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GO Associados revisa projeção do PIB para 2015 de +0,5% para -0,5%

Publicado quinta-feira, 05 de fevereiro de 2015 às 15:18 h | Atualizado em 19/11/2021, 06:37 | Autor: Carla Araújo | Estadão Conteúdo
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Gesner Oliveira, sócio da GO Associados, afirmou na tarde desta quinta-feira, 5, que a consultoria decidiu revisar a sua projeção para o PIB de 2015, que era positiva em 0,5% para uma queda de 0,5%. O executivo deu a declaração em conference call realizado em parceria com o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, sobre "O Impacto do Racionamento de Água, Energia e a Operação Lava Jato no PIB".

Gesner afirmou que os impactos da crise hídrica e energética e os desdobramentos institucionais da Operação Lava Jato podem ser minimizados com ações de eficiência, "principalmente na área de água e energia".

Gesner, que é ex-presidente do Cade e da Sabesp, disse ainda que a consultoria fez simulações de três cenários para calcular o impacto da falta de água e energia e dos desdobramentos da Lava Janto no PIB, com uma provável redução de investimentos na Petrobrás - que é alvo de investigações na operação da Polícia Federal.

O primeiro cenário, denominado cenário base, faz a simulação de que haveria uma redução de 5% de água e energia e uma retração de 10% dos investimentos da Petrobras. Neste modelo, de acordo com o economista Alexandre Andrade, o impacto em 12 meses na produção brasileira seria de R$ 100 bilhões e o impacto no PIB seria de uma contração de 1,3%. "Além disse, mais de um milhão de empregos poderiam ser perdidos", disse.

A simulação avaliou ainda que, neste cenário base, a massa salarial teria uma redução de R$ 14 bilhões e a arrecadação de impostos cairia em R$ 7,9 bilhões.

Gesner ressalta que esses números servem de alerta para que o governo perceba a importância da dosagem correta do ajuste fiscal. "Se tivermos uma desaceleração profunda, o ajuste se torna ineficiente porque há uma perda enorme de arrecadação", diz.

Piores cenários

O segundo cenário, chamado de "com stress moderado", usa como simulação a hipótese de redução de 10% no consumo de água e energia e de 20% nos investimentos da Petrobras. Neste caso, o impacto no PIB seria de 3,1% e a produção teria uma perda de R$ 198 bilhões. "Além disso, a perda de emprego poderia chegar a 2,6 milhões de vagas", diz Andrade. A queda nos salários seria de R$ 28 bilhões e a perda com arrecadação, R$ 15,7 bilhões.

Por fim, o último exercício, classificado como "cenário de forte stress", tem como premissa a redução de 15% no fornecimento de água e energia e de 30% a queda nos investimentos da Petrobras. Gesner diz que esse cenário "não é o mais provável, porém, não é descartável".

Nesta simulação, a queda na produção é de R$ 297 bilhões e a perda de empregos chega a 3,9 milhões. Já a perda de salários e com arrecadação seriam de R$ 42 bilhões e R$ 23,5 bilhões, respectivamente.

Racionamento

O consultor e engenheiro elétrico Antonio Bolognesi afirmou que, apesar de ainda não estar em uma situação de racionamento de energia, o Brasil passa por uma situação grave. "Ainda não estamos no racionamento de energia, mas já poderíamos estar. Estamos com padrões técnicos que já poderiam decretar racionamento", afirmou.

Bolognesi lembrou que, durante o racionamento de 2001, os reservatórios do Sudeste estavam em 31% e, hoje, estão com apenas 16%. "O mais grave não é só a questão dos níveis dos reservatórios, mas o comportamento hidrológico dos últimos meses", disse. Ele ponderou ainda que hoje a situação é distinta, pois o País tem o dobro de térmicas em funcionamento do que havia em 2001. "A situação está grave e existe uma tendência de continuar ruim", reforçou.

Para o consultor, o mais grave é que não se está tomando providências mais efetivas "para alertar a sociedade". "Já devíamos estar com racionamento para a sociedade perceber a gravidade da situação", disse.

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