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Conselho da Nissan decide demitir Carlos Ghosn

Publicado quinta-feira, 22 de novembro de 2018 às 20:31 h | Atualizado em 22/11/2018, 20:32 | Autor: Luiz Serpa l A TARDE SP
Ele teria usado muita autoridade durante seu tempo na liderança do grupo
Ele teria usado muita autoridade durante seu tempo na liderança do grupo -
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O conselho da construtora japonesa de carros Nissan votou de forma unânime pela demissão de seu presidente, Carlos Ghosn, de acordo com informações da NHK, rede de TV estatal. Ele foi preso após acusações de supostas fraudes financeiras.

A NHK afirmou que os sete membros do conselho votaram pela demissão de Ghosn, que leva o crédito de ter salvado a companhia da falência, quando ele assumiu o posto quase 20 anos atrás, e também criado alianças de sucesso com a Renault e a Mitsubishi.

A decisão aconteceu dias depois que Hiroto Saikawa, chefe-executivo da Nissan e um ex-aliado de Ghosn, lançou um ataque contra seu antigo mentor após a prisão do presidente no aeroporto de Tóquio, na última segunda-feira.

Saikawa afirmou que Ghosn usufruiu de “muita autoridade” durante seu tempo à frente da Nissan. Enquanto pedia para que membros do conselho o demitissem, ele se referiu a esse momento como “o período negro da era Ghosn”.

Fontes próximas da companhia afirmaram que Saikawa, que está na fila para substituir Ghson, chegou à reunião do conselho confiante de que outros executivos da companhia iriam apoiar seu pedido pela demissão.

“Essa proposta não teria sido levada adiante se houvesse qualquer dúvida e se os resultados da investigação tivessem sido apresentados para os membros do conselho”, afirmou a fonte da empresa em conversa com a agência de notícias France-Presse.

Em silêncio

Ghosn, que está sendo mantido em uma cela solitária em Tóquio desde que foi preso, não foi mais visto em público e também não fez nenhum comentário sobre a sua prisão.

Na quarta, a imprensa japonesa afirmou que promotores haviam aprovado sua prisão preventiva em dez dias. De acordo com as leis do país, um suspeito pode ser mantido preso por 20 dias sem uma acusação formal. Outras acusações podem ser adicionadas, resultando em detenções mais longas.

Shin Kukimoto, vice-promotor público de Tóquio, se recusou a comentar ontem se Ghosn, que ainda precisa ser acusado oficialmente, assumiu ser culpado sobre as alegações feitas contra ele.

Promotores acreditam que Ghosn e o executivo americano Greg Kelly “conspiraram para subdeclarar o salário do ex-presidente em cinco vezes entre os anos de 2011 e 2015”, informando um salário total de US$ 44 milhões, ao invés dos atuais US$ 88 milhões.

O conselho da Nissan também votou pela retirada de Greg Kelly de sua posição na companhia como diretor representante. Na última segunda, a Nissan afirmou que uma investigação interna foi lançada após indícios de que Ghosn também teria feito mau uso do dinheiro da empresa.

De acordo com o jornal Financial Times, Ghosn perdeu espaço depois de tentar uma fusão completa entre a Nissan e a construtora francesa Renault, apesar das inúmeras ressalvas dos executivos da companhia japonesa.

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