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Estudo diz que 80% dos jovens vítimas de morte violenta no Brasil entre 2016-2020 eram negros

Publicado às | Atualizado em 22/10/2021, 20:16 | Autor: AFP
Entre 2016 e 2020, foram registradas 34.918 mortes violentas de menores de 19 anos | Foto: Solange Frazão | Agência Brasil
Entre 2016 e 2020, foram registradas 34.918 mortes violentas de menores de 19 anos | Foto: Solange Frazão | Agência Brasil -
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Cerca de 80% dos jovens que morreram em situação de violência no Brasil entre 2016 e 2020 eram negros, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira, 22, que também alerta para um aumento nas mortes de crianças menores de 4 anos por violência doméstica durante a pandemia.

O estudo revelou ainda que 178.277 crianças e adolescentes foram vítimas de violência sexual entre 2017 e o ano passado, ou seja, cinco casos por hora. Cerca de 80% das vítimas são meninas, principalmente entre 10 e 14 anos.

Entre 2016 e 2020, foram registradas 34.918 mortes violentas de menores de 19 anos, aponta o relatório produzido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) com base em boletins policiais dos 27 estados do país.

Desse total, mais de 31.000 eram adolescentes dos 15 a 19 anos, incluindo 25.592 (80%) jovens negros ou pardos que morreram em sua maioria por arma de fogo - 10% do total durante uma intervenção policial.

“Infelizmente não é uma novidade”, mas os números mostram que “a violência atinge os adolescentes (negros) cada vez mais cedo” e que há “ainda não há uma politica pública focada nesse grupo”, formado por jovens pobres e com poucos estudos, disse à AFP a diretora executiva da FBSP, Samira Bueno.

Por outro lado, o estudo também apresentou dados sobre violência doméstica entre crianças em geral.

No total, 1.070 menores de 9 anos morreram por violência doméstica, um número inferior em relação aos anos anteriores. Porém, houve um aumento das mortes de crianças menores de 4 anos, que passaram de 112 em 2016 a 142 em 2020 nos 18 estados que possuem dados completos para a série histórica.

A violência na primeira infância “é reflexo da pandemia de covid-19, com um aumento bastante acentuado de mortes que decorrem de violência doméstica, (cometida por) alguém conhecido pela criança, dentro de casa (...). E esses dados são coerentes com o aumento da violência doméstica e feminicídios em 2020”, acrescentou Bueno.

“A violência contra a criança acontece principalmente em casa. A violência contra adolescentes acontece na rua, com foco em meninos negros. Embora sejam fenômenos complementares e simultâneos, é crucial entendê-los também em suas diferenças, para desenhar políticas públicas efetivas de prevenção e resposta às violências”, explicou em nota à imprensa Florence Bauer, representante do Unicef no Brasil.

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