira Iyalorixá a escrever livros e artigos sobre a cultura, as tradições e a essência da sua religião. Em 1983, durante a II Conferência Mundial da Tradição dos Orixás, em Salvador, Mãe Stella gerou polêmica quando se colocou contrária à prática do sincretismo religioso. Afirmou que "cada religião tem que estar no seu lugar", o que contrariou tendências de alguns religiosos na época, entre católicos e protestantes. Stella também critica a exploração do candomblé no carnaval baiano, quando afirma que "alguns empresários confundem o Axé com plumas e paetês".



"Mãe Stella é uma grande líder religiosa, uma mulher de grande conhecimento e uma verdadeira guerreira. Luta pela preservação dos pressupostos mais sagrados da matriz do Candomblé e tem opiniões muito corretas", declara Aristides Mascarenhas, presidente da Federação Nacional do Culto Afro Brasileiro.



Em suas práticas religiosas com a comunidade do Candomblé, Mãe Stella tenta conciliar o culto e a religião com a educação e a independência dos praticantes. Afirma que cada um deles deve ter a sua profissão e ser uma pessoa instruída. Defende também que "religião não é profissão e de religião não se vive, mas se pratica". Ela também luta pela conscientização da comunidade afirmando que "a prática da religião deve ser por fé e vocação, e não com o sentido de utilizar o orixá para objetivos imediatistas".

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