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Cartão de crédito é um dos principais vilões do endividamento do brasileiro

Publicado segunda-feira, 09 de agosto de 2021 às 06:05 h | Atualizado em 08/08/2021, 14:57 | Autor: Fábio Bittencourt
Quantidade de famílias com dívidas bateu recorde de 71,4% no mês de julho | Imagem: Túlio Carapiá | Editoria de Arte A TARDE
Quantidade de famílias com dívidas bateu recorde de 71,4% no mês de julho | Imagem: Túlio Carapiá | Editoria de Arte A TARDE -
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Historicamente em 50%, o percentual de famílias com dívidas bateu recorde e atingiu em julho a marca de 71,4%, maior patamar da série iniciada em 2010. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) e foram divulgados na última sexta-feira pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Cerca de dez dias antes, a Fecomércio na Bahia anunciou que, na região metropolitana de Salvador, o índice atingiu no mês 68,2% dos grupos familiares.

Entre os principais débitos, cheque pré-datado, cheque (“limite”) especial, carnê de loja, empréstimo consignado, pessoal, prestação de carro e de casa e, claro, o famigerado cartão de crédito – um dos principais vilões do endividamento, dizem os analistas. Mas, a despeito de toda a crise instaurada com a pandemia, a taxa de desemprego em quase 15%, inflação beirando os dois dígitos, por que tanta inadimplência?

De acordo com o consultor financeiro Antônio Carvalho, a falta no Brasil de uma educação voltada para finanças, somada à oferta abundante de crédito, é um dos principais fatores. Segundo ele, não há paralelo no mundo no quesito oferta de empréstimo.

“Em um país onde 99% das empresas são de micro e pequenas empresas e em que o nível de gestão é, diga-se de passagem, muito ruim, o uso indiscriminado do crédito é o grande problema quando o assunto é endividamento. Mas crédito é bom. Foi concebido como forma de financiar bem duráveis, de maior valor, como automóvel, casa, móveis novos. Mas hoje exageramos e o usamos para tudo, e daí ficamos expostos, qualquer outro acontecimento estamos endividados”, diz.

E afirma: “Crédito não é renda”. “Gastos fixos são aqueles que todos os meses batem à porta, de forma cíclica, como aluguel, escola de filho, taxa de condomínio, transporte, telefone”.

Fatura de cartão não é uma obrigação. “Duas sensações levam as pessoas a utilizar cartão de crédito (sem parcimônia): o poder de compra proporcionado e o sentimento de não pagamento”, diz.

“Dívida impagável”

E para não dizer que inadimplência não atinge os mais ricos, Carvalho cita como exemplo o caso de um cliente com renda mensal de R$ 30 mil, dono de uma dívida “impagável”.

A reportagem também conversou, sob condição de manter o anonimato, com um administrador empregado em grande companhia, salário de R$ 10 mil, que precisou recentemente parcelar o saldo do cartão. Passará o próximo ano no aperto.

Ainda sobre o cartão de crédito, a especialista em gestão financeira Raquel Santos lembra que, por exemplo, nas compras a prazo e ditas “sem juros”, “quando uma empresa parcela algum pagamento para o cliente, ela está financiando a operação. Então é inevitável que ela aplique juros, mas já embutidos no preço final”.

“Comprar à vista é o ideal porque você pode solicitar um desconto, abatimento, haja vista que não usará financiamento da loja. E, além desses juros que fazem parte direto da compra, existem os das próprias administradoras dos cartões (encargos), caso a pessoa deixe de pagar a fatura no respectivo vencimento. E eles são os mais altos atualmente, chegando a 400% por ano”.

Entusiasta do empreendedorismo entre as mulheres, e autora do recém-lançado livro Bora Financeirar, Raque diz que, ao usar o cartão, “é importantíssimo compreender que é necessário fazê-lo com inteligência”. “Saber quais são os direitos, mas principalmente os seus deveres por tê-lo. Ele pode ser uma benção ou uma maldição no orçamento familiar, e quem vai definir isso é o comportamento da pessoa. Diariamente”.

“Se a pessoa utilizar o cartão de forma estratégica, ela pagará tudo com o cartão. Para a compra de itens de maior valor, por exemplo, se torna ainda mais vantajoso usar o cartão, desde que se tenha a clareza do peso da parcela no orçamento”.

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