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Usuários de ônibus temem impacto de novo shopping

Publicado quarta-feira, 05 de abril de 2006 às 09:56 h | Atualizado em 05/04/2006, 09:56 | Autor: Jane Fernandes,A Tarde
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Usuários de linhas de ônibus que passam pela Avenida Tancredo Neves estão preocupados com os impactos que serão gerados pelo Salvador Shopping. O temor é o agravamento dos congestionamentos diariamente registrados no local. “Ficar duas horas dentro de um transporte coletivo não é mole”, disse Sandra Tavares, do Coletivo de Mulheres do Jardim Imperial, entidade localizada na Boca do Rio. O desabafo aconteceu durante uma audiência pública realizada, na manhã de ontem, na Câmara Municipal, para discutir o empreendimento que deverá ser inaugurado no próximo ano.



“Às vezes, o tempo que ficamos dentro do ônibus é mais desgastante do que a nossa própria jornada de trabalho”, destacou Cristiano Pereira, representando os moradores do Jardim Cajazeiras (Pau da Lima). Apesar de não estarem na vizinhança do shopping, os representantes comunitários lembram que qualquer alteração no trânsito daquela área repercute em quase toda a cidade. Apenas no início da Tancredo Neves (altura do Centro Médico Iguatemi) passam 125 ônibus a cada hora. A abrangência desses impactos levou associações e vereadores a defenderem que a aprovação de projetos de grande porte passem por consulta popular.



“É importante que a gente possa tirar as dúvidas, mas sabemos que é muito mais difícil parar o bonde andando”, diz Silvani de Jesus, um dos diretores da Federação de Trabalhadores de Construção Civil. Ele se referiu ao fato de a construção estar bastante adiantada e o responsável pelo empreendimento já ter investido R$ 11 milhões em obras acordadas com a prefeitura como contrapartida.



O acordo fechado com a gestão municipal anterior incluía o custeio dos novos prédios da Superintendência de Transportes Públicos (STP) e Companhia de Desenvolvimento Urbano de Salvador (Desal), o que já foi realizado pelo grupo João Carlos Paes Mendonça (JCPM).



CETICISMO – Presente na audiência, o assessor-chefe da Superintendência de Engenharia de Tráfego, Oscar Melo, afirmou que o tráfego gerado por esse centro comercial será anulado pelo conjunto de intervenções determinadas pela prefeitura. O vereador Beto Gaban, no entanto, garantiu que não há técnico capaz de convencê-lo dessa melhoria. “Acho que tudo isso surtiria efeito hoje, sem o funcionamento desse empreendimento”, defendeu, referindo-se às três passarelas, duas passagens de nível e três pontilhões previstos no projeto.



De acordo com os estudos contratados pelo grupo JCPM, o fluxo máximo será registrado entre as 17 e as 19 horas, quando 3,6 mil veículos estarão deixando o shopping. A principal via alimentadora do local seria a Avenida Paralela, respondendo por 30,4% do volume desse tráfego total. Embora também se preocupem com os engarrafamentos que tanto atrapalham o trânsito, os moradores de Pernambués, bairro que se encontra na área de influência direta, chamaram atenção sobretudo para as condições de circulação de pedestres. A reivindicação é pela construção de uma passarela em frente à Madeireira Brotas.



Essa passagem de pedestres estava prevista na contrapartida da proposta inicial para a área, que era a construção de um grande complexo composto por dez prédios de 30 andares e outros estabelecimentos. Com a mudança do perfil do projeto, no entanto, a passarela foi retirada.



Durante a apresentação do projeto e das medidas paliativas determinadas pela prefeitura, o superintendente de controle do uso e ordenamento do solo, Paulo Meireles, disse que a passarela vai ficar a cargo do município.

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