Samba e música instrumental voltam aos largos Pedro Archanjo e Quincas Berro D’Água

Publicado sexta-feira, 03 de dezembro de 2021 às 06:05 h | Atualizado em 02/12/2021, 23:27 | Autor: Chico Castro Jr.*

Um dos maiores redutos da baianidade em todas as suas dimensões, o Pelourinho volta a receber shows e apresentações artísticas em seus largos e praças a partir desta sexta-feira, 3, para alegria de todos – público, comerciantes do local, artistas.

Claro que não é um liberou geral, que a pandemia ainda não acabou e tem uma tal de ômicron só nos esperando ali na esquina entre 2021 e 22. Mas por agora, vale uma alegriazinha de curtir um samba no solo sagrado do Pelô – de máscara na cara, álcool gel nas mãos e atenção às aglomerações.

Desta sexta até domingo, 5, os Largos Pedro Archanjo e Quincas Berro D’água (pelo visto, a Teresa Batista fica para as próximas) receberão oito shows gratuitos de música popular de primeira qualidade, todos entre o samba e a música instrumental. Quem terá a honra de inaugurar esta volta, com todo merecimento, é o sambista Walmir Lima, 90 anos, um dos últimos bastiões do gênero na Bahia e representante da insuperável geração de Batatinha, Riachão, Ederaldo Gentil e Edil Pacheco (este último, felizmente, ainda bem vivo também).

Walmir se apresenta nesta sexta, 19h, no Pedro Archanjo. No mesmo horário, o guitarrista (virtuose da guitarra baiana) Parah Monteiro leva o som dos antigos carnavais pré-axé music ao Largo Quincas Berro D’Água. No sábado, a programação dobra, com duas atrações por dia em cada largo. No Largo Pedro Archanjo tem o grupo Sangue Brasileiro (16h), seguido de outra lenda viva do samba na Bahia, dona Gal do Beco (18h30).

O samba segue em alta rotação nestes mesmos horários no Largo Quincas Berro D’Água, com os grupos Salada Mista (16h) e Conexão Negra (18h30). Já o domingo será do mais sofisticado dos gêneros musicais genuinamente brasileiros: o choro, com Os Ingênuos (16h) no Largo Pedro Archanjo e o Grupo Casa 4, mesmo horário, no Quincas Berro D’Água. Só alegria.

"O Pelourinho, a Secretaria de Cultura do estado está me proporcionando esta alegria de voltar ao palco", comemora seu Walmir ao telefone. "Vai ser uma festa bonita, chamo todos para ir lá hoje (sexta-feira), vai lá que eu quero te dar um beijo na testa", anima-se o venerável mestre popular.

Acompanhado de sua banda e sua filha, a tambem cantora Gabriela Lima, Walmir promete muita alegria e balanço para exorcizar o vírus da tristeza pra bem longe. "Eu tô bem feliz. 90 anos não são 90 dias, e toda minha vida foi dedicada ao samba. Sou filho de Santo Amaro e de Mar Grande. Meus avós eram santo amarenses e eu fiz uma música nova com Edil Pacheco para homenagear a cidade: Santo Amaro é uma flor", conta.

"(No show) Vou cantar meu repertório mesmo, aquela coisa que todo mundo já conhece. Canto minhas músicas com meus parceiros para reviver meu trabalho. E quero agradecer de todo coração o que a imprensa fez e faz em prol da minha carreira", agradece Walmir, como se precisasse.

Reavaliação constante

Diretor do Centro de Culturas Populares e Identitárias, órgão da SecultBA, André Reis conta que essa reabertura foi cuidadosamente pensada e discutida, a fim de que a segurança fosse o principal critério na ação da retomada.

"Já recebemos programação em novembro com a Flipelô e com cautela retomaremos aos poucos a nossa programação. O diálogo sempre houve. A reabertura vem após meses de conversas, consultas a diversas instâncias e preparação para que essa retomada se dê da forma mais segura possível", conta.

E para quem planeja comparecer a algum show nos largos neste fim de semana ou nos próximos, vale o lembrete: sem comprovante de vacinação, nada feito. "Faremos controle de acesso na entrada dos largos. Para ter acesso é necessário comprovar duas doses da vacina ou dose única, para o público geral, a depender do imunizante utilizado. Será exigida a terceira dose ou reforço da vacina para o público alcançado por esta etapa da Campanha de Imunização contra a Covid, conforme os decretos estaduais. Cabe-nos orientar e, para isso, temos fixadas na entrada de cada largo as orientações vigentes de prevenção ao Coronavírus", detalha André.

Infelizmente, neste momento do mundo e da humanidade, cada dia é uma batalha e a reavaliação é uma constante, de tal forma que a continuidade da programação cultural dos largos dos Pelô depende, como tudo mais, da evolução do combate à pandemia. "Nossa avaliação acontecerá passo a passo. É um momento muito aguardado pelos artistas, que têm o Pelourinho como uma vitrine cultural, e para o público, que também sentiu muita falta de estar nesses locais. Mas, nossa prioridade é manter a segurança de todos, observando o cumprimento dos protocolos sanitários e decretos existentes no estado e no município", observa.

"A programação está constante construção e reconstrução, temos previsão de mais shows, mas claro que tudo será observado. A agenda é amplamente divulgada semanalmente", conclui André.

*Colaborou João Gabriel Veiga

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