Prefeitura estuda consórcio municipal para compra de vacina contra Covid-19

Publicado terça-feira, 29 de dezembro de 2020 às 06:05 h | Atualizado em 28/12/2020, 18:50 | Autor: Rodrigo Aguiar

Na corrida pela vacina contra a Covid-19, a prefeitura de Salvador estuda a formação de um consórcio com outros municípios para a compra de doses em grande quantidade e negocia com pelo menos três fabricantes. Há conversas com o Instituto Butantan, fabricante da Coronavac no Brasil, além das empresas Moderna e Johnson & Johnson.

A ideia lembra recomendação feita na última semana pelo Comitê Científico do Consórcio Nordeste. O grupo defendeu uma ação conjunta dos governadores da região para a compra de vacinas com uso emergencial já aprovado por organismos internacionais.

O entendimento da prefeitura de Salvador é de que, com o consórcio, seria possível driblar uma das maiores dificuldades - se comparada com o governo federal, por exemplo, a capital baiana tem um poder de compra muito menor, por não negociar uma quantidade de doses tão expressiva quanto a da União.

Além disso, com uma disputa internacional pelas vacinas, a prefeitura acredita que, pela dificuldade em conseguir grandes quantidades com apenas um fornecedor, a estratégia de imunização poderá levar em conta comprar vacinas de vários fabricantes.

A favor do imunizante da Johnson & Johnson, está o fato de se tratar de uma vacina em dose única e com possibilidade de ser armazenada em uma temperatura entre 2 e 8 graus centígrados. No entanto, a vacina só deve ter seus testes divulgados no final de janeiro, o que só permitiria, no melhor dos cenários, o início do uso em fevereiro.

No caso da Moderna, a dificuldade é o número mínimo de doses vendido pela empresa, em torno de seis milhões, de acordo com o secretário municipal de Saúde, Leo Prates.

Em relação à Coronavac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac, Prates afirma que há uma "negociação bem avançada" com o Butantan, ligado ao governo de São Paulo. Inicialmente, o instituto só negocia vender para fora do estado vacinas reservadas a profissionais da saúde, segundo Prates. Em Salvador, esse contingente representaria 103 mil pessoas.

A prefeitura, porém, trabalha com um universo prioritário de 380 mil pessoas, formado pelos trabalhadores da saúde e idosos, dos quais 66 mil a partir dos 75 anos, detalha Prates, que continuará à frente da pasta na gestão de Bruno Reis.

Em entrevista à TV Bahia, no último sábado (26), o prefeito eleito afirmou que não aguardará uma definição do governo federal para a compra de vacinas. "Nós sabemos que a política nacional de vacinação é responsabilidade do governo federal, do Ministério da Saúde, o fornecimento da vacina, ficando sob a responsabilidade dos municípios e do Estado, a distribuição a vacinação. Nós já adquirimos seringas, agulhas, já temos os freezers, mas Salvador não vai esperar somente o governo federal", declarou.

O futuro gestor também disse que a prefeitura está preparada para investir entre R$ 60 a R$ 80 milhões na compra de imunizantes contra a Covid-19.

Ontem, Bruno disse, durante coletiva de apresentação do secretariado, que o governador de São Paulo, João Doria, garantiu preferência por Salvador e Bahia na distribuição da Coronavac. O acordo verbal foi firmado por telefone, conforme o prefeito eleito. “Deixei claro para Doria o desejo de adquirir as vacinas, inclusive o desejo da gente ter preferência e ser priorizado e ele me garantiu que assim faria”, declarou.

Com receio de que houvesse dificuldade na aquisição próxima de agulhas e seringas, a prefeitura já comprou mais de 190 mil desses itens, informou Prates. A administração municipal já havia anunciado a capacidade de imunizar até 70 mil pessoas por dia contra a Covid-19. Nesse ritmo, iniciada a vacinação, a prefeitura levaria cerca de uma semana para imunizar o grupo dos profissionais de saúde e idosos, estima o secretário.

O presidente Jair Bolsonaro afirmou ontem que caberia aos laboratórios procurar o governo federal, e não o contrário. "O Brasil tem 210 milhões de habitantes, então um mercado de consumidor de qualquer coisa enorme. Os laboratórios não tinham que estar interessados em vender para gente? Por que eles não apresentam documentação [de certificação] na Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária]?", questionou o presidente, durante conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, em Brasília. "Pessoal diz que eu tenho que ir atrás. Não, se eu sou vendedor, eu quero apresentar", completou.

Procurado, o governo do Estado informou, por meio da assessoria, que a única compra direta cogitada até o momento é de 50 milhões de doses da vacina russa Sputnik V, que poderiam ser adquiridas caso o Ministério da Saúde não envie ao estado doses suficientes de imunizantes para os grupos prioritários. Recentemente, o governador Rui Costa confirmou a realização da fase 3 de testes da Sputnik V na Bahia.

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