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Vídeos produzidos em sites revisam linguagem televisiva

Publicado sexta-feira, 25 de janeiro de 2013 às 23:09 h | Atualizado em 25/01/2013, 23:11 | Autor: Eron Rezende
Série House Of Cards
Série House Of Cards -
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Quando a internet se popularizou, a pergunta era se alguém ainda precisaria de produtores de vídeo profissionais - afinal, qualquer um pode ser emissor do seu material. A resposta veio, puxada pelo aumento da concorrência entre os sites de venda de vídeos. No último ano, Netflix, YouTube, Hulu e Amazon passaram a investir em conteúdo original, muitos deles em parceria com profissionais de Hollywood e da TV americana.

O aumento na arrecadação publicitária explica a iniciativa: os anúncios que acompanham vídeos online renderam US$ 2,7 bilhões nos EUA em 2011 e espera-se US$ 3,5 bilhões para este ano.

São números animadores, mas as empresas sabem que o potencial é maior. A publicidade na TV tradicional, por exemplo, gerou US$ 60 bilhões em 2011. Os dados são da empresa americana de medição de audiência Nielsen.

Lançamentos - Atento à fatia disponível, o Hulu, site mantido pela Disney, NBC e Fox, lançou cinco séries no último ano e planeja para 2013 a estreia de The Awesomes, animação que reúne super-heróis em luta contra o crime, criação do comediante Seth Meyers, do programa Saturday Night Live.

O Yahoo lançou em julho de 2012 Electric City, criada e dirigida por Tom Hanks, estreia do portal de buscas na produção dramática. A Amazon, por meio de sua divisão Studios, está em processo de seleção de roteiros e ideias para séries.

O Netflix, líder no mercado de vendas de vídeo, com 31 milhões de usuários em todo o mundo, tem engatado para 2013 quatro títulos, entre eles a série House of Cards, drama político protagonizado por Kevin Spacey e dirigido por David Fincher. Todos os 13 episódios da primeira temporada estarão disponíveis para os assinantes do serviço a partir de 1º de fevereiro.

"É uma série que tem características de sucesso já testadas por grandes emissoras, com ganchos ligando as diversas partes", diz Joris Evers, diretor de comunicação do Netflix. "Mas, ao contrário da TV, que trabalha com uma grade de programação, a internet possibilita um consumo ativo, por meio de hiperlinks".

Evers menciona o sistema de recomendação do site, que indica programas baseados nos hábitos de consumo. "Esse é o tipo de informação que a transmissão tradicional não possibilita e que está conectada com um novo tipo de consumidor", diz ele, referindo-se às recentes pesquisas divulgadas pela Nielsen, que apontaram o perfil interativo e multimodal do público - 74% dos usuários conectados à internet em 56 países assistem a vídeos em tablets, PCs e celulares; 80% dizem que o consumo de vídeos na TV tradicional e nos gadgets acontece com frequência semelhante.

"Há uma revisão no conceito de TV: não estamos mais falando do aparelho em si, mas de uma cultura que pode ser acessada por diferentes canais", afirma Tereza Barcellos, do Departamento de Comunicação da UFRJ. "Essa realidade não põe fim à TV tradicional, mas a obriga a aprimorar sua linguagem".

Web - Para o pesquisador Ricardo Machado, da Escola de Comunicação e Artes da USP, as emissoras de TV devem encarar como essencial a presença na internet, seja produzindo narrativa transmídia (que se desenrola por meio de múltiplos meios) ou facilitando a integração com conteúdos disponibilizados em diversas plataformas.

"As empresas tradicionais precisam entender que só perderão audiência se não captarem essa relação sinérgica do público; não há concorrência, mas possibilidade de ampliação. Por outro lado, as empresas de medição precisam oferecer maneiras de dimensionar a audiência do conteúdo disponibilizado por essas TVs na internet".

Machado cita como exemplo o caso de Avenida Brasil. Em seu último mês de exibição, a novela da TV Globo teve mais de 93 milhões de requisições de vídeos na internet. No último capítulo, foram 6,6 milhões de vídeos requisitados no portal Globo.com. Embora significativos,  esses índices não foram computados na medição aferida pelo Ibope sobre a novela.

Não à toa, o próprio Ibope anunciou que já está estudando o uso de uma ferramenta para medir audiência focada no conteúdo, independente da forma como ele é consumido e da plataforma utilizada. O nome provisório do projeto, previsto para ser lançado no primeiro semestre de 2014, é 3 Telas, referência ao aparelho de TV e às telas do computador, tablets e smartphones.

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