Negócios crescem até 5 vezes na alta estação

Publicado domingo, 17 de novembro de 2019 às 06:00 h | Atualizado em 16/11/2019, 15:13 | Autor: Mariana Bamberg*

Se para muitos o verão significa época de descanso e diversão, para empreendedores de Salvador é momento de alavancar as vendas. A estação ainda nem começou e já promete aquecer, além da temperatura, os negócios da cidade. 

A empreendedora Aline Pinheiro, por exemplo, espera durante todo o ano pelo verão. Mas nada de sol, sombra e água fresca, seu objetivo é faturar. Nesse período, o faturamento de sua empresa chega a multiplicar por cinco em relação ao restante do ano. 

Ela é dona da loja de moda praia e fitness Laranja Lima, um negócio sazonal que exige ainda mais trabalho e dedicação no verão e equilíbrio durante as outras estações. 

O analista do Sebrae Rogério Teixeira não tem dúvida: a estação em Salvador é uma oportunidade não só para negócios sazonais, como o de Aline, mas para vários outros setores. A certeza de Teixeira está relacionada a dois fatores. O primeiro deles é o turismo. 

Turista também frequenta negócios como farmácia e supermercado

Mas engana-se quem pensa que esse fator beneficia apenas aqueles negócios localizados dentro do roteiro turístico da cidade. Para  Teixeira, em uma cidade turística como Salvador, toda atividade é voltada para turismo e, “diferentemente do que a maioria pensa, turista também frequenta negócios como farmácia e supermercado”.

O segundo fator é a mudança de temperatura, que, de acordo com ele, estimula a busca por produtos e serviços que tragam a sensação de refrescância. Nesse movimento, lojas e assistências técnicas de eletrodomésticos, sorveterias e até negócios como bares e  restaurantes acabam se beneficiando na estação.  

Bares e restaurantes

Só no setor de bares e restaurantes de Salvador, o faturamento aumenta 20% quando comparado ao restante do ano. A informação é do presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) na Bahia, Daniel Alves, que garante ainda que, nos estabelecimentos próximos a pontos turísticos da cidade, a receita chega a dobrar nesta época do ano.  

E não é só isso, um outro fator que dinamiza ainda mais o processo econômico no verão são as férias escolares. Com as crianças dispondo de mais tempo livre, negócios que atraem e conquistam os pequenos saem beneficiados nesta estação.

Isso porque, de acordo com o analista do Sebrae, as crianças se tornaram os principais responsáveis pelas decisões de compra dentro da família. “De forma sútil, elas estão envolvidas na escolha de onde a família vai passear ou  vai comer”.

É por isso que durante o verão a rotina do negócio das irmãs Mariana e Luciana Pedrosa muda. Elas são donas da casa de brincadeiras Malubambu, um espaço onde os pais podem pagar pelas horas ou pelo turno para que seus pequenos, acompanhados pelos responsáveis, possam se divertir nas oficinas e brincadeiras oferecidas. Na estação, o fluxo de crianças dentro da casa de brincadeiras chega a ser quatro vezes maior do que no restante do ano.

Para aproveitar a oportunidade oferecida pelas férias, a casa passa a disponibilizar, além de um turno e das horas, a opção integral – que inclui manhã e tarde. O faturamento é maior, mas o trabalho também. Mariana conta que, nesse período, as oficinas de arte, capoeira e circo, por exemplo, passam de uma para três por dia.  

Os negócios, no entanto, não precisam – e nem devem – esperar a chegada da estação. Para Teixeira, aqueles que desde antes se preparam para esse período saem na frente.

Aline, por exemplo, já está em busca de uma ajudante temporária para sua loja de biquínis e desde agosto já procura por novos produtos para sua coleção de verão. Já as irmãs da Malubambu têm o costume de, neste período, aumentar a equipe – trazendo para a casa funcionários que trabalham com elas em eventos – e em novembro já começam a divulgar sobre a importância da reserva de vagas no meses entre dezembro e fevereiro.

Mas para quem quer muito mais do que sair na frente, o “pulo do gato”, segundo Teixeira, é a inovação. Que é justamente o que a empreendedora Lorena Carvalhal não abre mão em seu negócio. Há dois anos ela criou a marca de geladinhos gourmet Gelô para vender em seu codomínio. Hoje ela já vende para outros lugares, faz entregas por meio de plataformas digitais e ainda recebe encomendas para eventos. 

Mesmo com 27  sabores, Lorena no verão passado lançou novas opções temporárias. Foram os geladinhos alcoólicos – ou “geloroksca”, como ela prefere chamar –, sabores que “combinam com sol, férias, piscina e Carnaval”. E para este ano a empreendedora também já começou os preparativos para a estação em que mais vende. Ela garante que já está estudando os sabores que serão lançados neste verão. 

Para Teixeira, essa é uma excelente forma de conquistar o cliente. E não só o cliente que vai aparecer no verão, “mas também o cliente já fidelizado, porque ele vai saber que sempre que voltar ali vai ter algo novo”.

*Sob a supervisão da editora Cassandra Barteló

Publicações relacionadas