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Para ter Jorge nas paredes e estantes

Publicado terça-feira, 11 de novembro de 2008 às 17:37 h | Atualizado em 11/11/2008, 17:46 | Autor: Liana Rocha, do A Tarde
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A partir desta quarta, compradores interessados em levar para casa um pedacinho da vida de Jorge Amado, já podem escolher algumas das 578 peças do acervo da família do escritor.



Se todas forem vendidas, e pelo preço indicado, o montante pode chegar a R$ 8 milhões. Uma parte será usada pela família para a reforma da casa do Rio Vermelho, como já anunciado pela filha, Paloma Amado.



A coleção fica em exposição no Rio de Janeiro, no escritório de arte Soraia Cals, por uma semana, até o próximo dia 18, quando começa o leilão, que vai até 21. Quem não quiser pegar um avião, pode adquirir o catálogo por R$ 125, na Fundação Casa de Jorge Amado, que recebeu dois mil exemplares, de um total de 3.500.



O catálogo, além de reproduzir cerca de 600 obras da coleção Amado, traz fotos de Zélia Gattai, textos de Paloma e artigo do crítico e historiador de arte Frederico Morais.



Fundação – Toda a renda obtida com a venda da publicação (que teve um total de 3.500 exemplares, distribuídos para todo o País), vai para a Fundação. "Vamos dar (uma parte do obtido no leilão) porque a Fundação – que detém o acervo dos meus pais e é um centro de estudo e pesquisa – está precisando muito, continua sofrendo o risco de ser desativada e não queremos que isso aconteça", como explicou a escritora Paloma Amado ao A TARDE, quando do anúncio do evento.



Segundo Soraia Cals, que avaliou a coleção e organiza o pregão juntamente com o sócio Evandro Carneiro, a venda dos catálogos, iniciada anteontem, está batendo recordes. "Está sendo extraordinário, como nunca aconteceu  em nossos leilões", comemora.



Interesse – Para ela, o interesse é grande, não só pela relevância das peças expostas – de grandes nomes como Anita Malfatti, Jenner Augusto, José Pancetti, Di Cavalcanti (que trocou Gabriela, um dos quadros do leilão, por um filhote de Capitu, a cadelinha pug do escritor), Emanoel Araújo, Calasans Neto,  Carlos Bastos, Genaro de Carvalho, Mário Cravo Júnior, Floriano Teixeira, Carybé, Djanira e muitos mais.



A diretora do Museu de Arte da Bahia (MAB), Sylvia Athayde, que organizou uma exposição com a coleção do escritor nas comemorações de seus 80 anos, em 1993, lembra da riqueza do acervo.



“Tinha galeria de retratos de suas personagens femininas, diversos retratos dele, tudo degrandes artistas”, destaca. Provocada pela repórter, sobre a possibilidade de o museu dar lance por alguma peça, ela ri e fala da falta de verba. Mas lembra de “um São Francisco de Volpi, muito bonito” e confirma que a coleção poderia interessar ao MAB, “principalmente as obras de pintores ligados à Bahia“.



Valor – “Toda obra de arte tem o valor agregado, que é o da procedência. Neste caso, o valor sentimental é muito grande”, aponta Soraia, lembrando que a maioria das obras foi presente de amigos e traz dedicatórias que comprovam a cumplicidade entre presenteados e artistas.



Muitas das histórias ligadas às peças são contadas por Paloma no catálogo. “Você pode não ter paixão pela arte, mas você tem paixão por Jorge e quer ter alguma coisa dele, é até meio antropofágico”, brinca Soraia.



Quem quer se deliciar com este banquete, já afia os talheres. Soraia conta que já começou a receber telefonemas de interessados, alguns até do exterior. E há ofertas para todos os bolsos, desde R$ 125 por uma coleção de cristais adquirida pelo casal na antiga Tchecoslováquia, até R$ 800 mil pelo imenso painel Candomblé, de Djanira.

 

Até quem não estiver no Rio de Janeiro, pode participar do pregão. Basta se cadastrar, até às 15 horas do dia 18,  no site do escritório.  Lá, dá até para fazer um pré-lance.  Depois, é só cruzar os dedos e esperar.

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