João Doria vence as prévias do PSDB

Publicado segunda-feira, 29 de novembro de 2021 às 06:00 h | Atualizado em 28/11/2021, 17:20 | Autor: Cláudio André de Souza*

O PSDB encerrou suas prévias de definição do seu candidato a presidente para 2022 em um clima com acusações e baixarias, que dificultou sintetizar uma breve reflexão sobre o saldo dos tucanos diante da Lava Jato e da ascensão do bolsonarismo no país, que levou o partido a quase sumir do mapa eleitoral.

A crise do PSDB veio com o fim da polarização com o PT em 2018 e que tende a não existir em 2022. As eleições passadas cristalizaram o fracasso do partido no sul e no sudeste, bases eleitorais tucanas nas últimas décadas e que foram tomadas por Bolsonaro. Em 2014, Aécio Neves, o candidato do PSDB, obteve no primeiro turno 39,75% de votos em Minas Gerais, 26,93% no Rio de Janeiro e 44,22% em São Paulo.

Em 2018, Geraldo Alckmin e o PSDB deram lugar à segunda via para Bolsonaro acompanhada de traições a céu aberto, já que lideranças aliadas pelo país afora fizeram “corpo mole” na campanha do tucano. Em Salvador, o prefeito ACM Neto (DEM) obteve em 2016, 73,99% dos votos na capital baiana, mas só chegaram nas urnas para Alckmin pífios 2,08%, menos que a votação do tucano em toda a Bahia (2,35%), quase empatando com o pitoresco Cabo Daciolo (1,88%).

No Rio de Janeiro não foi diferente, o bispo Marcelo Crivella era outro prefeito de um partido coligado do PSDB, o PRB (atual Republicanos). Em 2016, o então Senador carioca ganhou no segundo turno com 59,36%, mas o que entrou na urna em 2018 na capital fluminense para Alckmin foram apenas 2,07% dos votos, perdendo vergonhosamente para João Amoêdo (Novo), que obteve 2,24%.

Apoiado por oito partidos - DEM, PP, PR (atual PL), PRB, SD, PTB, PSD e PPS (atual Cidadania) – a força do bolsonarismo arrastou os tucanos para o buraco, sendo que o próprio partido aderiu a Bolsonaro no segundo turno enquanto um reflexo imediato do fisiologismo de feudos regionais que olharam para o próprio umbigo, sem pensar em um projeto nacional a médio prazo.

A vitória de João Doria em 2018 ao governo paulista foi decidida, inclusive, no oportunismo do apoio informal de Doria a Bolsonaro, conhecido como “BolsoDoria”. Ali, já se sabia que Doria intencionava ser candidato a presidente, independente das circunstâncias da conjuntura, mas precisava gabaritar na sua carreira uma vitória no maior colégio eleitoral do país, mesmo que traísse Alckmin, o seu padrinho político desde a candidatura a prefeito em 2016.

Ao vencer as prévias tucanas com 53,99%, Doria precisará de antemão unir o seu partido. Depois, será obrigado a fabricar alianças e apoios que o tirem da quarta via, obrigando-o a ter que aumentar os ataques a Moro e a Bolsonaro. A lição de casa passa pela busca de intenção de voto dentro do seu estado, lembrando que São Paulo representa 21,77% do eleitorado brasileiro. Não será fácil.

*Cláudio André de Souza é professor Adjunto de Ciência Política da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB) e um dos organizadores do “Dicionário das Eleições” (Juruá, 2020).

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