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Sem vacina, o remédio amargo é mesmo cerrar as portas

Publicado segunda-feira, 15 de março de 2021 às 06:00 h | Atualizado em 14/03/2021, 17:41 | Autor: Adolfo Menezes*
Adolfo Menezes é economista e presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) | Foto: Divulgação
Adolfo Menezes é economista e presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) | Foto: Divulgação -
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O setor empresarial, principalmente o de comércio, é o que mais reclama – e com justa razão – pelo fechamento das portas de seus estabelecimentos enquanto dura a pandemia. E isso vale também para o vendedor de rua: se não vende, não tem como levar o pão de cada dia para dentro de casa. 

Contudo, o responsável direto por esta situação é o Governo Federal. Sem ter planejado a vacinação, agora o país vive uma situação de quase colapso na saúde, com o número de mortos superando a casa de 2 mil/dia. 

Sem a vacina, resta o remédio amargo do fechamento do comércio, escolas e serviços não-essenciais, nesse lockdown à brasileira, ainda assim bastante impopular. O governador Rui Costa, o prefeito de Salvador Bruno Reis e demais prefeitos da Bahia, tenho certeza, não têm nenhum prazer nisso. Ao contrário, desagrada a todos e ainda diminui a arrecadação de impostos. 

O isolamento social é o remédio que temos, para que a tragédia de Manaus não se repita. Na Inglaterra, quase tudo foi fechado desde novembro. A decisão do primeiro-ministro Boris Johnson não teve cunho ideológico: quem determina as regras numa pandemia são os médicos e os cientistas. 

Até Julho, os Estados Unidos devem vacinar toda a sua população adulta. O Chile, nosso vizinho da América do Sul, até o final de junho, deverá imunizar 15 milhões de pessoas, ou 80% de sua população. Enquanto o mundo sai das medidas restritivas, porque começou a vacinar em massa, nós discutimos ainda se o lockdown deve ser ampliado ou não. 

Já no Brasil, pelo ritmo lento da vacinação, para imunizar 160 milhões de brasileiros – sem contar os menores de 18 anos – podemos levar até 2 anos.  Tudo isso por causa da incompetência do Governo Federal. No ano passado, Bolsonaro recusou um acordo da Pfizer que garantiria 70 milhões de vacinas em dezembro de 2020; e rejeitou uma proposta do Butantan, que previa a entrega de 45 milhões de doses da CoronaVac até dezembro de 2020. "Da China nós não compraremos. É decisão minha. Eu não acredito que ela transmita segurança suficiente para a população pela sua origem. Esse é o pensamento nosso", disse o presidente em entrevista à rádio Jovem Pan. 

O pensamento que deve nortear o homem público – e também o cidadão - em tempos de uma das maiores crises sanitárias da humanidade não pode ser o dele próprio, mas, tão somente, o da ciência. 

Na Bahia, os que vivem da cultura e do turismo estão passando necessidades. É muito triste ver bares, restaurantes, salões e lojas cerrarem as suas portas, mas, tenho certeza, é muito mais doloroso ouvir uma pessoa dizer que seu pai, mãe, filho, irmão ou avô morreu na porta de um hospital por falta de atendimento. A economia se reconstrói, inclusive com o apoio do Estado; a vida, não.  

*Adolfo Menezes é economista e presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba)

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