Do mais velho ao mais novo, A TARDE faz história entre seus colaboradores

Publicado domingo, 13 de outubro de 2019 às 07:36 h | Atualizado em 21/01/2021, 00:00 | Autor: Natália Figueiredo e Bianca Carneiro* | Fotos: Adilton Venegeroles e Luciano da Matta | Ag A TARDE

Pelo menos 107 anos da história da Bahia já foram registrados nas páginas do Jornal A TARDE, número que marca o aniversário do periódico, comemorado nesta terça-feira, 15. Do industrial à redação, para alcançar essa marca centenária, o Grupo A TARDE conta com muitos colaboradores que diariamente trabalham para dar vida ao impresso.

Era 1º de abril de 1978, um sábado, quando Waldir Ferreira teve o seu primeiro dia de trabalho no centenário. De lá para cá, 41 anos depois, o senhor de 57 anos continua escrevendo sua própria história em meio às memórias do próprio Jornal, no Centro de Documentação (Cedoc). Dedicado a preservação e arquivamento de todo o material publicado, o auxiliar de arquivo começou cedo, aos 16 anos de idade, neste que é o seu primeiro e único emprego.

“Foi num sábado, a partir das 11h da manhã, quando estava começando o jornal dominical. Entrei exercendo a função de “boy” que faz serviço interno e trabalha na redação, era quando estava saindo da era dos linotipos, o jornal ainda era artesanal. Quase um ano depois, fui transferido para o arquivo, de lá pra cá busquei me aperfeiçoar, com um curso de protocolista e arquivista, e estou aqui até hoje”, lembra Waldir.

Mais de quatro décadas separam o funcionário mais antigo do mais novo da casa, o estagiário Bruno Brito, de 22 anos, que assim como Waldir, escreve a primeira linha da história da sua carreira profissional nas páginas do Jornal A TARDE. Na redação há menos de um mês o estudante de jornalismo da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) conta que não tinha muitas esperanças em ser contratado por um veículo tão renomado.

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Estagiário Bruno Brito ficou surpreso ao saber que foi selecionado para integrar o Grupo A TARDE (Foto: Luciano da Matta | Ag. A TARDE)

“De início eu não acreditei muito. Passei na primeira etapa, depois na segunda e recebi a ligação confirmando que fui selecionado. Eu fiquei muito feliz, o Jornal A TARDE é uma referência na Bahia, nada melhor do que ter no currículo uma passagem por aqui”, diz Bruno.

Histórias que marcam

Apesar da diferença etária e profissional, Bruno e Waldir compartilham o fato de terem vivido grandes momentos em suas respectivas trajetórias no A TARDE. Para um estudante de jornalismo, uma das maiores conquistas é ver seu nome e seu texto publicado e Bruno já pôde sentir essa emoção.”Ver o meu primeiro texto publicado no Jornal me deixou muito feliz. Minha vó que me ligou dizendo que minha matéria estava lá, nem acreditei, corri para ver a edição digital e fiquei uns 30 minutos lendo e relendo tentando acreditar”.

Para Waldir é difícil escolher um único momento marcante. “São tantos que a gente até esquece. Por exemplo, a visita de Irmã Dulce era bem constante e eu era uma das pessoas que recebia ela. Até hoje, muitas autoridades políticas vêm aqui. Mas já vi de tudo, certa vez uma dona disse que tinha sido chamada de ladra e veio tentar apagar o jornal, o difícil foi convencê-la que no arquivo tinha apenas um exemplar de muitos que já haviam circulado”, brinca.

Quando se trata de Irmã Dulce, Bruno também guarda uma importante lembrança. “A matéria que mais gostei de fazer e talvez tenha sido meu momento mais marcante no A TARDE, até agora, foi a ida às Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), nunca tinha ido. Apesar do pouco tempo foi algo que o jornalismo me proporcionou e com certeza é algo que eu vou guardar”.

Entrega

Mesmo passando a maior parte do tempo em contato com enormes fileiras de arquivos antigos, Waldir capricha no visual, vestindo roupa social diariamente. “Quando saio para trabalhar, digo que vou dar um passeio, sempre venho animado e de bom humor. Comecei a trabalhar de social na década de 90 e mantenho assim até hoje, o povo pensa que eu trabalho em banco ou que sou advogado”, comenta ele.

A dedicação ao Jornal também faz parte da rotina de Bruno, que enfrenta a distância entre a redação e a faculdade, sendo necessário realizar uma viajar de ônibus por duas horas. “Alguns dias, eu saio daqui e vou direto para Cachoeira (distante 116km de Salvador) e retorno no outro dia pela manhã, por isso nos dias de aula acaba sendo mais puxado, mas os professores entendem a situação e colaboram”, diz Bruno.

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No Centro de Documentação, Waldir adquiriu experiência para vida toda

Engana-se quem acha que o estagiário é o único a aprender. Assim como o colega, Waldir conta que até hoje o Jornal é uma fonte de conhecimento. “A TARDE é mais do que uma faculdade, nesse tempo que passei adquiri muita experiência com grandes jornalistas e me formei para encarar qualquer situação da vida, em todos os sentidos, compreensão, amizade, reconhecimento, auto-estima, caráter.”

Já em clima de comemoração, os colaboradores aproveitam para desejar mais sucesso às histórias que estão por vir nos próximos 107 anos. “Desejo que o Jornal mantenha a tradição, isso é muito importante. É por onde eu passei e estou passando, e que outros venham também, que o A TARDE venha a ter muitos anos de vida”, celebra Waldir.

“Para um jornal que escreveu tantas histórias bonitas aqui na Bahia eu só posso desejar prosperidade”, finaliza Bruno.

*Sob supervisão da editora Maiara Lopes 

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