Agentes que atuam no resgate de animais no Pantanal sugerem "Samu silvestre"

Publicado sexta-feira, 09 de outubro de 2020 às 17:33 h | Atualizado em 09/10/2020, 17:35 | Autor: Da Redação

Em uma audiência virtual marcada por relatos emocionados dos profissionais que estão resgatando e cuidando de animais atingidos pelo fogo no Pantanal, os deputados da Comissão Externa da Câmara que acompanha as ações relacionadas ao combate às queimadas ouviram nesta sexta-feira, 9, sugestões como a criação de um “Samu silvestre”.

Cristina Adania, da equipe da Associação Mata Ciliar no Pantanal, voluntária que saiu de São Paulo para resgatar animais em Mato Grosso, teve dificuldade para completar a fala ao narrar um pouco do que viu. “Varas de queixada (porco-do-mato) que fogem de um lado e sabem por onde ir porque tem um tanque, tentam fugir, mas são queimadas ou intoxicadas", lamentou.

Ela também citou o caso de uma onça encontrada morta por um barqueiro. "Num local completamente incendiado, mas ela estava íntegra. Ela estava tentando escapar, mas a intoxicação é muito grande", relatou.

Cristina foi uma das pessoas que sugeriu o uso de ambulatórios móveis para facilitar o trabalho de resgate dos animais por conta das distâncias que precisam ser percorridas na região. Ela também defendeu a aquisição de outros carros para transporte adequado dos animais em caixas de contenção. "O número de animais mortos foi muito grande. E aí fica: o que que nós vamos fazer na prática em relação ao salvamento?”, indagou.

Para o secretário-executivo do Comitê Estadual de Gestão do Fogo em Mato Grosso, coronel Paulo Barroso, é preciso ter estruturas permanentes de apoio como brigadas nas propriedades rurais, principalmente nas que circundam áreas de preservação; “samus silvestres” terrestres e embarcados; e, sobretudo, dinheiro.

Ele disse que participa de um grupo dos corpos de bombeiros militares que já elaborou um modelo de sistema de proteção contra incêndios florestais para a Amazônia Legal e está elaborando um para o Pantanal. Segundo Paulo Barroso, o governo federal já teria mostrado interesse no sistema que custaria R$ 1,6 bilhão em 5 anos no caso da Amazônia.

No Mato Grosso, a equipe do coronel conseguiu distribuir 65 toneladas de alimentos para os animais e resgatar 128 vítimas. Mas ele lembrou que o Pantanal tem 195 mil quilômetros quadrados e a atenção tem sido prestada onde os voluntários conseguem acessar, cerca de 58 quilômetros quadrados. "Isso corresponde a 0,29% de tudo o que está queimando até agora. Então tudo isso que a gente está fazendo é quase nada em relação ao todo.”.

Muitos participantes ressaltaram que as chuvas não vão resolver o problema dos animais porque a vegetação vai demorar a crescer e eles ainda vão precisar de ajuda para se alimentar. O deputado Vander Loubet (PT-MS) lembrou ainda que este ano o fenômeno natural da “dequada” deverá ser mais intenso. A dequada é quando o material orgânico vai para os rios com as chuvas e isso reduz a oxigenação da água.

“É o maior volume de cinzas no Pantanal. O nível do rio Paraguai é o menor dos últimos 50 anos. Essa água vai vir para o rio, o volume é pequeno e isso vai dar problema na oxigenação da água. Consequentemente a mortalidade de peixes vai ser muito grande, muito maior que as outras”.

Procuradora e presidente da Comissão dos Direitos dos Animais da OAB de Mato Grosso, Gláucia Amaral, disse que uma geração de aves foi perdida; o que traz prejuízos econômicos para o estado caso seja considerado o turismo de observação de animais, por exemplo.

Criado após a tragédia do rompimento da barragem de rejeitos minerais em Mariana, Minas Gerais, o Grupo de Resgate de Animais em Desastres, também defendeu a capacitação de voluntários e planos de contingência nos moldes já publicados pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária. A coordenadora da comissão, deputada Professora Rosa Neide (PT-MT), disse que o grupo já está repassando indicações aos ministérios e estudando mudanças legislativas que forem necessárias.

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