Surtos de doenças controladas preocupam as autoridades

Em apenas 3 anos, cobertura vacinal contra sarampo, caxumba e rubéola na Bahia caiu de 84,7% para 61,6%

Publicado sábado, 14 de maio de 2022 às 06:09 h | Atualizado em 14/05/2022, 00:35 | Autor: Priscila Dórea
Bryan, de 1 ano e filho de José Paulo, tomou a vacina de meningite, gripe, pneumocócica  e tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola)
Bryan, de 1 ano e filho de José Paulo, tomou a vacina de meningite, gripe, pneumocócica e tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) -

A cobertura vacinal contra sarampo, caxumba e rubéola (Tríplice Viral D1) na Bahia caiu de 84,7% (2019) para 61,6% (2021) de acordo com dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). O sarampo, por si só, é seis vezes mais transmissível do que a covid-19 e a possibilidade de um surto da doença em Salvador tem preocupado a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) que, mesmo unindo esforços com a campanha nacional de imunização, tem observado uma baixa adesão do atual público alvo: apenas 6% das crianças até 5 anos e 16% dos profissionais de saúde se vacinaram desde que a campanha teve início em abril.

“Estamos notando essa queda na cobertura desde 2016 e muito disso vem da falsa percepção de segurança por serem doenças que não são 'vistas' por aí. A covid todos nós vimos, então a população entrou em um desvio de foco muito perigoso, pois é um fato que precisamos nos vacinar contra covid, porém não podemos deixar as outras doenças de lado. Sem as outras vacinas em dia, abrimos brechas para que diversas doenças se instalem e se tem uma coisa que aprendemos com a pandemia é o quão rápido um vírus pode se espalhar”, explica a coordenadora de imunização da SMS, Doiane Lemos.

Essa baixa adesão das vacinas do calendário básico, junto ao constante trânsito de pessoas - sejam de turistas de outros países ou de brasileiros que viajam para o exterior e voltam - são a receita certa para a volta de doenças que já foram erradicadas no Brasil a algum tempo. “É um somatório de situações que contribuem para que a população fique mais suscetível a essas contaminações. Vacinamos pessoas saudáveis para que elas não fiquem doentes, a própria pandemia nos mostrou o impacto que a vacinação tem nos mais diversos âmbitos de nossas vidas, então a população precisa entender que as vacinas são prioridade”, afirma a coordenadora.

Por enquanto, o público alvo da campanha de vacinação contra o sarampo em Salvador permanece sendo os profissionais de saúde e crianças entre 6 meses e 5 anos, e Doiane Lemos reitera: “Mesmo as crianças que já estão com o calendário de vacina em dia e com a tríplice viral tomada, devem se dirigir aos postos para tomar essa dose de reforço”. As vacinas estão disponíveis em todas as 156 salas de imunização dos postos de saúde da rede municipal, de segunda a sexta-feira, exceto feriados, das 8h às 17h.

Alerta nacional

A situação dos baianos preocupa, mas o alerta é nacional. Amapá e São Paulo já tiveram casos confirmados de sarampo este ano, e de acordo com dados da Unicef, a cobertura da Tríplice Viral D1 no Brasil caiu de 93,1% em 2019, para 71,49% em 2021. A cobertura contra a poliomielite - paralisia infantil - também tem causado preocupação já que, nesse mesmo período, foi de 84,2% para 67,7%. Assim como na Bahia, a pandemia foi um agravante no que diz respeito a queda do número de crianças sendo vacinadas no Brasil, mas isso já vinha acontecendo desde 2015.

“Para reverter esse cenário, é fundamental fortalecer os programas de imunização e os sistemas de saúde, além de incentivar as famílias a vacinar suas crianças. Na primeira infância as crianças recebem imunização contra, pelo menos, 17 doenças. O declínio nas taxas de vacinação coloca milhões de crianças e adolescentes em risco de doenças perigosas e evitáveis”, afirma a oficial de Saúde do Unicef no Brasil, Stephanie Amaral

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