Onde você está aplicando seu dinheiro?

Publicado quinta-feira, 21 de julho de 2022 às 06:00 h | Atualizado em 20/07/2022, 23:25 | Autor: Armando Avena
Fundos de previdência estão rendendo menos que a inflação, aponta uma pesquisa
Fundos de previdência estão rendendo menos que a inflação, aponta uma pesquisa -

Nove entre dez gerentes e muitos analistas recomendam que o investidor deve aplicar suas economias em fundos de previdência para assim garantir sua aposentadoria com uma previdência privada. Pois bem, quem fez ou está fazendo isso vem perdendo dinheiro, pois 96% do patrimônio aplicado em fundos de previdência de renda fixa nos últimos 10 anos rendeu menos que a inflação e a taxa Selic. Esse foi o resultado de uma pesquisa que avaliou 179 fundos de previdência privada tipo PGBL e VGBL. E não se engane, leitor, este ano a rentabilidade do seu fundo de previdência, seja ele Brasilprev, Bradesco, Santander ou qualquer outro, está bem menor do que a inflação. Não se sabe por que as carteiras escolhidas pelos fundos sequer acompanham a taxa básica de juros, mas se sabe que a aposentadoria privada dos brasileiros está perdendo poder aquisitivo. É preciso, no entanto, ter calma antes de tirar ou remanejar o dinheiro, pois esses fundos são de longo prazo e, ainda que 10 anos de rentabilidade baixa seja um prazo longo e o rendimento tenha sido pífio, o primeiro passo é questionar o seu gerente e o seu banco.

 Nove entre dez gerentes também recomendam que você não deixe parado o dinheiro que tem conta, que aplique na poupança com resgate automático, num fundo de renda fixa com baixa automática ou que invista seu suado dinheirinho num desses fundos que oferecem prêmios, num fundo de capitalização ou coisa do gênero. Pois bem, todas essas aplicações apresentam rendimento baixíssimo, isso quando consegue render acima da inflação pois, assim como a caderneta de poupança, que há meses em que perdem para a inflação. E não é só isso, o CDB – Certificado de Depósito Bancários, oferecido a torto e a direito, para que supere a inflação é preciso que venha com pelo menos 120% do valor do CDI, pois nele incide imposto de renda. Há CDBs no mercado de até 200% do CDI, mas aí entra o risco e geralmente são títulos de bancos pequenos, fintechs, instituições privadas com pouca garantia ou então são recursos de grande porte. Fazer o que, então? Há boas opções para o pequeno e médio investidor, já que o grande não precisa dos conselhos deste articulista.  Há, por exemplo, o LCI – Letra de Crédito Imobiliário e o LCA – Letra de Crédito do Agronegócio que por serem isentas de Imposto de Renda viabilizam excelente remuneração e dão liquidez com apenas três meses de carência, mas necessitam que tenham rentabilidade de pelo menos 95% do CDI ou mais. Só que os grandes bancos estão reduzindo o lastro dessas aplicações, exigindo carência maior e diminuindo a rentabilidade para 92% do CDI ou menos. 

Há também o Tesouro Direto, melhor aplicação para o pequeno investidor, pois protege seu dinheiro da inflação, oferecendo rentabilidade de cerca de 5% mais IPCA, ou a taxa Selic. Mas neles o menor prazo é o pós-fixado 2025. É sempre bom lembrar que quanto maior o prazo, maior o rendimento para a maioria das aplicações, mas prazos muitos grandes num país como o Brasil são arriscados. Há também debêntures emitidas por empresas privadas, algumas incentivadas e sem IR, pagando taxas de 7% a 8% ao ano acima do IPCA e com prazo de 5 a 10 anos, mas aí é preciso cuidado na escolha da empresa que está emitindo, especialmente com relação ao seu  endividamento. E há muito mais no mercado, como os fundos cambiais,  recebíveis imobiliários e do agronegócio e até aplicações no exterior, mas meu espaço está acabando, por isso só resta dizer ao leitor: nesses tempos de inflação de dois dígitos pesquise muito para não pôr seu rico dinheirinho no lugar errado.

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