Secretário diz que já planeja Carnaval, mas que tudo "depende da pandemia"

Publicado segunda-feira, 21 de junho de 2021 às 20:23 h | Atualizado em 21/06/2021, 20:48 | Autor: Luiz Felipe Fernandez e Fernando Valverde

O secretário de Cultura e Turismo de Salvador, Fábio Mota, afirmou que Salvador está preparada para receber o Réveillon e Carnaval de 2022, caso haja segurança e a permissão das autoridades sanitárias. A possibilidade foi comentada pelo prefeito Bruno Reis (DEM) em coletiva na manhã desta segunda-feira, 21, quando anunciou que poderia ser feito um evento teste para avaliar a condição de se realizar as duas festas, apesar da pandemia de Covid-19.

>>Prefeitura de Salvador diz que evento-teste não tem relação com Réveillon e Carnaval

Ao Grupo A TARDE, Fábio Mota revelou que já está "tudo pronto" para promover as festas, mas que a realização "depende da pandemia". Segundo o secretário, o projeto "só será executado se tiver o 'ok' das autoridades sanitárias".

"Está tudo pronto, só depende da pandemia e o planejamento depende da pandemia, mas só será executado se tivermos o 'ok' das autoridades sanitárias", disse o secretário.

Na manhã desta segunda, o prefeito Bruno Reis afirmou que o desejo dele é fazer um evento teste já em julho se os números permitirem e fazer não só Carnaval como Réveillon. “Vamos falar do que está sendo feito no momento certo que não é agora, até para não causarmos uma falsa sensação em relação a pandemia, mas meu desejo é fazer o evento teste, Réveillon esse ano e Carnaval em 2022", disse.

Já pela tarde, a prefeitura recuou e afirmou que o evento teste "não tem relação" com o Réveillon e o Carnaval. Em nota, explicou que o "experimento" ainda está sendo "estudado" e que só acontecerá quando "o cenário da Covid-19 na cidade permitir". Segundo o comunicado, ele serviria como uma "avaliação geral" para a adoção de protocolos de retomada das atividades no futuro.

De acordo com a prefeitura, este teste seria feito em um ambiente controlado, com uma quantidade limitada de pessoas e com outras normas que ainda serão definidas.

Cautela

O doutor em virologia Gúbio Soares, professor e pesquisador da Universidade Federal da Bahia (Ufba), diz que é preciso ter "cautela" com este tipo de projeção. De acordo com o especialista, não existe a chance de promover festas com esse nível de aglomeração, como é o caso do Réveillon e, principalmente, do Carnaval, que em Salvador chega a levar às ruas cerca de 3 milhões de pessoas.

Em conversa com o A TARDE, Gubio explicou que dificilmente a capital baiana terá até dezembro 75% da população vacinada com as duas doses da vacina contra o novo coronavírus. Ele lembra que o Carnaval atrai turistas estrangeiros, que podem trazer para o Brasil novas variantes do vírus, que pode causar uma nova onda ainda mais avassaladora.

"Não acho possível que aconteça. Até lá, não vamos ter vacinado nem 75% da população com as duas doses [...] se tiver aglomeração nesse nível, você pode ter uma pandemia ainda mais forte. Com o Carnaval em qualquer cidade, tem a vinda de muitos estrangeiros, e, com isso, o risco de novas variantes, com uma mortandade ainda maior do que está sendo agora. Acho prematuro esse tipo de estudo, ess decisão, acho que o governo não tem que incentivar nada disso agora. Precisa é se manter cauteloso", afirmou.

Outras cidades

Não é só em Salvador e se cogita a realização do Carnaval. O prefeito de Recife , Campos Neto (PSB), disse que a festa está no radar. “Estamos observando experiências de outras cidades em países da Europa, EUA e na Oceania para projetar os protocolos que deveremos adotar após essa fase mais aguda”, disse .

Já o Rio de Janeiro sediará um “evento teste” na Ilha de Paquetá, com todos os moradores vacinados, em setembro. “As coisas caminhando como estão caminhando, vamos fazer o maior Carnaval da história”, disse o prefeito de cidade, Eduardo Paes (PSD).

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