Colecionando momentos: fotógrafos comentam trajetória no Grupo A TARDE

Publicado terça-feira, 15 de outubro de 2019 às 14:00 h | Atualizado em 21/01/2021, 00:00 | Autor: Daniel Genonadio* | Foto: Raul Aguilar | Ag. A TARDE

Nos seus 107 anos de história, o Grupo A TARDE se destacou por ser um dos grandes expoentes do jornalismo no Brasil. O grupo que conquistou a sua credibilidade através do jornal impresso, também se destacou por estar sempre à frente do seu tempo, e por buscar a inovação a qualquer custo.

O mesmo aconteceu na área fotográfica, quando no ano de 1913, o A TARDE, através do seu presidente Ernesto Simões Filho inovou com a publicação, pela primeira vez na Bahia, de um anúncio com ilustração fotográfica.

Atualmente, o grupo conta com um núcleo especializado voltado somente para a fotografia, com grandes profissionais que buscam através da sensibilidade e do faro jornalístico, passar emoções e principalmente contar histórias através de imagens.

A fotografia tem um poder de transmitir uma mensagem, um fato, uma notícia, de maneira poética e universal

No A TARDE desde 1998, o coordenador de fotografia Xando Pereira, de 60 anos, é atualmente o fotógrafo mais antigo da casa, e acompanhou o grupo em grandes transformações. "A gente faz um jornalismo diferente, a gente escreve com a imagem. Repórter recupera texto, e foto você não recupera. Você tem que estar lá na hora certa, no exato momento".

Durante sua carreira no grupo, Xando colecionou grandes momentos e fotos, como da vez em que ganhou o Prêmio Banco do Brasil de Fotojornalismo por registrar imagens que confirmavam uma denúncia de turismo sexual no Porto da Barra. "Fui para lá umas duas ou três vezes para fazer esse flagrante. Era uma mulher que falava vários idiomas, e chegava na praia de biquíni, tanga, procurava os estrangeiros e abria o álbum com fotos das meninas, até de menores".

Além de vencer este prêmio, Xando também foi finalista do Prêmio Embratel por uma imagem registrada durante uma manifestação estudantil e do Prêmio Ayrton Senna com uma foto de uma menor encarcerado na Casa de Acolhimento ao Menor (CAM). "Ser finalista desses prêmios nacionais, já é uma vitória".

Imagem ilustrativa da imagem Colecionando momentos: fotógrafos comentam trajetória no Grupo A TARDE
Foto que rendeu a Xando Pereira o Prêmio Banco do Brasil de Fotojornalismo

Grandes tragédias também podem servir como motivação para alguém seguir uma carreira. Esse é o caso de Raul Spinassé, no A TARDE desde 2010, e que decidiu ser fotojornalista após cobrir uma enchente. “Tive oportunidade de cobrir uma enchente no estado de Alagoas que matou algumas pessoas e desabrigou diversas famílias. Foi um choque pra mim. A partir daquele dia decidi que seria fotojornalista e faria de tudo para dar voz a quem não tinha espaço na sociedade”, explicou Raul.

Quando se trata do papel do fotojornalista dentro dos novos meios de comunicação, Raul acredita que existe um momento de transição no jornalismo. "Estamos tentando enxergar os caminhos, mas acredito que cada vez mais seremos essenciais na construção de narrativas que contemplem a diversidade humana e os contrastes. O fotojornalista tem esse papel, o de contar histórias".

O “caçula” do setor é Raphael Muller, de 24 anos. No grupo desde março de 2018, ele sofreu influência do colega Raul Spinassé, que o incentivou ao emprestar uma câmera fotográfica. Para Raphael “a fotografia tem um poder de transmitir uma mensagem, um fato, uma notícia, de maneira poética e universal”.

Questionado quanto a escolha pelo fotojornalismo, Raphael afirmou ter sido uma maneira que ele encontrou "para contribuir para a melhora da sociedade de alguma forma”. Para ele, o fotojornalista precisa "inovar o nosso trabalho a cada dia, nos dedicar cada dia pra entregar algo diferenciado e com excelência, sensibilidade e tato.

Melhores histórias no A TARDE

Com 22 anos no grupo, Xando coleciona grandes histórias, e até apresenta dificuldade em escolher um único momento especial. Além das fotos que o renderam prêmio, ele também recorda com carinho a vez em que participou do caderno especial de 500 anos do Rio São Francisco. "Viajei da foz do rio até a nascente. Foi uma grande cobertura jornalística".

Outro fotografia recordada foi da tragédia com a lancha Cavalo Marinho, que aconteceu nas águas baianas em agosto de 2017. Xando é o autor da imagem que rodou o mundo, onde um técnico de enfermagem carrega no colo uma criança, vítima do naufrágio.

Raul por sua vez, definiu outro momento triste como marcante. Em abril do ano passado, um bebê sobreviveu a um grave acidente de trânsito após ser salvo por Erik Mascarenhas, um funcionário do metrô.

“Estava indo para outra pauta em Lauro de Freitas, e enquanto eu estava indo, no meio da Paralela tinha o acidente. A gente não sabia ainda que era grave. Paramos lá para ver, fiz as fotos, mas quando cheguei tinha uma mulher no volante presa nas ferragens, o marido estava atrás com o bebê que por centímetros não foi atingido. A criança estava tendo uma parada cardíaca e por acaso teve um herói, que socorreu e reanimou o bebê. Quase ninguém havia dado a história do Erik, muitas das matérias feitas com ele foram depois dessa foto minha. Então estar lá naquele momento ajudou a contar a história de heroísmo dele”, contou Raul.

Há também quem se sinta mais realizado ao cobrir eventos populares, como é o caso de Raphael. “Cobrir o bloco Filhos de Ghandi e a festa de Iemanjá. Esses eventos são uma explosão de energia, e fotografar isso é inexplicável. Nosso papel é transmitir essa energia através da foto, e quando conseguimos isso, é muito gratificante”.

*Sob supervisão da editora Maiara Lopes

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