Caldeirão de aço - Sinal de alerta

Publicado quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022 às 06:01 h | Atualizado em 10/02/2022, 12:28 | Autor: Leandro Silva | Jornalista | [email protected]

A derrota de ontem para o Barcelona de Ilhéus, na Fonte Nova, escancara a crise que envolve o futebol do Bahia, que segue de fora do G4 do Baiano com mais da metade da primeira fase já concluída, e com apenas um triunfo, correndo sérios riscos de ficar de fora da fase final da competição. A derrota na partida anterior, contra o Atlético de Alagoinhas, pela Copa do Nordeste, e o empate na rodada passada do Baiano, contra o Vitória, já tinham ligado o sinal de alerta, que se intensificou ontem, para uma torcida que ainda está machucada pelo rebaixamento ocorrido na temporada de 2021. Para piorar, embora ainda sejam poucos jogos disputados pela equipe principal, ao invés de evolução, o que está se vendo é um declínio no comportamento do time. A displicência e a aparente tranquilidade exagerada, mesmo quando as coisas não estão dando certo, completam o combo que deixa a torcida revoltada. 

E o presidente prometeu um perfil diferente, mais vibrante, mas por enquanto parece estar restrito ao discurso. A tal apatia já parece algo institucional ou estrutural. Espero que a corda não arrebente logo para o treinador. Ainda acredito na capacidade de Guto Ferreira de consertar o que está sendo visto, desde que ele tenha material de qualidade para fazer tal reforma. Quando o Bahia resolveu abrir mão de algumas peças que se salvavam no elenco do ano passado, com a justificativa de readequação financeira, chamei a atenção para o risco de que o barato pudesse sair bem caro. Seja por não alcançar resultados e objetivos ou mesmo por ter que correr para contratar, no desespero, pagando valores ainda mais altos. 

A diretoria, tão criticada, de maneira justa, por contratações ruins, que levaram o time à atual situação, não sabe nem capitalizar os acertos durante esse período conturbado. Quando consegue descobrir talentos como os de Juan Ramírez, para a equipe principal, e Raí Soares, para a base, parece não acreditar no próprio mérito em descobri-los e julga não valer o esforço pelas permanências.    

Inícios de trabalho irregulares, ou mesmo ruins, são comuns até em times que já vêm de temporada anterior vencedora. Imagine, então, para um clube que acaba de cair de divisão e ainda está em processo de reconstrução, de se acostumar com uma realidade diferente. É preciso saber passar por essa turbulência sem causar estragos ainda maiores. A razão até ajuda a pensar dessa maneira, mas é difícil cobrar paciência de uma torcida escaldada pelos insucessos consecutivos. Deveria ser cedo para desespero, mas os maus exemplos da temporada 2021 já assustam.  

São cinco jogos disputados com a equipe principal, com dois triunfos, um empate e duas derrotas, nessa ordem. E a escalação variou bastante. Apenas Danilo Fernandes e Raí começaram jogando em todos os compromissos. Ao todo, 20 jogadores já começaram jogando. Danilo (5), Jonathan (3), Luiz Otávio (4), Gustavo Henrique (3), Djalma (4), Patrick (3), Rezende (4), Daniel (4), Marco Antônio (4), Raí (5), Rodallega (2), Borel (2), Ignácio (2), Henrique (1), Matheus Bahia (1), William Maranhão (2), Miqueias (1), Cirino (2), Ronaldo (2) e Marcelo Ryan (1). 

Dos seis contratados para a atual temporada, o que mais tem me agradado é justamente aquele que não começou nenhuma partida com a equipe principal. O lateral-esquerdo Luiz Henrique, que tem atuado fora da posição para a qual foi anunciado. Sempre mais avançado, seja pela ponta esquerda ou pela direita. Mesmo na derrota do final de semana, pelo Nordeste, para o Atlético de Alagoinhas, ele se destacou, com muita velocidade, criando boas oportunidades, que foram desperdiçadas. Demonstra incômodo com os maus resultados. Deveria ser regra, mas tem sido exceção. Que contagie o conjunto.

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