Caldeirão de aço - Difícil de imaginar

Publicado sábado, 12 de março de 2022 às 06:00 h | Atualizado em 11/03/2022, 18:48 | Autor: Leandro Silva | Jornalista | [email protected]
A renovação com Rodallega foi uma das melhores notícias sobre 
o Bahia em 
muito tempo
A renovação com Rodallega foi uma das melhores notícias sobre o Bahia em muito tempo -

Mesmo com o rebaixamento do ano passado, era difícil imaginar, até para os mais pessimistas, que o Bahia chegasse a essa situação tão complicada nas duas competições que está disputando. No Baiano, com possibilidade mínima de classificação e correndo risco de rebaixamento, com a mesma pontuação do lanterna, e no Nordeste, sem depender mais apenas das próprias forças para passar de fase. Se a preocupação com o clube já era grande, aumentou demais. 

Ainda no final de 2021, quando foi anunciada uma grande debandada no elenco, externei a minha tristeza e preocupação com os rumos que estavam sendo tomados pelo clube. O medo era de que a tentativa de consertar, que era mais do que necessária, pudesse piorar a situação. Isso porque um dos principais problemas históricos da atual gestão parece estar concentrado na identificação e correção dos problemas no futebol. Justamente por isso, acredito que, em linhas gerais, 2021 foi inferior a 2020, que foi pior que 2019, que já tinha ficado aquém de 2018.  

Em 2019, depois de excelente primeiro turno no Brasileiro, o time teve uma queda enorme de desempenho no segundo turno, naquela que foi a única edição até hoje do Brasileiro por pontos corridos em que o Tricolor não correu risco de rebaixamento em nenhum momento. O diagnóstico parece ter sido o de que a fórmula do time rápido, de contra-ataques certeiros, tinha se esgotado e era preciso mudar o perfil para uma equipe de maior posse de bola. O time perdeu a maior força do ano anterior, principalmente com a velocidade de Artur e Élber, e não ganhou nada em troca até hoje. Já em 2020, escapando do rebaixamento apenas no fim, o vilão apontado foi o perfil de contratações de jogadores de nome, principalmente pelo exemplo de Clayson, que não deu certo. O resultado foi uma mudança brusca no modelo de contratações para 2021, que impactou no desequilíbrio do elenco,  ainda a ser consertado. 

A luta agora é para que 2022 mude essa lógica. E torço para que seja, de longe, o melhor ano da gestão. Mas é inegável o medo com relação ao diagnóstico sobre o que pode ter levado o time à Série B e o que tem sido feito para tentar mudar. A interpretação de que um dos problemas era um suposto excesso de jogadores técnicos, por exemplo, é perigosíssima. Dá para ser técnico e vibrante ao mesmo tempo. O próprio Rodallega é um excelente exemplo desse equilíbrio.  

A renovação com o colombiano anunciada durante essa semana, inclusive, foi uma das melhores notícias concretas relacionadas ao Bahia em muito tempo. Ponto fora da curva nas atuações atuais, ele tem tudo para ser fundamental no Brasileiro.  

Ele é também a principal esperança para o jogo de hoje, contra o líder do estadual, Jacuipense, que marca o início da missão de tentar se classificar no Baiano. Se passar de fase é tão difícil, o jogo é importante também na luta contra o outrora inimaginável rebaixamento no estadual. Na próxima quarta, o encerramento da primeira fase será contra o Vitória da Conquista. 

Se o cenário imediato é terrível, um pronunciamento específico e mais concreto do presidente durante a semana, a respeito da possibilidade real da criação da SAF, acende uma luz para o futuro. Se as informações mais atuais a respeito do suposto interesse do grupo City estiverem corretas e o grupo realmente tiver a intenção de mudar as perspectivas do Esquadrão, vejo com bons olhos e imagino que seja uma oportunidade que não deve ser desperdiçada. Desde que seja protegida a identidade e a história, preservando nome, distintivo, padrões e o azul, vermelho e branco.   

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