Rui, Neto e o momento único de Salvador, entre beliscões e afagos

Publicado quinta-feira, 28 de novembro de 2019 às 06:00 h | Atualizado em 27/11/2019, 21:39 | Autor: [email protected]

No meio da agonia gerada pelo dilúvio que se abateu sobre Salvador anteontem, Rui Costa ligou para ACM Neto a fim de disponibilizar o aparato governamental para ajudar, como Corpo de Bombeiros, PM e afins. Polidamente, Neto agradeceu. Mas disse que ia fazer de tudo para não precisar. E não precisou.

Gesto civilizado da parte do governador. Afinal, os dois são adversários e na convivência de ambos há muita troca de beliscões, cotoveladas e solavancos. Mas tudo indica que as gentilezas, raras entre os dois, ficam por aí mesmo.

2020 — Neto é um prefeito bem avaliado e se reelegeu em 2016 com mais de 70% dos votos. Rui também se reelegeu ano passado com mais de 70% dos votos soteropolitanos. Os dois vão bem em Salvador, a capital da Bahia, num momento único em que é bem tratada por contrários, aprova ambos.

No duelo de 2020 na disputa pela capital, para Neto tocar a vida rumo a um futuro de possibilidades competitivas, é fundamental vencer em Salvador. Rui, no sentido oposto, tudo o que mais gostaria é de derrotá-lo.

Os dois serão os grandes cabos eleitorais de 2020 em Salvador. E é aí que entra uma grande questão: os soteropolitanos estão adorando a briga, porque ganham dos dois lados, e como vão se comportar em um páreo em que os dois não estarão candidatos?

A conferir, se é melhor apostar na briga dos bons frutos ou ver a gostosura do momento vencer a validade.

Era uma vez nos Correios

Chefe da assessoria de imprensa da Assembleia, o jornalista Paulo Bina recebeu do presidente da Câmara de Salvador, Geraldo Júnior, um convite para a solenidade de entrega do título de Cidadão de Salvador ao também jornalista Valter Lessa Pontes. 

O convite foi postado nos Correios em 24 de outubro, a solenidade aconteceria dia 19 último, mas a correspondência só chegou dia 26. Restou o chororô:

– Eu gostaria de ter ido...

Central quer voltar ao sisal

Leo Santana, ex-prefeito de Central, região de Irecê, vai fazer amanhã um seminário com agricultores locais para tentar retomar uma velha história, a cultura do sisal.

Ele conta que lá antigamente era sisal, depois mudou para feijão, milho e mamona e agora, por conta da água pouca, ficou sem nada.

– Lá hoje a situação é triste. Infelizmente só produzimos Bolsa Família.

Segundo Leo, sisal com caprinos e ovinos é a saída.

Targino e o santo forte

A bancada da oposição não apareceu na CCJ anteontem na chuvarada e viu três contas de Rui Costa serem aprovadas; à tarde, em plenário, foi a oposição quem surfou. Faltaram dois governistas e não teve quórum. Ontem no restaurante a deputada Ivana Bastos (PP) dizia para Targino Machado (DEM), líder da oposição.

– Fui embora porque pensei que não ia ter votação.

– Meu santo é forte. É pai Alfredo, de Salvador, com ramificações em Salinas.

Embaixador diz que nada acaba o amor Cuba-Brasil

De passagem por Salvador, onde veio em missão oficial para reforçar as relações de amizade com a Bahia e ver formas de ampliar o intercâmbio cultural e comercial, o embaixador de Cuba no Brasil, Rolando Gomez Gonzalez, disse que na era Bolsonaro o retrocesso nas relações entre os dois países foi grande, algo nunca visto:

– Nem com José Sarney, nem Fernando Collor, nem Fernando Henrique. O Brasil eliminou o financiamento a exportadores brasileiros que vendem a Cuba. Isso nunca existiu.

Ele lembrou que na ONU 137 países votaram contra o embargo comercial a Cuba, só os EUA e o Brasil (além de Israel) ficaram a favor.

– Não nos subordinamos. E nenhum governo vai acabar com o amor entre Cuba e Brasil.

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