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Problemas com árvores ameaçam equipamentos culturais públicos

Publicado sábado, 08 de fevereiro de 2020 às 14:00 h | Atualizado em 08/02/2020, 14:09 | Autor: Vitor Castro*
Foto: Adilton Venegeroles | Ag. A TARDE
Foto: Adilton Venegeroles | Ag. A TARDE -
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Dois equipamentos culturais da cidade estão ameaçados por árvores. Na Casa da Música, no Abaeté, em Itapuã, uma árvore que caiu sobre o telhado, impede que o espaço seja usado. Já na sala de cinema do Museu Geológico da Bahia, as mangueiras foram atingidas pelo fungo Ceratocystis fimbriata.

As fortes chuvas que marcaram o início do ano deixaram uma lembrança negativa para quem vive na região de Itapuã e utiliza a Casa da Música. O equipamento público, onde acontecem diversas atividades gratuitas como aulas de violão, violino, pandeiro, canto, yoga, xadrez, bordado, saraus, palestras, reuniões, está fechado desde o dia 22 de janeiro, quando o galho de uma árvore caiu sobre o telhado.

O equipamento do estado que está na Área de Proteção Ambiental (APA) Lagoa das Dunas do Abaeté, de acordo com o coordenador, Amadeu Alves, é utilizada por pelo menos 100 pessoas diariamente. "Em dias de eventos maiores, cerca de 300 pessoas passam por aqui".

O compositor Reginaldo Souza sempre se apresenta na casa e se diz indignado com o fechamento do local. "O pessoal que participa ativamente da cultura de Itapuã está precisando da Casa da Música. É uma vergonha, infelizmente, a cultura no Brasil está sendo tratada dessa forma e uma casa como aquela, tão útil, está fechada por uma bobagem", contou.

Uma moradora da localidade, que preferiu não se identificar, ressalta a importância do espaço para a comunidade. "Essa casa é muito frequentada pela população daqui, tem atividades maravilhosas. Somos acolhidos em várias atividades. Aqui é um espaço não só cultural mas também social. Se essa árvore cair vai destruir a Casa da Música ou machucar alguém que esteja passando", contou.

Aline Freitas, gestora da APA, informou que "há um processo correndo na Saeb (Secretaria da Administração do Estado da Bahia) para que seja feita a retirada da árvore que caiu e das outras que ameaçam cair. Chamamos um especialista e ele constatou que foram os fortes ventos", disse.

Freitas informou ainda que a parte da árvore deve ser retirada na próxima segunda-feira. De acordo com Amadeu Alves, assim que o serviço for feito, o equipamento voltará a funcionar.

Corredor da Vitória

No caso da Sala de Cinema no Museu Geológico da Bahia, a resolução do problema não é tão simples. De acordo com Welisson Quadros, engenheiro agrônomo da Secretaria de Manutenção da Cidade (Seman), as mangueiras do local foram acometidas pelo Ceratocystis fimbriata. A doença causada por uma associação de fungos rapidamente ataca o sistema responsável pela transmissão da seiva da planta, por onde o vegetal se nutre.

Marcelo Sá, diretor do Circuito de Cinema Saladearte, conta que uma árvore já foi retirada e outras estão apresentando os sintomas. "Do outro lado da rua, em área pública, tem uma morta. Já dentro do museu, uma outra mangueira que tinha dez anos foi contaminada e morreu. E agora, essa maior, que várias pessoas vêm aqui para ler, se encontrar, tomar um café. Fizemos uma primeira poda e outra será feita. Mas o profissional acha que a árvore não dura mais de um ano. Estamos arrasados com essa perda e preocupados com as outras árvores da cidade", contou.

O engenheiro agrônomo da Seman explicou que trata-se de uma doença que tem acometido muitas mangueiras, não somente em Salvador como em todo o Nordeste.

Segundo ele, apesar das pesquisas desenvolvidas para tentar combater a doença, a forma mais eficaz é a prevenção. "Quando detectado na planta, em estágio inicial, temos que podar a parte contaminada. Em casos já avançados, não tem solução, a árvore tem que ser eliminada por completo.

Prevenção

De acordo com o especialista, deve-se observar sempre se há galhos secos nas árvores. "É possível observar a árvore toda verdinha e um ou dois galhos ficam secos. Este é o primeiro sintoma de acometimento da doença. Se conseguir detectar neste estágio, tem solução, do contrário, não", explicou.

Quadros ressalta a importância de que, após o manejo do vegetal contaminado, os equipamentos utilizados devem ser esterilizados para não contaminar outras árvores.

*Sob supervisão da editora Meire Oliveira

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