Pesquisador aponta impactos ambientais provocados por manchas de óleo

Publicado segunda-feira, 25 de novembro de 2019 às 13:48 h | Atualizado em 25/11/2019, 15:07 | Autor: Ashley Malia, com informações de Bruno Brito

Uma coletiva de imprensa, realizada na manhã desta segunda-feira, 25, pelo professor e pesquisador Francisco Kelmo, diretor do Instituto de Biologia (Ibio) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), divulgou resultados de uma análise feita por pesquisadores, com relação ao impacto das manchas de óleo, que foram registradas em todo o litoral nordestino.

De acordo com Francisco Kelmo, os recifes de corais são os organismos mais frágeis do ambiente marinho, demorando muito tempo para crescer e se reproduzindo a cada dois anos.

"O óleo chegou justamente no período de reprodução, então nós temos um prejuízo muito grande para todos os animais que moram ali, especialmente para os corais, que são muito sensíveis", pontuou o pesquisador.

A pesquisa foi realizada entre 17 e 20 de agosto deste ano, em Praia do Forte, Guarajuba, Itacimirim e Abaí. Segundo a análise, a taxa de branqueamento dos corais aumentou após o acidente. Antes, a taxa oscilava entre 5-6% ao ano, após o acidente o valor subiu para 52%. Isso indica que houve perda de patrimônio natural, com a redução do número de animais, redução da diversidade de animais e aumento das doenças e mortalidade nos corais.

Kelmo explicou que o branqueamento é um processo de "casamento" entre o coral e a microalga. "As microalgas vivem dentro do tecido do coral, faz fotossíntese e doa para o coral. O coral, que é carnívoro, ao digerir a carne, ele pega o que seria descartado e dá para a alga. Então eles fazem essa troca, é um casamento bem sucedido", explicou. Entretanto, quando ocorre um agente de poluição no ambiente, a alga sai do coral e, com isso, o coral perde 50% da sua fonte nutricional. "Ele começa a passar fome. Se esse casamento não se refaz em três, quatro ou cindo dias, a tendência é que ele fique cada vez mais fraco", concluiu.

Com a perda de patrimônio natural, a cadeia alimentar fica comprometida, causando desequilíbrio ecológico, e precisa ser monitorado continuamente pelos próximos seis meses. Segundo Francisco Kelmo, o estudo começou com o objetivo de monitorar os recifes de corais. O diagnóstico imediato detectou que há essa necessidade de avaliação continuada, especialmente porque o óleo chegou no momento reprodutivo. "Somente depois daí é que vamos pensar no processo de remediação e, possivelmente, de recuperação", finalizou.

A Bahia foi atingida pelas manchas de óleo no início de outubro. O Governo do Estado já decretou situação de emergência e o petróleo continua avançando no litoral brasileiro. Pequenos fragmentos do óleo já foram detectados em praias do Rio de Janeiro no sábado, 23.

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