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Rock Concha reúne atrações nacionais e locais em Salvador

Publicado sexta-feira, 22 de novembro de 2013 às 06:24 h | Atualizado em 22/01/2021, 00:00 | Autor: Chico Castro Jr.
Tulipa Ruiz
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Realizado pela primeira vez em 1989 e de novo em 1990, o festival Rock Concha ficou mais de vinte anos fora do ar. Até voltar em 2012. Nesta sexta-feira, 22, inicia sua segunda edição pós-retorno.

O esquema é o mesmo: duas bandas por dia (uma atração nacional e outra local), durante três dias. "Nesse segundo ano, buscamos trazer bandas que fossem de menor investimento e demos uma misturada", afirma a idealizadora do Rock Concha, a produtora Irá Carvalho.

"Com Tulipa Ruiz, Teatro Mágico e Raimundos, mais Maglore, Scambo e Pirigulino Babilake, achamos que não ficou aquela coisa tão segmentada. Até por que atrair o mesmo público para três dias seguidos de shows na Concha seria bem mais difícil", reflete.

Criado em 1989, quando o dito BRock começava a sucumbir à própria indulgência e à ascensão do sertanejo, o Rock Concha trouxe, em suas primeiras edições, os maiores nomes daquela geração: Paralamas, Marina, Capital Inicial, Ira!, Titãs e Kid Abelha, entre outros.

Imagem ilustrativa da imagem Rock Concha reúne atrações nacionais e locais em Salvador

Scambo faz músicas do último CD, o Flare (2012), mais algumas antigas (Divulgação)

"Era a geração que estava no auge", lembra Irá. "Mas aí veio o boom da axé music e essas bandas perderam muito do apelo. Continuamos produzindo alguns shows, mas não festivais de três dias como o Rock Concha", diz.

No ano passado, Irá ressuscitou o festival, misturando em seu cast nomes consagrados do passado (Titãs) e do presente (Pity, com o Agridoce). "O primeiro ano foi bacana, apesar de que o comparecimento do público não foi isso tudo", vê.

"O projeto que estamos fazendo esse ano é para consolidar o evento, reacender esse mercado. É difícil. Você tem que tentar atrair o público, abrangendo vários estilos", diz Irá.

A verdade é que a escalação, incluindo as bandas baianas, reflete bem o atual espírito do rock nacional pós-Los Hermanos. Para o bem ou para o mal - sem juízo de valor aqui -, o namoro com uma certa estética mpbista ortodoxa, iniciada pelos barbudos cariocas, suprimiu a velha prevenção que o rock brasileiro tinha de se aproximar da MPB pós-tropicalista.

O resultado são bandas que ostentam, orgulhosas, influências tanto de Pearl Jam, quanto de Caetano Veloso. Não à toa, das seis atrações do Rock Concha 2013, cinco compartilham dessa nova atitude, cada qual à sua própria maneira. A exceção é o Raimundos, banda pré-Los Hermanos.

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Teatro Mágico mistura MPB acústica com estilo circense (Divulgação)

Prova de como essa nova/velha estética se estabeleceu. Há quem ache que isto representa um amadurecimento. Já outros chamam esta nova geração de "MPB Universitária". Vai do gosto do freguês.

Inventando Moda

Provavelmente a maior atração nacional do festival, a cantora paulista Tulipa Ruiz volta à cidade após o belo show de abertura da turnê Tudo Tanto no Teatro Castro Alves, em 2012.

"Estamos bem no meio  da turnê que estreou aí na Bahia", diz Tulipa, por telefone. "Além das músicas do Tudo Tanto, devemos fazer algumas do Efêmera (2010) também. E com certeza, vamos tocar Inventando Moda, do Magary, que eu conheci aí no Carnaval e sou apaixonada", adianta.

Com o disco de vinil do Tudo Tanto recém-chegado às lojas, Tulipa prevê que só deverá lançar novo álbum de inéditas lá para 2015. "Em 2014, eu quero fazer muito videoclipe e um registro ao vivo. Ainda não tenho DVD, então preciso fazer. Disco novo fica para 2015", diz.

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Raimundos devem quebrar tudo com seus antigos sucessos, além dos novos (Divulgação)

Atração local que nada deve às nacionais - inclusive em popularidade -, a Scambo acredita que esta é uma boa oportunidade: "Até para os empresários verem que o dito 'alternativo' não é mais alternativo  há tempos",  diz Pedro Pondé, voz.

"A Concha é ideal para mostrar que temos público, que estamos acontecendo, somos viáveis e profissionais", demarca. 

Opinião compartilhada por Pietro, voz da Pirigulino Babilake: "O festival  nos leva a outro patamar, de tocar em palcos maiores. Aí vislumbramos a possibilidade de interagir com um mercado mais profissional".

"Só esperamos  que tenha continuidade", conclui Pietro.

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