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Paulo Dourado assume a direção do Theatro XVIII

Publicado quinta-feira, 12 de dezembro de 2013 às 07:10 h | Atualizado em 11/12/2013, 19:11 | Autor: Eduarda Uzêda
Rita Assemany e Aninha Franco e Paulo Dourado
Rita Assemany e Aninha Franco e Paulo Dourado -
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O Theatro XVIII, criado em 1997, e que pelo menos durante 10 anos revolucionou a cena cultural de Salvador, terá agora um novo gestor: Paulo Dourado.

O anúncio foi feito recentemente pelas admistradoras e idealizadoras do projeto do XVIII, Aninha Franco e Rita Assemany, que agora passam o bastão para o diretor teatral, que implementará de forma independente a sua gestão e imprimirá sua marca pessoal ao teatro.

"Depois de terminar a reforma física do XVIII e o retorno das atividades artísticas - o que acontecerá até a Copa -, a ideia é implantar núcleos de formação profissional e de pesquisa e referência do teatro baiano'', afirma o encenador.

O novo gestor

Diretor teatral, professor, roteirista, cenógrafo, dramaturgo, diretor musical, Paulo Dourado  tem experiência de sobra. Além de 40 anos de completa dedicação às artes (teatro, música, audiovisual),  é o criador do projeto denominado Teatro Popular Contemporâneo (Teatros do Tempo).

Este projeto vem marcando a cena teatral da cidade há mais de 20 anos, com espetáculos como A Conspiração dos Alfaiates  (1992), Canudos - A Guerra do Sem Fim (1993), Lídia de Oxum (1995), Rei Brasil (2000), Búzios (2011), A Paixão de Cristo e o Festival do Sagrado.

Dourado tem também o mérito de ser o único profissional na cidade que vem desenvolvendo projetos com a vertente do teatro épico e popular, voltados para a encenação de fatos históricos apresentados gratuitamente.  

Casa de pensamento

Mais que um teatro, o XVIII foi durante muito tempo uma casa de pensamento que se debruçava não só nas questões locais, mas também nacionais, como um modelo único no País.

A intensa programação cultural incluía espetáculos teatrais, de dança e de música, palestras (no projeto Penso, Logo Existo, por exemplo, especialistas  trataram de temas  contemporâneos, a exemplo da guerra no Oriente Médio e direitos autorais), além de mesas-redondas com temáticas variadas, aulas públicas, saraus literários e  exposições nas áreas de artes visuais.

Não faltaram leituras dramáticas, performances, saraus instrumentais, lançamentos de livro e incentivos a novos talentos (no projeto  Noites Sem Caráter, o palco era cedido a artistas de quaisquer linguagens para demonstrar seus talentos em 5 minutos).

A  criação de cursos e oficinas de formação e os projetos de arte-educação com adolescentes foram outras vertentes do teatro, que acabou criando um vigoroso movimento de formação de plateia de todas as classes sociais, revitalizando o Pelourinho.

Nos últimos seis anos, entretanto, o Teatro XVIII passou por  algumas crises - a principal, na  gestão do então secretário de Cultura Márcio Meirelles, em 2007 - que resultou, inclusive,  no fechamento do espaço e posterior reabertura.

Inviabilidade

Aninha Franco conta que há mais de um ano estava tentando fazer a transferência porque as novas políticas inviabilizaram as propostas do XVIII.

"O XVIII não é uma casa minha, é pública, é da sociedade.  Estou passando o teatro por conta da política implantada, que não permite que o XVIII tenha mais a programação que tinha", afirmou, acrescentando que a atual política de editais não resolve o problema da casa de espetáculos.

"Meu sentimento é de dever cumprido. Eu acho que você tem que fazer doações à sociedade. Eu e Rita fomos voluntárias. Até a minha morte já paguei minha dívida para com ela", acrescenta, lembrando que o teatro funcionava de segunda a domingo, era um espaço  democrático "e foi um grande formador de comportamento social da cidade".

A atriz Rita Assemany ressaltou também  o sentimento de missão cumprida e destacou que "o modelo do Theatro  XVIII foi vitorioso e  vai ficar guardado na memória do espectador da cidade".

"Passamos a ONG adiante, mas vamos continuar contribuindo para o teatro", salienta a atriz.

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