Museu do Homem do Nordeste promove seminário sobre Anísio Teixeira

Publicado sexta-feira, 26 de novembro de 2021 às 16:24 h | Atualizado em 26/11/2021, 16:38 | Autor: Da Redação

A memória da educação pública e os desafios contemporâneos deram a tônica para as formações e atividades do Museu do Homem do Nordeste (Muhne), da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), em 2021.

No centro do debate, a vida e obra do educador e homem público Anísio Teixeira (1900—1971). Encerrando o ciclo de homenagens ao baiano, o equipamento promove, nos próximos dias 2 e 3 de dezembro, o Seminário Anísio Teixeira: educação como prioridade, com transmissão no canal da Fundaj, no YouTube.

A programação é voltada para professores, pedagogos, pesquisadores em Educação e público geral. A organização é da Divisão de Estudos Museais e da Coordenação de Ações Educativas e Comunitárias do Muhne e integra o Projeto Ano Anísio Teixeira: a educação como prioridade, idealizado pelos integrantes do equipamento a pedido da Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca), que, neste ano, propôs como diretriz para as ações os temas “Educação e Memória Institucional”.

“Anísio Teixeira foi um personagem proeminente na História da Educação no Brasil. Ele pensava Educação, mas era também um administrador de mão cheia. Era um gestor público”, comenta Silvia Barreto, da Divisão de Estudos Museais. “Este seminário complementa as formações internas, mas é uma ação voltada ao público geral e conta desde sua programação com convidados externos”, assiná-la, ao destacar a presença de especialista na vida do patrono da educação pública brasileira.

Foi dentro do circuito de palestras e debates citados que nasceu o livro “Anísio, Anísios Teixeira: um educador no Museu do Homem do Nordeste” (Editora Massangana), co-autoria de Sílvia Barreto com Edna Silva, coordenadora de Ações Educativas e Comunitária do Museu. O título contou com pré-lançamento na 13ª Bienal do Livro de Pernambuco e terá seu lançamento oficial neste seminário. Nele, os leitores são apresentados ao homem, mas também às contribuições do seu pensamento nos dias atuais.

Sobre o homenageado

Educação gratuita para todos. O desejo de democratizar o ensino de qualidade no Brasil tornou o escritor baiano Anísio Teixeira (1900—1971) um símbolo nacional. Intelectual, educador, gestor e homem público. O baiano Anísio Teixeira (1900—1971) teve importante contribuição para a consolidação da educação pública no País. Homem de uma época onde sequer a expressão “inclusão social” havia sido cunhada, ele defendeu a democratização de acesso e ensino para todos os brasileiros.

“Sou contra a educação como processo exclusivo de formação de uma elite, mantendo a grande maioria da população em estado de analfabetismo e ignorância”, declarou Anísio. Em suas obras, o baiano sempre defendeu a escola pública como fator inerente à democracia, cabendo ao Estado o dever de assegurá-la. Esta foi uma defesa levada por ele também para o campo prático, pois promoveu diversas reformas nos sistemas escolares, incentivou pesquisas em educação e a criação de cursos superiores para professores.

Não foi por acaso que, em 1931, Anísio integrou uma comissão do então Ministério da Educação e Saúde para reorganização do Ensino Secundário e Reforma do Ensino Profissional. Mais tarde, em 1946, seria convocado a integrar o Conselho de Educação Superior da recém-formada Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Fatos que indicaram para muitos o impacto transnacional de seu trabalho. Dentre os títulos que publicou, destaque para Educação não é privilégio (1994).

Anísio e a Fundaj

Na década de 1950, Anísio Teixeira assumiu o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), que atualmente tem seu nome como homenagem. Durante sua gestão, ele implementou diversos Centros Regionais de Pesquisas Educacionais ao longo do país. Um deles estava no Recife. Com o apoio de seu amigo, o sociólogo Gilberto Freyre, o Centro Regional de Pesquisas Educacionais de Pernambuco (CRPE-PE) trouxe importantes contribuições para a área no Nordeste do Brasil.

Criado no Recife em 1957, o CRPE-PE teve como diretor Gilberto Freyre. Com a extinção dos centros, o então Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais (atual Fudaj) herdou o campus no bairro de Apipucos, na Zona Norte, suas pesquisas e arquivos produzidos até ali e o quadro de servidores. “A pesquisa educacional na Fundaj nasce nesse momento”, revela Silvia. Hoje, o campus carrega também o nome do educador e gestor que revolucionou a Educação no Brasil e está localizado na Rua Dois Irmãos, nº 92.

Programação

Quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

9h — Abertura

Mario Helio, diretor de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca)

Fernanda Guimarães, coordenadora do Museu do Homem do Nordeste (Muhne)

Albino Oliveira, coordenador de Museologia

Ciema Mello, antropóloga da Divisão de Estudos Museais do Muhne

Edna Silva, coordenadora de Ações Educativas e Comunitárias do Muhne

10h30 — Conferência de abertura: “Intelectuais, educação e debate público”

Profa. Diana Vidal (IEB/USP)

Mediação: Fernando Alvim

12h — Vídeo sobre Anísio Teixeira, da Coleção Educadores

14h — Mesa 1: “Anísio Teixeira e Gilberto Freyre: a memória do CRPE-PE na Fundação Joaquim Nabuco”

Rita de Cássia Araújo e Semadá Ribeiro

Mediação: Sílvia Barreto

16h — Palestra 1: “Gilberto Freyre no comando do Centro Regional de Pesquisas Educacionais do Recife (1957-1964)”

Simone Meucci

Mediação: Ciema Mello

17h30 — Lançamento do livro Anísio, Anísios Teixeira

Sílvia Barreto e Edna Silva

18h — Encerramento

Sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

9h — Palestra 2: "Educação e Região. Práticas Anisianas e Freyreanas fazem a educação do Recife (1957-1964)"

Profa. Dra. Kelma Beltrão

Mediação: Silvia Barreto

10h — Mesa 2: "Educação e Museus: Anísio Teixeira nas práticas educativas do Muhne e Engenho Massangana" - Apresentação dos relatos sobre a escrita dos textos do livro Anísio, Anísios Teixeira

Jamille Barros, Élida Nathália e Murilo Dayo

Mediação: Edna Silva

12h — Mini-documentário Anísio Teixeira (Divisão de Estudos Museais e Massangana Audiovisual)

14h — Mesa 3: “Atualização da inteligência nacional entre a modernidade e o modernismo (1822; 1922; 2022)”

Mario Helio, Ciema Mello e Fernando Alvim

16h — Conferência de encerramento: “Pedagogia e democracia: aspectos pedagógicos da democratização da cultura (1945-1971)”

Prof. Marcos Cezar de Freitas (UNIFESP)

Mediação: Fernando Alvim

18h — Homenagem a Anísio Teixeira

Ciema Mello

Serviço

Seminário Anísio Teixeira: educação como prioridade

Data: 2 e 3 de novembro

Horário: 9h às 18h

Transmissão no canal da Fundaj, no YouTube

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