Professora universitária é acusada de fazer saudação nazista

Caso aconteceu na última semana durante uma aula no Campus da Avenida Tancredo Neves

Publicado segunda-feira, 21 de março de 2022 às 21:30 h | Atualizado em 24/03/2022, 14:45 | Autor: Bianca Carneiro
Situação ocorreu na última terça-feira, 15
Situação ocorreu na última terça-feira, 15 -

Uma professora do curso de Jornalismo da Universidade Salvador (Unifacs), foi acusada, por alunos, de fazer uma saudação nazista em sala de aula. O caso aconteceu na última semana no Campus localizado na Avenida Tancredo Neves, na capital baiana, e veio à tona após denúncias nas redes sociais.

Estudante da universidade no curso de jornalismo, o ativista Onã Rudá se manifestou publicamente sobre a situação. Em seu perfil no Twitter, ele contou que a professora realizou a saudação nazista durante uma aula. “Com direito a ‘Hi Hitler[Heil, Hitler] e tudo”, escreveu.

A mensagem viralizou, e em meio aos questionamentos, alguns internautas, que também seriam estudantes da instituição, confirmaram o caso. “E eu tenho aula com el* toda semana. É um absurdo dito a cada 7 dias”, comentou um.

Segundo Onã, a conduta da professora já teria sido denunciada outras vezes pelos estudantes, sem sucesso. “É de conhecimento da instituição esse tipo de conduta, já teve abaixo assinado e diversas reclamações de diversas pessoas de diversos semestres, a professora tem estrada nessas condutas e a instituição finge que não vê”, afirmou ele.

Outra versão

Ao Portal A TARDE, uma estudante, que não quis ser identificada, disse que a situação ocorreu na última terça-feira, 15. No entanto, na sua visão, a professora usou o gesto e a expressão apenas para explicar uma teoria de comunicação, relacionada à ideia de manipulação das massas.

“Não acho que ela estava tentando se posicionar a favor do nazismo ou algo do tipo. Existe todo um contexto por trás, mas o fato é que esta ditadura partiu de uma manipulação, que era justamente o assunto da aula. Ela fez um paralelo, que pode ser sim, considerado de mau gosto. Mas a repercussão que isso gerou, eu não vejo como algo justo”, afirma.

“No momento em que aconteceu ninguém se manifestou e a aula seguiu normalmente. Após, outros alunos vieram comentar sobre algumas atitudes racistas e preconceituosas que a professora teria em grupos de whatsapp. A gente então se reuniu e decidiu conversar com ela para esclarecer qualquer mal entendido e expor os fatos, para até entender a versão dela da história. No entanto, uma pessoa que não estava em sala de aula no momento, que não viveu a situação, pegou a conversa por terceiros e acabou indo parar na internet. Eu acho que essa não foi a melhor forma de resolver o problema”, relatou a estudante.

A aluna também comentou uma fala da professora sobre a ginasta Rebeca Andrade, na qual ela teria dito que não sabia como a atleta “não tinha vergonha de ter aquele cabelo". 

“Ela estava fazendo crítica a algumas propagandas que não faziam sentido. Uma dessas críticas foi para uma linha de condicionador. Ela falou da Ivete (Sangalo) e da Rebeca Andrade fazendo a propaganda e disse que as duas estavam com o cabelo horrível e que, por isso, não fazia sentido estarem em uma propaganda de condicionador. Infelizmente, ela falou de Ivete mas deu certa ênfase ao cabelo de Rebeca, dizendo que estava feio e não hidratado. Na hora, eu não comentei porque não reconheci a propaganda, mas me recordo que não houve nenhuma reação, na verdade, muita gente deu risada”, conta.

Sobre o pedido da professora em um grupo de whatsapp da turma para que ninguém comentasse a saudação nazista logo após o gesto, denunciado por uma outra aluna ao site Ibahia, a estudante nega que a docente tenha se desesperado com a situação. Na verdade, ela diz que a professora ficou extremamente surpresa com a repercussão porque não sabia o que motivou as acusações.

“Ela não ficou desesperada. Eu não participo de nenhum grupo de whatsapp que tenha ela. Se isso aconteceu, não foi no que eu estava presente e eu participo dos grupos da matéria, da sala e do semestre, e ela não está em nenhum deles”, conclui.

Universidade apura

Em nota enviada ao Portal A TARDE, a Unifacs informou que, "assim que tomou conhecimento do caso, instaurou um processo administrativo para apuração dos fatos". A universidade disse ainda que não disponibiliza informações sobre fatos em apuração, em respeito a todos os envolvidos, mas que tal ideologia (nazista) não condiz com os seus valores.

A equipe de reportagem não conseguiu falar com a docente envolvida no caso.

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