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Brasil e EUA vão criar formas para facilitar comércio

Publicado domingo, 04 de junho de 2006 às 20:18 h | Atualizado em 04/06/2006, 20:18 | Autor: Agência Estado
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Sem nenhuma perspectiva de firmarem um acordo de livre comércio, Brasil e Estados Unidos vão estabelecer um sistema de consultas informais destinado a facilitar o comércio entre os dois países. O acerto será firmado entre o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, e o secretário de Comércio dos EUA, Carlos Gutierrez, que estará no Rio de Janeiro amanhã e terça. "É um projeto para explorar com mais profundidade os pontos positivos da relação bilateral, um facilitador de negócios, porque as nossas exportações para os Estados Unidos têm crescido menos que a média das exportações brasileiras", informou Furlan.



Mecanismo semelhante já foi implantado com os países do Mercosul e Portugal. "Não entra no campo das questões sanitárias, mas existe uma porção de temas onde existe burocracia, muitas vezes dificuldades relacionadas a investimentos, e nós queremos ter um grupo que dê mobilidade, que resolva as questões do dia a dia", explicou o ministro.



O documento a ser assinado prevê a criação de quatro grupos temáticos de trabalho que se reunirão periodicamente. Os temas foram divididos em facilitação de negócios, investimentos, etanol, posições e negociações multilaterais. A proposta visando aumentar o comércio bilateral foi feita pelo presidente dos EUA, George Bush, em visita ao Brasil no final do ano passado.



Furlan proporá que a primeira reunião dos grupos aconteça em setembro, em Washington, quando seriam apresentadas sugestões de ações nas áreas escolhidas. Um dos temas a ser negociado é a agilização das remessas de pequenos volumes, como amostras das empresas, para os Estados Unidos.



"Elas passam por uma burocracia que prejudica muito a eficiência do sistema", disse Furlan. "Os americanos ponderam que o sistema funciona de maneira menos eficiente do que funciona com a maioria dos outros países". Também poderá ser discutida a concessão de visto de trabalho para funcionários de empresas dos dois países.



Outro assunto da pauta é a colocação de uma cota para as exportações brasileiras de álcool anidro, para mistura na gasolina, sem a cobrança da sobretaxa de US$ 0,54 por galão. A questão do etanol é muito importante para o Brasil que tem buscado outras alternativas para driblar as barreiras tarifárias impostas pelos Estados Unidos. Furlan chegou ontem ao Brasil depois de liderar uma missão com mais de 50 empresários a cinco países da América Central.



Em todos eles, o ministro e empresários da área discutiram a possibilidade da formação de joint-ventures entre empresas brasileiras e locais para a produção de álcool anidro na região. Como esses países possuem acordo de livre comércio, o combustível seria exportado para os Estados Unidos sem o pagamento da sobretaxa. Em julho, representantes do Panamá, Costa Rica, Guatemala e El Salvador estarão em Piracicaba, pólo produtor de etanol, para visitar o Centro de Tecnologia da Cana (CTC).



A missão também rendeu frutos na área de infra-estrutura para a construção de pequenas centrais hidrelétricas, interligação de linhas da América Central e instalação de caldeiras para o fornecimento de energia com bagaço de cana. A Petrobras também negocia a instalação de uma refinaria na região e a possibilidade de explorar petróleo em águas profundas na Costa Rica. No setor têxtil e calçadista, também foram fechados vários negócios. Segundo Furlan, empresas como Coteminas, Santista e Vicunha já têm contato e estão buscando alternativas para investir na região como plataforma de exportação para a América do Norte.



A Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) acertou a inauguração, em outubro, de um centro de distribuição de produtos brasileiros na Cidade do Panamá, que servirá de plataforma de exportação para os países do Caribe, Ásia e Estados Unidos. Segundo o presidente da Apex, Juan Quirós cerca de 120 empresas brasileiras devem se instalar no local. Quirós disse que mais de US$ 80 milhões em negócios, para exportação de produtos, foram fechados durante a missão empresarial à América Central. Na área de serviços, como infra-estrutura, o valor chegou a US$ 1,080 bilhão.



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