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Olhar Social: Ações apostam no incentivo à leitura e seguem vivas

Publicado às | Atualizado em 02/10/2021, 13:15 | Autor: Priscila Dórea
Fabrícia e a filha melissa: elogio à ação Livres Livros | Foto: Raphael Müller | Ag. A TARDE
Fabrícia e a filha melissa: elogio à ação Livres Livros | Foto: Raphael Müller | Ag. A TARDE -
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É comum ouvirmos que brasileiro não lê. No entanto, de acordo com a quinta edição da pesquisa Retratos da Leitura do Itaú Cultural, cerca de 52% da população do Brasil é leitora, e lê, em média, cinco livros por ano. Apesar de promissor, esse número ainda é considerado baixo em comparação com outros países, e é aí que projetos de incentivo à leitura tomam a frente.

“A leitura nos dá ferramentas para toda a vida, tornando esses projetos essenciais. E o interesse só cresce. A sexta edição do nosso Concurso de Poesia e Prosa para Escritores Escolares, por exemplo, está com uma estimativa de 50 mil inscritos. Na primeira edição foram apenas 200”, explica Zulu Araújo, diretor geral da Fundação Pedro Calmon (FPC).

O concurso é promovido pela FPC por meio da Diretoria do Livro e Leitura (DLL) do governo estadual. Alunos do ensino médio e fundamental I e II da rede pública estadual podem inscrever textos, com tema livre, até 10 de outubro. A fundação também é responsável pelo Leia e Passe Adiante, ação que doa livros em feiras e festivais literários, mas que foi pausada na pandemia.

Quem também parou projetos com o isolamento social foi a Fundação Gregório de Mattos (FGM), que por meio da prefeitura de Salvador, realiza doação de livros, oficinas e eventos na capital. Porém, o projeto Caminhos Digitais da Leitura segue firme como uma ferramenta que fornece livros online gratuitos, e que permite que as pessoas publiquem as próprias histórias.

“A leitura é fundamental em qualquer instância. E os brasileiros iriam ler mais se houvesse oportunidade, já que a nossa maior dificuldade é possibilitar que as pessoas tenham acesso a livros”, afirma Jane Palma, gerente de biblioteca da FGM.

“Fortaleza”

Levar livros para quem os deseja e despertar a curiosidade pela leitura é o que o projeto Livres Livros faz de melhor.

“Ler é uma fortaleza, prática fundamental para o desenvolvimento. Não tem isso de não gostar de ler e, sim, falta de hábito. Para começar, pegue um livro de seu interesse e leia no seu ritmo”, afirma Raissa Martins, fundadora do projeto.

Famoso pelas minibibliotecas espalhadas pela Bahia, o Livres Livros promove ações que vão além das casinhas. Com oficinas diversas e encontros do Contação de História (suspensos na pandemia), o projeto tem o Clube de Leitura Social, onde um “investidor anjo” adota um ou mais leitores, que passam a receber todo mês um kit literário em casa, por um ano.

“O Clube continuou funcionando na pandemia e hoje temos 210 leitores adotados, até fora do estado”, conta Raissa. Em Salvador, a enfermeira Fabricia Oliveira dos Santos lembra que a primeira minibiblioteca que visitou foi em Itapuã e se encantou com a iniciativa. Hoje, ela pega livros também para a filha Melissa Valentine de Oliveira Rocha, de 8 anos.

“Quem lê fica conhecendo palavras novas, se expressa melhor e se diverte! A minha filha aprendeu a gostar da leitura de forma natural, me vendo sempre com um livro, e agora já toma a iniciativa da leitura. Toda vez que passo por uma das casinhas dou uma conferida e sempre devolvo os que pego e termino, para que outros leiam também”, conta a enfermeira.

Incentivo

Para a pedagoga e professora do ensino fundamental I, Neyla Suzart, a leitura deve ser incentivada desde a infância. “O hábito de ler esteve comigo antes de aprender as letras, por minha mãe, que sempre lia para mim. Porém, é importante incentivar também os adultos, nunca é tarde para ter um hábito tão importante, gostoso e divertido”.

Com cerca de 800 livros em uma coleção pessoal, além de professora, Neyla mantém um perfil no Instagram (@cdmblog) onde posta as impressões do que lê, dicas de leitura e incentiva outros a lerem livros que não conheciam. Esse tipo de incentivo aumenta o repertório literário, coisa que a estudante de 17 anos Stephanie Santos tem feito.

Incentivada pelo pai desde os 5 anos, ela opina que existe uma falta de interesse dos jovens e os altos preços dos livros não ajudam. “Quando falei com meu pai sobre o absurdo que é o valor deles, ele sugeriu que eu conhecesse o Ler na Praça. Hoje, venho aqui com frequência e esse lugar se tornou a minha definição de paraíso”, conta.

Há mais de 20 anos trazendo livros bons, úteis e gratuitos para a população, o projeto Ler na Praça possui não apenas uma grande quantidade de livros, mas também um longo caminho percorrido para se manter de pé. “Muita gente usufrui do espaço, porque gosta e precisa. Porém, é inacreditável o quanto os governantes fecham os olhos para ele. A política não vê a leitura como uma forma de dar educação para as pessoas, e isso eu não entendo”, lamenta Lázaro Sandes, fundador do projeto.

Doações

O Ler na Praça recebe qualquer tipo de livro e os oferece gratuitamente para quem os quiser. Além de levar livros para outras comunidades e festivais, como a Flica. “As pessoas, principalmente os jovens, precisam entender que leitura é conhecimento e poder, e sem ela, absolutamente ninguém vai para a frente”, desabafa Sandes.

CENTRO UNIVERSITÁRIO ESPALHA LIVROS POR ÁREAS DE UNIDADES

O déficit literário em um país tão rico em cultura nos mostra que o incentivo e acesso aos livros deve partir de todos os lados. Começando pelos espaços educacionais. A bibliotecária do Centro Universitário Maurício de Nassau (Uninassau), Maria Rita de Oliveira Araújo, acredita que abraçar a leitura define o conhecimento e devemos compartilhar isso.

“Criamos o Estante sem Dono com base em projetos semelhantes a alguns já existentes. O objetivo é fazer livros circularem e incentivar que a experiência de um, influencie o desejo de ler do outro. Alunos, professores e outros funcionários deixam bilhetes nos livros com impressões da leitura e o seguinte a ler deixa as dele”, diz.

Nova ação

As estantes estão nas unidades da Pituba, Mercês e Lauro de Freitas, nas bibliotecas, copas e salas dos professores. A bibliotecária ainda adianta que eles estão formulando outra ação: arrecadação e doação de livros para bibliotecas comunitárias. “A leitura amplia nossa visão de mundo e é com ela que nós somos quem somos hoje. Por isso, qualquer projeto que incentiva a leitura é bem vindo”.

Imagem ilustrativa da imagem Olhar Social: Ações apostam no incentivo à leitura e seguem vivas
Estudante Stephanie Santos: incentivo do pai | Foto: Shirley Stolze | Ag. A TARDE
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