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Vanusa reinventa a carreira em novo álbum

Publicado quarta-feira, 09 de dezembro de 2015 às 07:42 h | Atualizado em 08/12/2015, 19:18 | Autor: Claudia Lessa
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Batizar o novo CD com o seu nome completo  - Vanusa Santos Flores  -, depois de 20 anos longe do mercado fonográfico e tendo se popularizado nos anos 70 apenas com o prenome Vanusa, teve um propósito singular: a reafirmação de uma identidade artística.

A sugestão foi do produtor do álbum, o cantor e compositor Zeca Baleiro. Ele justificou a ideia como sendo um título forte para referendar um nome e  uma trajetória "que fizeram História com H maiúsculo, na música brasileira".

Partiu de Baleiro, antes de tudo, o convite para a gravação do novo disco da cantora e compositora paulista, 68 anos de idade e 50 de carreira. Um estímulo, sem dúvida, para Vanusa se reinventar, depois de um longo exílio existencial, que a levou a uma internação de seis meses, por conta de um quadro de depressão.

"Mas, hoje, estou muito feliz, me sentindo como se estivesse no começo da carreira. Senti um frio na barriga quando entrei no estúdio, mas Zeca me fez sentir muito à vontade e foi muito cuidadoso comigo".

Mistérios (Zé Geraldo/Mário Marcos), uma das dez faixas do álbum,  resume a nova fase, depois de altos e baixos que marcaram a sua história de vida: "Vou cantar no meio do povo / Vou sair pra vida de novo / Fazer tudo que até hoje não pude fazer", diz a letra.
E é nesse clima de desafio que Vanusa empresta a sua voz, novamente,  às canções, sem preocupações mercadológicas e com um "sentimento de gratidão" pelo produtor.

Tudo começou em 2013, quando a cantora estava no hospital e Zeca Baleiro a telefonou. "Ele  foi o único artista que me ligou quando eu estava internada e, a partir dali, já senti um carinho enorme por ele. Conhecia o trabalho dele, fui aos seus shows, mas não éramos amigos. Em uma das ligações, ele lançou a semente: 'Não quero que você se preocupe, mas gostaria de lhe propor gravar um CD. Pense e, depois,  me dê a resposta'. Quase caio da cadeira e é claro que aceitei na hora a proposta dele", relata Vanusa.

Dona de grandes sucessos populares entre as décadas de 60 e 80, ela voltou  "com um repertório belo e corajoso e com um time de músicos de primeira", como define o produtor.

"Ela é uma artista imensa e sua obra fala por si. Vanusa é grande, o resto é história", pontua Zeca Baleiro, referindo-se à repercussão negativa na mídia sobre o episódio do  Hino Nacional, em 2009, quando a cantora errou a letra, durante uma apresentação na Assembleia Legislativa de São Paulo, tornando-se alvo de piadas na internet.

Aquele episódio, revela a cantora, foi "a gota d´água" para que  entrasse no fundo do poço. "Mas não tenho ressentimentos de nada". 

Repertório

Com uma discografia composta por mais de 30 discos, a cantora de Manhãs de Setembro (dela e Mário Campanha) e Paralelas (Belchior), dois de seus maiores hits, retoma a carreira com um repertório  de apelo afetivo.

Compasso (Ângela Roro/Ricardo MacCord), que abre o CD, diz a cantora, "parece ter sido feita para mim, naquele exato momento em que eu tentava me erguer".

Vanusa gravou, também, O Silêncio dos Inocentes, de Zé Ramalho, de quem diz sempre ter sido fã. "Há mais de dez anos, pedi a ele uma música nova. Zé me mandou duas, lindas, mas só agora consegui gravar esta, que me pegou de jeito".

Também no repertório, Esperando Aviões (Vander Lee) e  Haja o Que Houver (Pedro Ayres), do grupo português Madredeus. Da sua safra de composições próprias, incluiu Traição,  gravada há 20 anos por ela, e Tudo Aurora, em parceria com o produtor do CD. "Mostrei uns poemas meus para o Zeca. Alguns dias depois, ele  apareceu com essa melodia linda, com toques sutis de fado".

A agenda de shows, diz, está acontecendo, mas "sem pressa".  "Estou adorando esta nova fase da minha vida. Mas fiquei tanto tempo sem subir aos palcos... vamos devagar. Já estou com 68  e esta não é a melhor idade", diverte-se.

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