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Falta de emoção e longa duração enfraquecem O Hobbit

Publicado quarta-feira, 12 de dezembro de 2012 às 14:12 h | Atualizado em 12/12/2012, 15:39 | Autor: Bruno Porciuncula
O Hobbit
O Hobbit -
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O Hobbit: Uma jornada inesperada, que estreia no Brasil nesta sexta, 14, é um filme feito para agradar aos fãs da adaptação cinematográfica de Peter Jackson para a saga O Senhor dos Anéis, do escritor britânico J.R.R.Tolkien. Na produção, acompanhamos a aventura de Bilbo Bolseiro (Martin Freeman), que é indicado por Gandalf (Ian McKellen) para ajudar 13 anões a libertar o reino de Erebor, onde um dragão se apossou do local e expulsou todos que lá viviam. Um terço desta jornada é mostrada nos 170 minutos deste primeiro filme. Assim como O Senhor dos Anéis, a obra vai render uma nova trilogia com os futuros lançamentos de O Hobbit: A Desolação de Smaug (2013) e O Hobbit - Lá e de Volta Outra Vez (2014).

O longa é feito claramente para quem é fã de O Senhor dos Anéis. Quem pretende ir ao cinema apenas para se distrair, deve passar longe da produção, já que vai se decepcionar pelo simples fato de que, mesmo após 170 minutos, não temos uma história com fim - apesar de uma das tramas possuir um desfecho mais do que previsível.

Já os fãs vão delirar com velhos personagens de volta, como Frodo, Lord Elrond, Galadriel, Saruman e, claro, Gollum, de longe, o que rende a melhor sequência de todo o filme. Mas até os mais ferrenhos podem se decepcionar com a falta de emoção em O Hobbit. Em nenhum momento os personagens parecem correr perigo. Quando isso fica próximo de acontecer, Gandalf surge como um Deus Ex Machina - algo comum durante toda a projeção - e "salva o dia".

O diretor Peter Jackson repetiu a fórmula que transformou O Senhor dos Anéis em um sucesso de bilheteria e evitou ousadias. Os enquadramentos, os planos e as cenas de batalha são exatamente iguais aos da trilogia do início dos anos 2000. A cena utilizada para mostrar Bilbo usando o anel é muito parecida com a de Frodo, em A Sociedade do Anel. Os planos que mostram o grupo andando pelas montantas da Nova Zelândia - no filme, Terra Média - também estão presentes, assim como a fotografia que utiliza uma paleta colorida para ilustrar a felicidade do condado, em contraste com os filtros mais escuros, destacando a tristeza dos lugares habitados pelos inimigos.

Já o elenco tem uma tarefá fácil em uma obra na qual se tem pouca emoção e muitas cenas de batalha nas quais não se sabe ou consegue entender direito quem está acertando quem. Mas, o britânico Martin Freeman consegue transmitir toda a fraqueza e hesitação de Bilbo com o olhar, diferente dos demais, que praticamente só fazem gritar - principalmente os anões - ou sussurrar, no caso dos elfos. André Serkins mais uma vez se destaca como Gollum - que mostra uma evolução impressionante de tecnologia desde o último O Senhor dos Anéis, há nove anos. Pena que o personagem só aparece no terceiro ato da aventura.

Peter Jackson, que escreveu o roteiro ao lado de Philippa Boyens e Guillermo del Toro, deveria pensar menos em cifras de bilheteria e mais em entregar um produto de qualidade ao espectador. Uma obra como O Hobbit, que tem menos páginas que o primeiro volume de O Senhor dos Anéis, por exemplo, se tornar três filmes de quase três horas só enfraquece o fio condutor principal, se perdendo em tramas que são mais prazerosas quando lidas do que vistas na tela de cinema.

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