Salvador avança no combate às arboviroses

Publicado sábado, 03 de outubro de 2020 às 08:24 h | Atualizado em 03/10/2020, 08:28 | Autor: Leo Prates*

Assumi a Secretaria da Saúde de Salvador em julho de 2019 e logo me deparei com a grave possibilidade de uma epidemia de arboviroses, alertada pela Organização Pan Americana de Saúde (OPAS), prevista para acontecer entre os anos de 2019 a 2021. E logo busquei encarar este grande desafio de frente.

Na época, um rápida olhada nos noticiários locais já dava mostra da situação epidemiológica preocupante vivida em Salvador. Rumores de surtos de dengue, zika e chikungunya se tornavam cada vez mais comuns em diversas localidades, com especial atenção ao fato da maior circulação viral identificada por exames laboratoriais, da chikungunya, o que tornava a missão ainda mais desafiadora, uma vez que grande parcela da população estaria suscetível pela baixa ocorrência da patologia naquele momento.

Para agravar o cenário, o Ministério da Saúde anunciou, em fevereiro de 2019, o desabastecimento nacional do adulticida Malathion – importante inseticida no combate ao mosquito, que só retornou à normalidade em dezembro. Para completar, com a chegada da pandemia do novo coronavírus, os agentes de combate às endemias ficaram impossibilitados em realizar as visitas domiciliares nas residências habitadas, ou seja, nos locais onde são identificados em média 80% dos focos.

Toda a situação descrita, favoreceu a um aumento superior a 100% no número de casos em nossa capital e de imediato deflagramos a maior mobilização no enfrentamento às arboviroses já visto no município. Mapeamos os locais com rumores de surtos e intensificamos nesses locais a aplicação da UBV costal e UBV pesada (o conhecido fumacê). Também implementamos horas extras para equipes de campo para atuação intensiva todos os dias da semana, inclusive, aos sábados, domingos e feriados. Destacamos ainda, equipes exclusivas para atendimento rápido das demandas do Fala Salvador 156.

Aliado às ações de campo, buscamos também investir em ações educativas nas comunidades para sensibilizar a população sobre a importância do combate ao mosquito dentro das residências. Todo esse esforço começou a surtir efeito, e em julho, a capital baiana registrou pela primeira vez a redução nas notificações dos casos em comparação ao ano passado. Já em setembro, a cidade apresentou uma diminuição de 91,5% dos episódios das doenças relacionadas ao Aedes em comparação ao mesmo mês em 2019.

Por tudo isso, sei que o cenário ainda não é o ideal e a saída necessariamente é coletiva – exige não apenas os investimentos do poder público, mas da participação ativa da população. No entanto, o trabalho que desempenhamos nos mostra que juntos podemos controlar de uma vez por todas desse terrível inimigo.

*Secretário da Saúde de Salvador

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