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Bispo de Barra retoma greve de fome contra transposição do São Francisco

Publicado terça-feira, 27 de novembro de 2007 às 23:48 h | Atualizado em 27/11/2007, 23:48 | Autor: Cristina Laura, da Sucursal Juazeiro
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>>Geddel afirma que não aceita “chantagem” 

Dois anos e um mês depois de fazer greve de fome por onze dias em Cabrobó (PE), o bispo de Barra, Dom Luiz Flávio Cappio resolveu retomar o jejum por acreditar que o acordo feito com o presidente Lula não foi cumprido. Desta vez, ele
escolheu o município de Sobradinho como local de permanência por tempo indeterminado ou, segundo ele, "até que seja retirado o Exército Brasileiro dos eixos Norte e Leste e o Projeto de Transposição do Rio São Francisco seja arquivado definitivamente".

Dom Luiz Cappio, tem 61 anos e faz aniversário no dia de São Francisco, 04 de outubro. O religioso está disposto a levar o que chama de "doação da vida pela vida do rio e do povo" até o fim. Ele diz que o acordo feito entre Governo e Sociedade Civil foi "profícuo enquanto durou, mas logo depois foi interrompido" não tendo inclusive, nenhuma sensibilização diante das inúmeras mobilizações da sociedade brasileira, em especial, dos movimentos sociais.

D. Cappio acredita que com a greve de fome e as orações possa sensibilizar o governo e interromper de vez as obras de transposição que pretendem levar água do Rio São Francisco às populações dos Estados do Ceará, Paraíba, Pernambuco e
Rio Grande do Norte, através da construção de dois canais, hoje em obras nos eixos Norte e Leste.

Na carta que foi entregue na manhã desta terça, 27, ao presidente, o bispo afirma que "já existem propostas para garantir o abastecimento de água para toda a população do semi-árido com as ações previstas no Atlas do Nordeste apresentada pela Agência Nacional das Águas (ANA) e as ações desenvolvidas pela Articulação do Semi-Árido (ASA)".

Várias pessoas da comunidade movimentam a Igreja de São Francisco, a maioria trazendo apoio e solidariedade ao bispo. "Muitas pessoas se solidarizam, mas no gesto eu estou sozinho. A ação é extrema, mas a vida do rio e a vida do povo merecem essa posição", assegura o bispo D. Luiz.

Na pequena sala nos fundos da Igreja, uma imagem de São Francisco de Assis, um relógio, uma mesa e uma cadeira e ao lado, só um filtro com água, único alimento do bispo até que o governo se posicione.

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