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Internautas denunciam Mercado Livre

Publicado sábado, 12 de agosto de 2006 às 11:59 h | Atualizado em 12/08/2006, 11:59 | Autor: Clarissa Borges
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As compras feitas por meio da internet devem ser cercadas por muitos cuidados, principalmente quando o bem negociado é de grande valor. Um grupo de consumidores de vários Estados brasileiros vem enfrentando problemas com a empresa ItSolution, que negociava eletroeletrônicos através do site de leilões Mercado Livre. Apesar das várias reclamações feitas por internautas diretamente na página virtual, o negociante continuou em ação pelo menos até a última quarta-feira, 9.



Uma das clientes, Andréa Gomes, que efetuou a compra no dia 5 de julho e o pagamento no dia seguinte, só recebeu a câmera fotográfica no dia 2 de agosto, após realizar uma ampla negociação. Ela passou a integrar uma comunidade no Orkut de pessoas lesadas pelo responsável pelo ItSolution, Juliano Pacheco, de Curitiba, Paraná. Também foi criado um grupo no Yahoo reunindo os consumidores que compraram da empresa no Mercado Livre.



“Neste link é possível ver o histórico completo de duas negociações realizadas, os e-mails trocados e as respostas evasivas. As duas pessoas que publicaram as negociações também só receberam as mercadorias depois de tornarem seus casos públicos”, diz Andréa Gomes.



“Nas qualificações do vendedor no Mercado Livre constam os produtos já entregues, que ele replicou informando os códigos do envio”, acrescenta. A internauta diz que tem hábito de comprar no site, mas também já foi alvo de um "calote" praticado por um vendedor que lesou pelo menos 200 consumidores oferecendo um carregador de celular.



Experiência Negativa – A estudante Maria Bela de Andrade Soares ainda se arrepende de uma compra que tentou fazer por intermédio do Mercado Livre. “Em abril, comprei um Ipod por R$ 400 e nunca recebi”, revela. Após o pagamento, o vendedor sumiu e ela ficou sem o produto. Quando entrou em contato com a administração do site, Maria Bela teve a segunda surpresa - ainda mais desagradável do que a primeira. O Mercado Livre informou que não poderia interferir na negociação, já que o pagamento havia sido feito em nome de pessoa física. “Fiquei com o prejuízo”, lamenta.



A estudante credita à sorte as compras bem sucedidas. “Meu namorado já fez compras pela internet umas cinco vezes e nunca teve problemas”, revela. Mas acredita que o site Mercado Livre deveria ser mais criterioso na permissão para os vendedores. “Você pode fazer um cadastro com qualquer nome, qualquer endereço, sem nenhuma segurança”, afirma. Além disso, o vendedor tinha o nome inscrito no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e continuava apto a efetuar transações no site.



Segundo o professor da área de e-commerce da Faculdade Boa Viagem, em Recife (PE), André Leão, analisando o relativamente novo advento do e-commerce, discute-se o motivo de somente uma pequena fatia dos internautas fazerem compras online. Conforme pesquisa recente do Ibope, são apenas 16% do universo estimado de internautas no Brasil. A principal razão encontrada, avalia, é a falta de segurança que eles têm na rede. O foco do comércio eletrônico não está na tecnologia, mas nos negócios, diz.



“Trata-se de mais um (potencial) canal de vendas e distribuição. Não adianta querer dar explicações técnicas aos consumidores sobre a segurança de se fazerem compras online, pois eles não irão entender. O segredo está em se construir um sentimento de confiança entre empresa e consumidor, e isso só parece possível de duas maneiras: transferindo essa confiança através do valor de uma marca para as operações virtuais, ou demonstrando resultados”, avalia o professor.



O advogado especialista em direito eletrônico, Rony Vainzos, diz que toda loja, seja virtual ou não, é responsável pela entrega do produto no prazo estipulado. No caso de sites que agenciam a compra, como o Mercado Livre, o agenciador é responsável por identificar o vendedor e é obrigado a informar seus dados de cadastro. Ele lembra que não existe ainda legislação específica para a situação. “A construção de doutrina e a jurisprudência permitem o julgamento”, explica Vainzos.



Segundo o especialista, o consumidor deve pesquisar sobre a qualidade e a certificação do site da loja em que pretende comprar. “Verifique se outros usuários já efetuaram compras e se as compras foram entregues”, orienta. De qualquer modo, o cliente lesado deve recorrer ao órgão de defesa do consumidor caso o problema não tenha sido resolvido em primeiro contato com a empresa ou vendedor responsável pela venda.



O administrador de empresas José Mendes conta que segue as dicas de Vainzos sempre que compra um produto pela internet. “Já comprei passagens de avião, livros, DVDs, relógio e até uma geladeira”, conta. Para esta compra, entretanto, tomou cuidados especiais. Primeiro, o administrador pesquisou os preços em um site especializado em cotações. “Depois de decidir comprar via internet em uma loja sediada em São Paulo, fui a algumas lojas de eletrodomésticos em Salvador para conhecer o produto que iria comprar”, revela.



Mendes destaca a importância de optar por uma loja que tem sede própria. Quando compra no Mercado Livre, o administrador consulta a classificação fornecida por outros usuários. Outra dica é checar qual é a reclamação, quando existe alguma. “Às vezes alguns usuários reclamam de problemas irrelevantes, por isso é bom ficar atento”, recomenda.



Explicações – Os telefones de contatos obtidos através do grupo da Yahoo que pertenceriam à empresa ItSolution não foram atendidos ou havia a informação que determinado número não existia.



Por sua vez a assessoria do Mercado Livre declara, sobre o assunto: “Informamos que o usuário ItSolution já se encontra inabilitado da comunidade de usuários do MercadoLivre por ter descumprido os termos e condições previamente aceitos ao cadastrar-se no site. Porém, por meio do próprio site do MercadoLivre, qualquer usuário pode realizar denúncias sobre irregularidades. Para isso, mantemos o programa de proteção ao comprador, no qual se pode fazer denúncias sobre negociações irregulares“, conclui.







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