OPORTUNIDADE
Mercado: 47% das empresas pretendem abrir novas vagas este ano
Setores ligados à engenharia, advocacia e finanças estão entre os que devem liderar as contratações em 2023

Um novo ano acaba de começar e, com isso, também as especulações sobre o comportamento do mercado de trabalho durante o período. De acordo com o Guia Salarial, um levantamento feito pela consultoria Robert Half, oito setores vão se destacar em 2023, e liderar em termos de contratações: engenharia, finanças e contabilidade, jurídico, mercado financeiro, recursos humanos, seguridade, tecnologia, vendas e marketing.
Segundo a empresa de consultoria, o que explica essa expansão é que muitos empreendimentos procuram estruturar-se nos primeiros meses do ano, para seguir com uma base sólida de funcionários nos seguintes. Ainda segundo a Robert Half, 47% dos negócios pretendem contratar em 2023.
Além das áreas citadas no Guia Salarial, Adriana D’Almeida, professora da UNIFACS e consultora em Gestão de Pessoas e Carreira , também acredita que o setor de saúde será um dos com mais demanda neste ano. Porém, Adriana ressalta com maior destaque as carreiras relacionadas à tecnologia.
“O setor de TI acaba impactando todas as áreas, não só a de tecnologia em si, mas todas as que englobam processos automatizados nas interações com clientes e usuários. Com o seu avanço, ela avança todas as outras. Por exemplo, falando da área de recursos humanos mesmo, que é a minha, a gente já tem inteligência artificial para triar currículo, e aplicativo para avaliações de desempenho”, explica.
“Vejo esse movimento de muitas contratações desde 2022. Durante o período entre 2020 e 2021, com a pandemia mais forte, não haviam vagas. Mas, do ano passado para cá, o número de vagas e de pedidos de indicação aumentou muito, esse é um movimento de aquecimento que deve se manter”, diz a professora.
Adriana também fala sobre a crescente consolidação do home office, pontuando que o modelo é até mais econômico para as empresas. Mas, chama a atenção para o desafio de, nesse processo, não se perder a identidade da marca por conta do pouco contato presencial entre os funcionários.
Qualificação
Mais um dado da Robert Half aponta que 68% dos empregadores acreditam que será mais desafiador contratar profissionais com boas qualificações. Adriana concorda e destaca que, cada vez mais, é preciso investir em funcionários que possuam competências comportamentais (boa comunicação, trabalho em equipe, criatividade), além das habilidades técnicas.
Elde Oliveira, sócio na Advice Group, empresa de consultoria em gestão de finanças e contabilidade, uma das áreas destacadas para 2023, diz que o empreendimento terá um aumento de contratação de 20 a 25% neste ano. Ele endossa a dificuldade em encontrar profissionais qualificados. Para tentar atrair bons candidatos, o grupo tem um “plano”.
“Desenvolvemos um plano de remuneração variável com premissas de curto e longo prazo, para que o contratado busque seus objetivos pessoais e consequentemente nos ajude como empresa. Isso vai de participação de lucros, bônus, até chegar a sócio, vai depender do desempenho de cada um”, explica o empresário.
Oliveira entende que os modelos de home office e híbrido já se consolidaram, mas que é preciso estar atento aos desafios que eles impõem, principalmente no quesito integração da equipe. “Hoje, a Advice Group adota o modelo híbrido, estamos testando e ajustando pontos que achamos relevantes, mas não temos uma política rígida para isso, vamos nos adaptando conforme os objetivos e necessidades dos nossos clientes e colaboradores”, conta.
Carine Piñeiro, proprietária da Costa Advocacia e Consultória Jurídica, revela que o escritório pretende contratar novos funcionários ainda no primeiro semestre de 2023. Sobre a dificuldade de encontrar pessoas altamente qualificadas, a advogada acredita que é preciso desenvolver os profissionais contratados com paciência.
“Existe a necessidade de os empregadores da área jurídica acreditarem no desenvolvimento dos seus novos contratados, investindo mais tempo e energia nesse início de vida profissional, afinal ninguém está pronto apenas porque se formou numa faculdade, o aperfeiçoamento profissional demanda tempo”.
“Em um profissional, nós buscamos habilidades técnicas e humanas, e para isso utilizamos critérios como avaliação da qualidade da comunicação, persuasão, proatividade, inteligência emocional, habilidade para resolução de problemas, dentre outras”, pondera Carine.
Outras áreas
Saul Quadros, da Saul Quadros Advogados Associados, aposta que o crescimento dos nichos de mercado, com profissionais se especializando em áreas que antes não eram muito exploradas, vai levar a contratações. Além da época de início de ano também impulsionar o aumento de equipe. “A esperança é que aumente, sim, o número de contratações. As empresas estão organizando a casa e isso naturalmente demanda uma procura maior por profissionais. É o que eu sinto dentro da realidade do meu escritório, e de alguns colegas”.
Quadros acrescenta que pode haver mudança no direito trabalhista com o novo governo, e que isso vai demandar uma mão de obra especializada dos advogados do setor, assim, com mais discussões sobre essas matérias, o volume de trabalho vai crescer, diz.
Daniela Neeser, diretora Comercial da RNeeser Corretora de Seguros/Conset, crê que o mercado se destacará neste ano por conta de uma mudança na cultura de contratação de seguros no Brasil, citando a exigência cada vez maior pelo poder público da necessidade de cobertura em seus contratos com empresas privadas, e o advento da Covid como alerta sobre a necessidade de se ter plano de saúde, seguro de vida, entre outros.
“Nossa empresa tem investido no desenvolvimento de novos talentos, dando oportunidade a jovens (jovem aprendiz, estagiário e primeiro emprego) com interesse em conhecer o mercado de seguros e contribuir com novas ideias para melhoria dos nossos processos internos”, diz Daniela.
Já Daniel Gedeon, dono da Grifo Engenharia, explica que a área passou por um ciclo econômico baixo, em 2014 e 2015, por exemplo, onde muitas obras grandes no País acabaram parando. Ele fala, no entanto, que existe uma tendência de retomada do segmento, e já se sente falta de mão de obra qualificada no mercado.
“A construção civil trabalha flutuando em qualquer cenário, por ser um dos motores da contratação de mão de obra no País e, hoje, certamente uma pessoa qualificada não terá problema em se encaixar no mercado”. “A Grifo já tem algumas obras engatilhadas para este ano, tem um preparo antes, então já estamos correndo atrás de mão de obra. É super importante você efetivar as contratações no período certo, fazer um bom trabalho voltado para o RH, e analisar o perfil dos candidatos”.
*Sob a supervisão do jornalista Fábio Bittencourt
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