Terreiro Junsun entra em recesso pela morte da Yalorixá Sônia de Ogum

Falecimento aconteceu no dia 10 de junho de 2022, após ser diagnosticada com câncer de pâncreas

Publicado domingo, 17 de julho de 2022 às 10:51 h | Atualizado em 17/07/2022, 10:51 | Autor: Da Redação
Com o falecimento de mãe Sônia de Ogum, o Terreiro Junsun passa a ser comandado por Mãe Graça de Oxum
Com o falecimento de mãe Sônia de Ogum, o Terreiro Junsun passa a ser comandado por Mãe Graça de Oxum -

O Terreiro Junsun iniciou, neste final de semana, o recesso de um ano pelo falecimento da Yalorixá Sônia de Ogum, que aconteceu no dia 10 de junho de 2022, aos 85 anos. Ela faleceu após ser diagnosticada com uma câncer de pâncreas, durante a tradicional trezena de Santo Antônio, realizada há mais de 40 anos no ilê.

Com o falecimento de mãe Sônia de Ogum, o Terreiro Junsun passa a ser comandado por Mãe Graça de Oxum, que foi escolhida pelos Orixás, quando Mãe Sônia ainda estava viva.

No período entre o falecimento de mãe Sônia e a total suspensão das atividades no Terreiro, foi realizado o Axexê, comandado pelo Pai Daniel, e arriado o Amalá para Xangô, obrigações que fazem parte do ritual do Candomblé, para a suspensão dos trabalhos da Casa.

Daqui a uma ano, a reabertura dos trabalhos o Terreiro passará ter como Orixá de frente a Oxum, mas Ogum continuará sendo reverenciado pelo Ilê, conforme já garantiu a nova Yalorixá.

História de Mãe Sônia de Ogum

Mãe Sônia de Ogum faleceu com 85 anos de idade e 82 anos de Santo. Nascida Sônia Maria dos Santos, em 12 de janeiro de 1937, logo cedo, aos 3 anos de idade, no dia 15 de agosto de 1940, se transformou em Sônia de Ogum.

Aos 14 anos de idade recebeu o deká, mas só 7 anos depois abriu o seu Terreiro, inicialmente em uma casa alugada em uma rua entre a Fazenda Grande do Retiro e o Alto do Peru. Depois de três anos se mudou para o Alto do Cabrito, onde instalou definitivamente o terreiro.

Mãe Sônia iniciou sua vida no Candomblé em um período em que a atividade sofria extremos preconceitos. Uma época em que chegou ser considerada crime a prática do Candomblé. A polícia, cassava e reprimia a prática do candomblé.

No entanto, Sônia continuava a sua atividade, enfrentando todo o preconceito. O resultado deste enfrentamento é que a partir do Terreiro Junsun, diversos outros terreiros, principalmente no Subúrbio ferroviário de Salvador, fossem abertos e proliferassem. 

Em 2012, a Federação Nacional do Culto Afro Brasileiro concedeu a Mãe Sônia de Ogum um diploma como uma das Yalorixás mais antigas em atividade no Brasil. Em 2015, recebeu da Câmara Municipal de Salvador, a medalha Zumbi dos Palmares, a partir de uma iniciativa do então vereador Gilmar Santiago, em reconhecimento pelo trabalho e atividade desenvolvido em favor da comunidade do Axé da Bahia e especialmente de Salvador. 

Em 2020, quando comemorou os 80 anos de assentamento de Ogum, obteve o reconhecimento da Assembleia Legislativa da Bahia, através de uma Moção de Congratulações, apresentada pelo deputado Jacó. Naquele ano, por causa da pandemia da Covid-19, a data foi lembrada por uma comemoração bem restrita, mas para marcar a data foi produzido o documentário “Ogorin Odum Ti Ogum” em homenagem a data.

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