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Estrago da Lava Jato criou beco sem saída

Publicado domingo, 24 de maio de 2015 às 10:00 h | Atualizado em 19/11/2021, 06:50 | Autor: Levi Vasconcelos, com Luiz Fernando Lima l l [email protected]
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De coração ou por conveniência (jogo para a plateia), todos defendem a rigorosa punição dos ladrões da Petrobras, empresários ou políticos.Mas neste cenário, de roubalheira monumental (Ali Babá e seus 40 virou conto de fadas), o que fazer para tocar a vida, se as grandes empreiteiras com os contratos que até o ano passado faziam a economia pulsar, estão meladas ou contaminadas?

Também é consenso que nossas meladas empreiteiras têm um expetise, um cabedal tecnológico acumulado, que não há como substituí-las e nem adotar a burra idéia de importar estrangeiras com as quais elas competem e ganham.

Rui Costa, o governador baiano, defende que se crie mecanismos para incriminar os responsáveis sem penalizar o conjunto, como vem ocorrendo agora.

Miguel Rosseto, o ministro da Casa Civil da Presidência, diz que tudo vai se resolver logo, logo. Mas não fala como.

Antonio Imbassahy (PSDB), vice-presidente da CPI da Petrobras, diz que é uma situação nova, da qual ninguém sabe como sair. E esse é o desafio do momento.

E é. Apesar do otimismo de Miguel Rosseto, o beco continua sem saída.

Sem bola de cristal —Até quando a economia baiana vai aguentar paralisação gerada pela Lava Jato? Com a palavra, o presidente da Fieb, Ricaro Alban:

— Eu não tenho bola de cristal. O que posso garantir com certeza é que a situação de agora já é emergencial.

SOS Enseada — Amanhã (13h30) Alban vai se reunir com a bancada federal baiana (os 39 deputados e três senadores foram convidados) na Fieb.

Vai pedir o apoio de todos para destravar o estaleiro Enseada do Paraguaçu, em Maragogipe, cuja paralisação custou até agora sete mil empregos.

Dose para Alan

O secretário Josias Gomes (Relações Institucionais) promete calar o deputado Alan Sanches (PSD), um dos mais indóceis entre os governistas da Assembleia, com remédio.

Promete que a diretoria que o deputado postula na Bahiafarma vai sair logo.

Resta saber se a dose é suficiente.

Bola cheia

Enquanto o reitor da UFBa, João Carlos Salles, chora por conta de um déficit de R$ 25 milhões, o reitor da UFSB (Universidade Federal do Sul da Bahia) está com a bola toda.

O ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, citou a UFABC (Universidade Federal do ABC) e a UFSB como exemplos de bacharelados interdisciplinares no painel de Educação do Fórum Mundial da Unesco, realizado em Incheon, na Coreia do Sul.

De Le a Vasco Neto

A promessa do primeiro-ministro chinês Li Keqiang e financiar a ligação ferroviária entre os oceanos Atlântico e Pacífico, do Rio até o Peru, ao custo de US$ 53 bilhões é coisa velha com novo traçado.

O engenheiro Vasco Neto, lá no fim dos anos 1940, chegou a traçar o roteiro da ligação entre Campinho, em Maraú, a Iquitos, no Peru. O porto, em Campinho, chegou a começar e parou. Está lá pela metade.

Vasco dizia que a obra não sairia:

— Os EUA não deixam, não financiam. Têm medo dos tigres asiáticos.

Gol contra —O ex-deputado Eujácio Simões vai além. Diz que a nova ferrovia, se sair, mata a Fiol, já em andamento (que segue o traçado de Vasco Neto).

— Duas ferrovias paralelas uma a outra, uma das duas morre, não tem jeito. A nova é um gol contra a Bahia.

A chikungunya agradece

O estoque do larvicida usado na prevenção e eliminação do aedes aegypti, o condutor da dengue, chikungunya e a febre zika terminou sexta em Feira de Santana.

Sem previsão para a recomposição do estoque, a Prefeitura vai atuar apenas no campo da conscientização.

A população está injuriada. Foi em Feira que a chikungunya começou no Brasil.

Nem tico nem taco

O governo baiano está em vias de perder um empréstimo de US$ 86,7 milhões de empréstimo já autorizado pelo Bird para aplicar no turismo náutico da Baía de Todos os Santos. O dinheiro já foi liberado desde o início de 2014, mas de última hora resolveram incluir no pacote a recuperação das orlas de Ilhéus e Itacaré.

Resultado: o Bird disse não. Está nisso: nem BTS, nem Ilhéus, nem Itacaré..

POUCAS & BOAS

O secretário Eugênio Splenger (Meio Ambiente) realiza audiências públicas a partir de amanhã em Boquira, Rio do Pires, Érico Cardoso e Paramirim. Vai 'vender' o projeto que tira água da Barragem do Zabumbão para mais seis municípios, motivo de muita reação.

Moradores do povoado de Fazenda Paraíso, ou Tabuleiro de Buracica, em Terra Nova, estão comendo o pão que o diabo amassou nestes dias chuvosos. Água tem, da chuva. E lama. Mas nas torneiras, necas. A bomba do poço que abastece o sistema quebrou e a Prefeitura diz que não tem R$ 5 mil para consertar.

POLÍTICA COM VATAPÁ

Fora de risco

Paulo Segundo (que foi para o céu na semana passada, e esta é uma homenagem a ele), o engenheiro que produziu Octávio Mangabeira, democrata irredutível, a melhor obra biográfica sobre a trajetória do ex-governador baiano, contava que o velho Mangaba (como o chamavam os mais chegados), em fim de governo, foi abordado por uma senhora idosa, já anciã.

— Dr. Octávio, quem o senhor pensa em apoiar para candidato ao governo?

-— Temos vários nomes, minha querida. Mas ainda não me decidi por nenhum.

— Mas me disseram que pode ser o Tarsylo Vieira de Melo.

— É um dos nomes, pode ser ele, mas ainda não decidi.

— Mas o Tarsylo tem um problema sério, Dr. Octávio. É muito mulherengo...

E Octávio, que era chamado o filósofo da baianidade, estrilou o seu bom humor:

— Oh, minha linda, fique tranquila. Pessoas da nossa idade estão fora de risco.

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