Pagamento digital faz comércio eletrônico crescer

Expansão do e-commerce brasileiro, até 2025, deverá ser maior do que no mercado global, de 55,3%

Publicado segunda-feira, 21 de março de 2022 às 06:03 h | Atualizado em 20/03/2022, 18:30 | Autor: Fábio Bittencourt
Simone prefere a internet quando se trata de compra de valor mais elevado, para que o item chegue em casa
Simone prefere a internet quando se trata de compra de valor mais elevado, para que o item chegue em casa -

Há cerca de um mês, a vendedora Simone Alves de Oliveira, 38, realizou a compra de um notebook pela internet, transação na qual usou cartão de crédito. Essa foi uma das poucas fez em que Simone se aventurou no e-commerce. Quando é compra de valor mais elevado, ela diz que prefere a internet, para que o produto chegue em casa. “Do contrário, eu gosto de voltar carregando minhas sacolas”.

Pix ela usa bastante também, em especial no comércio de rua, ou situações em que não está com o cartão em mãos. Já dinheiro em espécie, – não lembra a última vez que fez um saque em caixa eletrônico bancário.

Com a predileção de pagamento dos consumidores migrando para o digital, o mercado global de comércio eletrônico deverá crescer 55,3% até 2025, e atingir mais de US$ 8 trilhões em valor de transação. No Brasil, o aumento estimado é de cerca de 95% no mesmo período, chegando a US$ 79 bilhões.

Os dados fazem parte do novo estudo divulgado pela empresa especializada em tecnologia financeira FIS™, The Global Payments Report 2022, Relatório de Pagamentos Globais, do inglês. 

Feito com mais de 46 mil consumidores – de 41 países, entre a Europa, Ásia, Pacífico, Oriente Médio-África, e as Américas do Norte e do Sul –, o levantamento aponta tendências de pagamentos, a partir de compras online e em ponto de venda.  

“Mesmo com mais clientes retornando às lojas físicas, não há volta com relação às inovações que temos visto nos meios de pagamento e comércio eletrônico”, diz Juan Pablo D´Antiochia, vice-presidente Senior da Worldpay from FIS para a América Latina.

Em sua sétima edição, segundo ano realizado no Brasil, o documento traz uma fotografia do setor e serve como um guia para clientes e o mercado global, fala D’Antiochia. 

Novo cenário

“Já são sete anos de relatório, então dá para perceber bem as mudanças. Os consumidores estão buscando métodos mais tecnológicos e melhores opções de pagamento no comércio eletrônico. As implicações deste novo cenário são significativas para os comerciantes, que precisam inovar”.

Advogado, professor, especialista em tecnologia, e apresentador do programa “Expresso  Futuro”, Ronaldo Lemos, destaca a velocidade das transformações. 

“Em 2019, eu gravava uma edição do programa na China, e no primeiro episódio, que se chamava a revolução dos meios de pagamentos,  eu passeava por algumas cidades e mostrava o pagamento com o código QR, celular, e até brincava, falava: olha, no Brasil deve levar uns cinco anos para chegar tudo isso. E, realmente, a partir da perspectiva daquele ano, essa revolução parecia distante da gente”.

Ainda de acordo com a pesquisa, estima-se que o chamado Buy Now, Pay Later (compre agora, pague depois), espécie de  carnê de parcelamento digital, para o comércio eletrônico, será o método de pagamento que mais deve crescer no mundo online e também lojas físicas entre 2021 e 2025.

Já o uso de métodos tradicionais de pagamento, como cartões e papel-moeda, continuam a perder participação, com projeção de representar menos de um terço do valor global das transações de comércio eletrônico em 2025.

No Brasil, o e-commerce segue em expansão. Em 2021, cresceu 16%, em comparação com o ano anterior. Por aqui, os consumidores utilizam principalmente cartões de crédito como forma de pagamento –, o que representou 44,7% do valor das transações de e-commerce no ano passado.

Transferência bancária, cartão de débito, carteira digital e boleto bancário renderam, cada, mais de 10% dos gastos com comércio eletrônico, aponta o relatório. Dinheiro em espécie, que representava a maioria dos pagamentos em lojas físicas até 2018, caiu abaixo de um terço do valor dos pagamentos em 2021, com previsão que o método fique abaixo de 25% até 2024.

Pouco mais de um ano desde a sua implementação, o pix se mostra consolidado como meio de pagamento instantâneo. São mais de 110 milhões de usuários no país. A previsão é de que as transferências subam de 10,9% para quase 18% em 2025.

Estudante do quinto semestre de biomedicina em Salvador, moradora de São Francisco do Conde, na região metropolitana, Marina Duarte, 21, fala que, a depender do que é comprado, possui estratégias diferentes de pagamento. “Se gênero alimentício, vou perto de casa e uso geralmente o pix. Já roupa, sapato, prefiro comprar pela internet, que tem mais variedade e chance de encontrar preço melhor, por meio de boleto (que ela copia o código de barra e paga via app do banco)”, conta. 

De olho nos preços de bicicletas em uma loja de material esportivo de um shopping da capital baiana, o aposentado Wilson Queirós, 60, conversou com a reportagem e disse que estava ali só apurando mesmo, como quem mata um tempo. 

O negócio dele é pela internet. “Você tem mais opção, preço, prazo”.

Nessas transações utiliza como meio de pagamento preferencial cartão de crédito. Pix, faz para um prestador de serviço ou outro. Dinheiro, “só alguns trocados para tomar uma água de coco. E bicicleta ele só compra com seguro (contra roubo). São tendências, diz.

Para compras pela internet

Sites de confiança - Assim como em lojas físicas, é importante fazer suas compras em e-commerces de confiança

Segurança - Fique atento ao ícone de um cadeado na barra de endereço do navegador. Caso o site não tenha este símbolo, significa que ele não é seguro

Verifique - Pesquise a reputação da loja. Verifique se há telefone para contato, SAC, políticas de troca, endereço, razão social e CNPJ disponíveis no site

Preço muito baixo - Ao encontrar uma oferta boa demais pra ser verdade, desconfie

Fonte:  Mercado Pago

Publicações relacionadas