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Mensalidade escolar fica até 10% mais cara em 2009

Publicado segunda-feira, 15 de dezembro de 2008 às 23:22 h | Atualizado em 16/12/2008, 01:51 | Autor: Maurício Sotto Maior, do A TARDE
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Algumas escolas de Salvador já iniciaram o processo de matrículas para o ano letivo de 2009, e o valor médio de reajuste ficou mesmo entre 7% e 10%. Se o reajuste não foi considerado muito alto, em comparação aos anos anteriores, é o próprio valor das parcelas que vem preocupando as famílias.

“Minha filha mudou do infantil para a alfabetização e a parcela aumentou de R$ 600 para R$ 732. Só de material escolar eu paguei R$ 360. Eu estou pagando para a minha filha de 6 anos aquilo que meu irmão paga para o meu sobrinho na faculdade”, reclama o pai de aluno Aloir Batista.

Assim como Aloir, muitos pais nem querem esperar o mês de janeiro para efetivar a matrícula de seus filhos e, desde já, “choram” descontos que aliviem o peso da educação no orçamento doméstico.

“Muitos pais comparam os valores das matrículas de faculdade com os valores do ensino fundamental, como se existisse uma relação entre preço e a graduação escolar. Não é bem assim. Um aluno do infantil dá muito mais trabalho e necessita de muito mais infra-estrutura que um aluno universitário”, justifica o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia (Sinepe), Natálio Dantas, que aconselha aos pais a solicitarem descontos na hora da matrícula. “Quem não chora não mama! O que não podem esquecer é que a escola é uma empresa. Não tenho o mínimo constrangimento em dizer que escola é para dar lucro, como qualquer outra empresa que paga impostos”, pontua Dantas.

Quem conseguiu um bom desconto foi o fisioterapeuta Carlos Jorge Monteiro, pai de três filhas, que matriculou duas nesta segunda. “O valor da mensalidade não me preocupa, mesmo porque minhas duas filhas fizeram o teste para uma bolsa de estudo na escola. Uma tirou nota 9 e conseguiu 30% de desconto. Como eu pago até o dia 1º de cada mês, meu desconto sobe para 38%. Acho que eu posso conseguir o mesmo com a minha outra filha", acrescenta, orgulhoso da prole, sem nem ter precisado chorar um desconto.

Ele acredita que as mensalidades das filhas fiquem entre R$ 400 a R$ 450, mas tem ainda o custo dos módulos, que são pagos à parte. “No total acho que vai ficar em torno de uns R$ 600, cada uma. Mas o que me preocupa é o valor do transporte escolar, uns R$ 480 da Vila Laura até o Itaigara”.

Já a mãe de Isabela Ribeiro esperava um valor menos salgado para a matrícula das duas filhas. “Estou pagando quase mil reais para minhas filhas, de 10 e 9 anos. Está bem mais caro que no ano passado, mas não sei se é por culpa da crise mundial”, se pergunta.

Para a diretora do Colégio Oficina, Lurdinha Viana, a crise mundial afeta mais o custo do material escolar, do que o valor da matrícula. “Escola é uma empresa de prestação de serviço. Para nós o pacote econômico seria a redução de impostos e taxas trabalhistas. Uma escola não é uma indústria que pode reduzir o número de trabalhadores para equacionar a produção”.

O presidente do Sinepe, raciocina nesta mesma linha. “Esse pacote em nada nos favorece. É o peso da folha de pagamento que é terrível. A folha, com impostos e taxas pode chegar a 45% dos custos operacionais de uma escola”, diz Dantas.

Salários - “É uma falácia creditar os altos custos operacionais de uma escola à folha de pagamento dos professores. Mesmo porque 70% da categoria recebe apenas o piso mínimo, ou seja R$ 487”, declara a diretora executiva do Sindicato dos Professores da Rede Particular de Ensino do Estado da Bahia (Sinpro), Cristina Kavalkievicz.

Segundo a sindicalista, o reajuste nas matrículas acontece em janeiro enquanto que a data-base da categoria é somente em maio. “Os professores só irão receber seus reajustes lá para junho, muito tempo depois”. De acordo com os dados do Sinpro, as escolas pagam R$ 3,76 a hora-aula de 50 minutos e R$ 4,20 a hora-aula de 60 minutos.

De acordo com Cristina Kavalkievicz, o último reajuste dos professores foi de 6.3%, com base no INPC. “A verdade é que não existe uma relação direta entre o valor da matrícula cobrado aos pais de alunos e o valor da hora-aula pago para os professores. O dinheiro está indo para investimentos nas estruturas físicas dos prédios, como pisos de mármore, granito, elavadores panorâmicos para os alunos. O dinheiro é investido no patrimônio das escolas", denuncia Kavalkievicz, que questiona os números do Sinepe. “Nos últimos 10 anos o reajuste dos professores girou entre os 5%, enquanto que o reajuste das matrículas foi sempre com dois dígitos, entre 10% e 11%”.

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